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Porque mudar a capital?
Muitos motivos podem impulsionar a decisão de relocalizar a capital de um país. Motivações políticas, estratégicas ou económicas são as razões principais, mas outros fatores como segurança, densidade populacional ou questões ambientais podem entrar na equação.
Quais os países que estão a mudar de capital?
O exemplo mais sonante da atualidade de mudança de capital é a Indonésia. O país insular asiático vai transferir os serviços administrativos do Estado de Jacarta, capital desde o século XVII, quando o território era uma colónia holandesa, para Nusantara, uma urbe construída de raiz.
Com uma população de 34 milhões de habitantes na área metropolitana, Jacarta é considerada uma das cidades mais poluídas do mundo, além de enfrentar um sério problema ambiental: a metrópole da ilha de Java está, literalmente, a afundar – 40% do seu território está abaixo do nível do mar.
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Além disso, a mudança de capital representa abandonar o antigo passado colonial e criar uma capital mais influenciada pela religião islâmica e no centro do país, de forma a distribuir melhor a riqueza e os recursos, muito concentrados na ilha de Java. Com a vantagem de estar numa região menos propensa a desastres naturais.
Em 2019, o governo, liderado pelo presidente Joko Widodo, anunciou o plano de mudar de capital. A nova cidade foi construída do zero, na ilha de Bornéu, num lugar que fica no meio da selva. Nusantara foi declarada como nova capital a 17 de agosto de 2024, o Dia da Independência da Indonésia.
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De acordo com uma reportagem da BBC, na altura da inauguração oficial, a cidade ainda estava em construção, num megaprojeto orçado em 33 mil milhões de dólares que levantou muitas controvérsias a nível ambiental e económico. Prevê-se que, até 2045, a nova capital seja habitada por 1,9 milhões de pessoas.
Com 6.400km2, Nusantara almeja ser uma cidade verde e tecnológica. Contudo, muito dificilmente conseguirá substituir o peso que Jacarta continuará a ter no país. De acordo com um artigo de análise da Oxoford Economics, "Jacarta não será substituída, nem o seu papel, nem os seus problemas (...) é a capital económica da Indonésia e o principal local para os serviços de alto valor da Indonésia, como finanças, serviços empresariais e informações e comunicações (TI)".
Outro grande projeto em curso para mudança de capital acontece no Egito.
No meio do deserto, a 45 quilómetros do Cairo, capital atual, está a ser construído o novo centro administrativo do país dos faraós. O anúncio foi feito em março de 2015, como uma das principais bandeiras do presidente egípcio, Abdel Fattaf al Sisi.
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Aliviar a sobrepopulação do Cairo (mais de 20 milhões de habitantes), além de diversificar o potencial económico do país com a criação de novos locais para viver, trabalhar e visitar foram as motivações avançadas pelo governo na altura. Outro dos motivos apontados é a proximidade estratégica ao Canal do Suez.
Atualmente, a cidade ainda se encontra sem nome e em construção, mas já recebeu os primeiros habitantes, prevendo-se que seja casa para seis milhões de pessoas.
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E como será esta nova urbe orçada em 43 mil milhões de dólares? Além das instalações governamentais, a cidade de 700km2 conta com residências, hotéis, centros de convenções, um parque com o dobro do tamanho do Central Park de Nova Iorque, lagos artificiais, escolas, universidades, hospitais, mesquitas, a maior igreja do país, um parque temático e um aeroporto. Muitos destes lugares já estão prontos, como pode ver na galeria de imagens abaixo.
Outra nação que está a transferir os serviços administrativos do Estado para uma cidade construída do zero é a Coreia do Sul. Sejong, no centro do país, foi planeada para ser a nova capital administrativa sul-coreana, substituindo a superpopulosa Seul, com uma área metropolitana de 25 milhões de habitantes.
A localização geográfica também foi um fator de peso neste projeto, uma vez que a atual capital está a apenas 70km da fronteira com a Coreia do Norte, enquanto Sejong está a 200km do território inimigo. Também representa novas oportunidades de investimentos no centro do país.
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Inaugurada em 2012, a mudança para a nova capital está a ser feita de forma gradual e espera-se estar concluída em 2030, estando prevista uma população de 500 mil habitantes. Afirmando-se como uma “cidade inteligente” (smart city), Sejong é uma urbe altamente tecnológica, com, atualmente, 360 mil habitantes e 44 instalações governamentais.
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Sejong quer ser uma alternativa de luxo mais acessível do que Seul, com condomínios modernos, espaços verdes e tecnologia, como descarte automatizado de resíduos, estações de carros elétricos e edifícios movidos a energia solar. No entanto, críticos argumentam que a cidade não tem o mesmo apelo do que a antiga capital, é mal projetada e de difícil acesso.
Por fim, em janeiro, o Irão anunciou que pretende mudar de capital de Teerão, no norte do país, para Makran, uma região costeira no sul, devido a razões económicas e ecológicas. A localização costeira de Makran poderia reforçar a posição do Irão no comércio marítimo, mas também apresenta desafios, como infraestrutura insuficiente e possível vulnerabilidade geopolítica.
Ainda sem nova localização, a Tailândia também já demonstrou vontade em mudar de capital, devido ao excesso de população, poluição, trânsito e o aumento do nível das águas do mar em Banguecoque.
Países que já mudaram de capital
Ao longo da história, são vários os exemplos de países que alteraram a capital. Percorra a galeria de fotos e descubra seis dos mais emblemáticos.
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