Em redor de uma baía encontramos edifícios que serviram de casino, salão de baile, clube desportivo e igreja.

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Entrada do Cassino créditos: Who Trips

O encanto da beleza natural em profunda harmonia com as linhas arredondadas do traço modernista do ainda jovem Óscar Niemeyer e que precederam a obra maior de Brasília.

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Vista para a lagoa créditos: Who Trips

Este enquadramento e o seu significado foi fundamental para a Unesco classificar, no ano passado, o Conjunto Moderno da Pampulha como Património Cultural da Humanidade.

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Igreja de São Francisco créditos: Who Trips

Uma das razões apontadas é porque “tem importante significado para as gerações presentes e futuras da humanidade, pois representa um marco da história da arquitetura mundial e da história brasileira e das América”. Aqui pode ver razões mais detalhadas para a classificação.

Óscar Niemeyer foi convidado pelo Prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, para reformar e modernizar a zona da Pampulha na década de 40 do século passado.

O objetivo era modificar uma parte significativa de Belo Horizonte e projetar a cidade como um espaço urbano moderno. Era tida como uma urbe provinciana apesar de a sua construção de raiz ter apenas meio século.
Para a reformulação da Pampulha, além de Niemeyer, Kubitschek convidou outros nomes relevantes, como o arquiteto paisagista Burle Marx e o pintor Cândido Portinari.

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Casa do Baile créditos: Who Trips

Uma equipa que transitou para a concepção e construção de Brasilia.
O resultado é uma obra que é um marco na arquitetura brasileira e mundial, citanto a Unesco: “o conjunto mostrou ter influenciado a arquitetura mundial e nacional — como em Brasília, inscrita na Lista do Património, em 1987.”

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Vista da lagoa e do Iate Clube créditos: Who Trips

Alguns projetos não foram concretizados mas o que foi edificado, os jardins, as praças e a zona envolvente à lagoa constituem um dos principais postais ilustrados de Belo Horizonte. Por outro lado, são também sinais do “bom gosto”, de momentos lúdicos de uma elite que gostava de tirar partido da vida social e que usufruía a riqueza e o conforto depois da II Grande Guerra.

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Vista da lagoa e do Cassino créditos: Who Trips

Os quatro edifícios do Conjunto Moderno da Pampulha circundam a lagoa e têm todos linha de vista entre si. Há também uma grande variedade de jardins e estátuas. Até um passado recente havia um barco que levava os visitantes entre as várias estruturas. Os edifícios são o Cassino, a Casa do Baile, o Iate Clube e a Igreja de São Francisco de Assis.

O principal é o Cassino que se pretendia que funcionasse como pólo de atracão de visitantes. Foi o primeiro a ser construído.

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Cassino e jardins créditos: Who Trips

Fica num lugar de grande beleza natural e é o que tem com mais intensidade os traços modernistas. Parte das paredes são de vidro o que permite uma vista espetacular do interior. Os materiais dão um brilho permanente.

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Cassino créditos: Who Trips

O ónix nas paredes, o aço inoxidável nas colunas e no corrimão e os espelhos tornam o ambiente esplendoroso. As linhas retas das rampas cruzam-se com linhas curvas da pista de jogos e da boate.

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Sala de espetaculos no Cassino créditos: Who Trips

Em todos os espaços sente-se o glamour e o prazer dos sentidos.
No Cassino funciona agora o Museu de Arte da Pampuha.

Um outro espaço concebido para os encontros sociais é a Casa do Baile.
Foi construída numa ilha artificial, tem duas circunferências e a maior servia de salão de baile e de espetáculos.

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Casa do Baile créditos: Who Trips

No exterior há um pequeno jardim, uma calçada portuguesa e um miradouro com uma das vistas mais bonitas da lagoa e também do Cassino.

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Casa do Baile créditos: Who Trips

A Casa do Baile está aberta ao público, tem algumas exposições temporárias e um mural feito por Óscar Niemeyer numa das últimas visitas a Belo Horizonte.

O Iate Clube desempenha ainda hoje algumas das funções para que foi concebido, embora se tenha perdido o campo de golfe.

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Piscinas no Iate Clube créditos: Who Trips

O clube de lazer tem piscinas abertas ao público e com vista para a lagoa. É mesmo ao lado do edifício principal que tem um telhado com inclinação em V (chamado “asa de borboleta”).

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Iate Clube créditos: Who Trips

No segundo piso tem um enorme salão com painéis pintados em tamanho considerável. As paredes do salão são em estrutura metálica e de vidro, como se fosse um barco a entrar na lagoa.

A Igreja de S. Francisco de Assis é outra jóia arquitetónica de Niemeyer. As linhas curvas destacam-se ao longe e quando nos aproximamos ganha destaque o painel de azulejos do pintor Cândido Portinari que retrata S. Francisco a combater um monstro.

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Igreja de São Francisco créditos: Who Trips

A pintura no altar-mor é também de Portinari e retrata igualmente São Francisco de Assis.
É uma capela pequena com a entrada por uma ala lateral. No interior há painéis de azulejos e domina a madeira com linhas curvas, como também a escada que nos leva ao piso superior.

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Igreja de São Francisco créditos: Who Trips

O contraponto das linhas rectilíneas é no mobiliário, designadamente das cadeiras. A iluminação é de luz natural que entra pela parede de vidro que está virada para a lagoa. O campanário está separado da capela.

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Igreja de São Francisco créditos: Who Trips

A igreja foi construída em 1945 (curiosamente em Portugal o modernismo tem uma capela muito parecida nas linhas exteriores e na pintura do altar-mor: a Igreja de Santo Isidro de Pegões) mas só teve o reconhecimento da igreja mais de uma década depois. Na altura da construção o responsável eclesiástico local não gostou da obra de Niemeyer e recusou “dar a bênção”. O reconhecimento só chegou 17 anos depois!
A igreja está agora em obras de restauro.

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Pampulha créditos: Who Trips

A lagoa é artificial. Na sua origem foi uma barragem construída por portugueses que aproveitaram os cursos de água. Os portugueses instalaram-se nesta zona limítrofe de Belo Horizonte e exploravam os terrenos para fins agro-pecuários. Dizem que o nome Pampulha tem origem na presença dos portugueses originários de Lisboa, provavelmente do bairro Pampulha, que fica entre as Janelas Verdes e a Infante Santo.

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Destaques na área da Pampulha créditos: Who Trips

A modernização deu lugar a um bairro residencial e algumas moradias com forte influência modernista. O próprio Juscelino Kubitschek tinha aqui uma casa.

O Conjunto Moderno da Pampulha tem uma linha de autocarro, o 512, que faz a ligação circular da Pampulha. Há também um”tour” retro ao fim de semana e um programa noturno às terças-feiras com os principais pontos turísticos abertos até às 21h.

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Edificio Niemeyer créditos: Who Trips

Niemeyer foi mais tarde convidado por Kubitschek para desenvolver outros projetos em Belo Horizonte e em mais cidades do Estado de Minas Gerais. É extenso o roteiro do modernismo como também um dos prédios de referencia na arquitetura de Belo Horizonte. Chama-se o “Edifício Niemeyer” e destaca-se na Praça da Liberdade devido à ondulação dos oito andares como se fossem as montanhas que marcam o território de Minas Gerais.

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O maior vão livre do mundo créditos: Who Trips

Uma outra obra, mais recente e igualmente marcante (como todas as de Niemeyr) é a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves que fica a alguns quilómetros do centro de Belo Horizonte. São cinco edifícios e o que mais se evidencia é o Palácio Tiradentes com o maior vão livre da arquitetura mundial.

A TAP tem voo direto para Belo Horizonte. A viagem foi a convite da SETUR e do Festival Fartura.

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