A prova foi superada e hoje neste local encontramos um verdadeiro testemunho do engenho humano.

Desde miúda que tenho uma grande devoção por São Miguel Arcanjo, por isso uma visita ao maior santuário que lhe foi dedicado, o lendário Mont Saint-Michel era importante para mim. Posso dizer que a experiência valeu muito a pena.

A pequena ilha, acessível a pé na maré baixa, fica praticamente no meio do nada mas é fácil de chegar até lá a partir de Paris. Basta apanhar o TGV para Rennes e de Rennes apanhar um autocarro para o Mont Saint-Michel.

O autocarro pára no exterior da cidade fortificada. Temos de sair e caminhar até à entrada. De longe é possível vislumbrar logo toda a ilha e a magnífica Abadia no seu topo. E a imagem impressiona! É um verdadeiro cartão postal.

A construção, mesmo de acordo com os padrões atuais não terá sido nada fácil. Não só a abadia e a cidade envolvente foram construídas sobre um afloramento de granito na baía, como também tem de enfrentar repetidamente as marés mais altas de toda a Europa. O desnível entre maré baixa e maré alta, segundo me disseram, pode chegar até aos 15 metros.

A aparência do Mont Saint-Michel varia muito conforme a época do ano, as fases da lua, o dia e a hora da visita, por isso, cada pessoa pode ter uma experiência diferente. É possível encontrar a ilha totalmente envolvida pela água (como todas as ilhas normais) ou então isolada no meio de um imenso areal. Também já vi fotos em que a ilha parece estar no meio de uma enorme pastagem. É muito interessante, quase mágico.

Vejam em baixo duas perspetivas diferentes da ilha, para verem como o cenário pode mudar:

Mont Saint Michel
créditos: The Travellight World

Declarado Património Mundial pela UNESCO em 1979, o Mont Saint-Michele foi, durante séculos, um reduto estratégico para Bretões e Franceses, nunca tendo sido conquistado, nem mesmo pelos ingleses durante a Guerra dos Cem Anos. É um local carregado de História e de histórias.

Uma das mais curiosas é que depois da Revolução Francesa o Mont Saint-Michel foi transformado numa prisão que só encerrou em 1863. Vestígios desse tempo ainda estão presentes na ilha.

A pequena cidade medieval localizada na parte baixa do monte é encantadora, apesar de muito turística... Assim que atravessamos as muralhas de acesso à parte interior passamos logo por uma rua estreita que oferece tudo o que podemos esperar encontrar numa atração popular: restaurantes e lojas de lembranças. Por todo o lado há postais, medalhinhas, camisolas, chocolates, vinhos, biscoitos, etc, etc. Eu aproveitei e experimentei logo os famosos “galettes brettones”, um doce típico da região.

Para chegarmos à abadia temos de subir por um número incontável de escadas (já repararam na quantidade de atrações que ficam no topo de montes, montanhas e encostas? Para viajar temos de estar em forma, uff!)

A subida custa, mas vale a pena, a abadia é magnífica! Visitas guiadas (em várias línguas) estão disponíveis para quem estiver interessado em conhecer melhor a história do local, mas como eu tinha lido bastante sobre o Monte antes de lá chegar resolvi explorar por conta própria.

Durante o percurso acabamos por chegar a um terraço de onde podemos observar, não só as antigas muralhas de pedra, as arcadas imponentes e as torres de fortificação da cidade, mas também uma vista panorâmica da baía.

Quando a maré está baixa é possível percorrer a pé o imenso areal, mas esta atividade pode ser perigosa. É preciso conhecer bem a região para evitar os locais onde a areia é movediça e saber de cor os horários da maré — Se a pessoa se distrai pode ficar numa situação bem complicada...

Os moradores locais dizem que as marés sobem à velocidade de cavalos a galopar. É muito, muito rápida, por isso, se estiverem interessados em realizar este passeio, o melhor é contratar um guia especializado. O balcão de apoio ao turista tem uma lista com vários nomes.

Ficar hospedado na cidade é possível, mas não fica barato. Eu pessoalmente achei o hotel e restaurantes muito caros (medíocres até) para a comida e serviço que ofereciam, mas não deixei que isso estragasse o meu bom humor, afinal de contas, talvez eu tivesse tido azar nas minhas escolhas e depois a comida podia não prestar mas o vinho não era nada mau.

A vantagem de pernoitar aqui é poder assistir ao pôr do sol na baía e poder apreciar a cidade vazia durante a noite, sem as centenas de turistas que a “ocupam” durante o dia.

Quando o sol se põe, os autocarros de excursão partem e a cidade esvazia-se. Quem fica por lá tem a sensação de ter a cidade toda para si. A animação dá lugar ao silêncio e as ruas ficam serenas,  misteriosas, quase assustadoras. Sentes um arrepio na espinha quando imaginas os fantasmas de monges e antigos prisioneiros que morreram ali (mas isso sou eu e a minha imaginação fértil).

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Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World

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