Estávamos dentro do barco, no meio do rio Sarawak, um barco pequeno, com um motor pequeno.
Íamos a caminho daquela que seria a nossa casa para o próximo mês. Iniciávamos, nesse momento, algo novo na nossa viagem: trabalharíamos em troca de alojamento e alimentação.

A casa era uma homestay no meio da selva do Bornéu, do seu lado Malaio, próximo da fronteira com a Indonésia. Há uma única forma de lá chegar: de barco.

E era dentro desse barco que nos encontrávamos, nós e todas as nossas coisas num barquito pequeno, no meio do rio, quando começou a chover e o barco, com o motor enredado pela vegetação que se vai acumulando no rio, deixou de funcionar.

Perdidos na selva do Bornéu
créditos: Menina Mundo

Já tínhamos percorrido uma boa parte do caminho, quando o Lars – o nosso anfitrião – nos deixou numa espécie de praia no meio da selva para ir à vila mais próxima pedir ajuda - tão rápido quanto os remos permitiram.

Nós aguardamos, tentamos abrigar-nos nas copas das árvores, de uma chuva que parecia querer chover tudo naquela tarde. Rimos da situação, restavam-nos, na verdade, pouco mais a fazer: estávamos sozinhos, com a nossa filha, e tudo o que tínhamos, no meio do nada; de um lado uma selva imensa, sem quaisquer sinal de trilhos, do outro o rio que enchia com as águas da chuva, sem qualquer sinal de um barco.

O barco voltou, voltámos a rir.

Chegámos a casa, a salvo, num misto de alívio, medo e superação, com uma bela história para contar.
No próximo post conto-vos dessa casa, dessa família que nos acolheu e dessa experiência de trabalho em viagem.

Perdidos na selva do Bornéu
créditos: Menina Mundo

P.S. Quem nos segue terá uma sensação de estranheza em relação à (má) qualidade das fotos, ao contrário do que é comum, foram tiradas com o telemóvel.


Este artigo foi originalmente publicado em Menina Mundo.

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