Talvez seja melhor começar por explicar uma subtileza norte-americana quanto aos termos: hispano (hispanic) é quem nasceu ou tem ascendência das regiões central e sul do continente americano; espanhol (spanish) é o natural de Espanha. Os hispanos falam várias variantes do idioma castelhano, todas muito fáceis de compreender pelos portugueses. Fala-se mais castelhano do que inglês, o que é uma vantagem para nós.

Miami, fundada no final do século XIX como centro para veraneantes e reformados do norte, na década de 1950 tornou-se o destino dos cubanos exilados. A partir daí começou uma intensa imigração de toda a América Central e do Sul, inclusive do Brasil. Tornou-se a residência alternativa de muitos milionários, dotando a cidade com residências de alto padrão e fazendo-a um grande centro de negócios. Daí que se diga que é a capital da América latina.

Miami
Vista aérea da cidade créditos: iStock

Passear pela cidade

Com exceção do Coral Way, em South Beach, que pode e deve ser feito a pé, o mais conveniente é alugar um carro, pois as distâncias são grandes e entre os núcleos dos bairros há longas avenidas onde nada acontece. Também temos autocarros e dois comboios elevados que percorrem a cidade de Norte a Sul, mas são sobretudo usados pelos locais. Se não se sente à vontade para guiar, alugue um carro com motorista.

Coral Way é uma avenida em Miami Beach – a estreita faixa de terra que fica em frente da cidade – construída em 1922 no estilo art-deco e que merece um passeio. Todos os edifícios de época estão esplendorosamente preservados em usados como hotéis, com restaurantes e lojas.

Coral Way
Coral Way créditos: iStock

A Baixa da cidade chama-se Coconut Grove e é um bairro histórico com a Câmara Municipal, boîtes, restaurantes e uma vida noturna sempre animada.

Mais abaixo, para Sul, fica Coral Gables, um bairro com grandes edifícios de habitação e shoppings iguais aos de qualquer outra cidade. A não ser que queira comprar as marcas internacionais que pode encontrar em todo o mundo, não vale a pena investigar muito tempo por aqui.

Outra zona distinta é a chamada Little Havana. O nome diz tudo!

Já fora da cidade fica o parque de Everglades – não estamos a falar de um parque urbano, mas duma enorme reserva natural, com crocodilos e tudo, onde se passa uma tarde surpreendente a passear de barco.

Everglades
Everglades créditos: Pixabay

Cultura

Sendo uma concentração de culturas, Miami tem muito a oferecer em termos de Arte; museus, centros culturais e casas históricas. Um museu a que não se pode deixar de dedicar uma tarde é o Bass Museum of Art, doado à cidade pelo casal milionário John e Johana Bass. Tem mais de três mil peças do século XV até hoje, de artistas como Botticelli e Rubens, e um grande número de objectos religiosos trazidos da Europa nos tempos coloniais. Outro é o Wolfsonian, localizado num palácio mourisco de 1927 e com muitas peças de todo o mundo, algumas muito curiosas, com um exemplar em braile do “Mein Kampf”. Surreal.

O Perez Art Museum, uma construção recente que custou 35 milhões de dólares, é rico em arte contemporânea, de artistas tão diferentes como Diego Rivera ou Wilfredo Lam. O Adrienne Arsht Center for the Performing Arts tem uma programação permanente de ópera, música e teatro, que se pode reservar com antecedência.

Para quem tem filhos pequenos ou gosta de vida marinha, o Seaquarium é dos mais interessantes do género, pois até tem uma baleia assassina, leões marinhos e grande variedade de peixes tropicais.

Little Havana
Mural em Little Havana créditos: Gzzz/CC

Acepipes

É preciso ir à Rua Ocho, em Little Havana, para experimentar as delícias da cozinha caribenha. Em geral, por toda a cidade os pratos têm um toque tropical, com muitos tacos, feijão preto e frango cozinhado exoticamente. Até as sanduíches mistas de queijo e fiambre têm um sabor mais intenso e há uma francesinha cubana, chamada “sanguiche”, com carne de porco, fiambre e queijo absolutamente deliciosa. Escolha comer em tascas e restaurantes na rua; evite os dos hotéis que, embora de qualidade, têm uma cozinha mais padronizada. Miami é uma oportunidade de saborear os perfumes tropicais e os picantes intensos da América do Sul.

Miami Beach
Miami Beach créditos: Pixabay

Excursionar e dançar

A noite de Miami é muito mais animada do que o dia. Há casas noturnas de todos os géneros, muitas com música ao vivo, e até na rua se dá com bailaricos e exibições musicais mais ou menos improvisadas. É o sangue latino a correr e a pular!
Mas de dia há outras oportunidades. As excursões são muitas e fora do comum, como um passeio de barco pelos canais ladeados das casas espetaculares dos milionários sul-americanos, ou um roteiro gastronómico, ou ainda as viagens pela natureza opulenta.

O bom tempo é constante o ano inteiro, com dias ensolarados e noites agradáveis. Ou, para quem não gosta de grupos, o melhor é alugar um carro com motorista e parar sempre que se vê muita gente a festejar qualquer coisa. Da última vez que lá estivemos dançamos tango, rumba, ritmos animados cujo nome nem sabemos, e até assistimos a um casamento ao estilo das Honduras. Miami vive-se na rua. Também se pode alugar um barco e ficar a pairar na ria, ou ir até a uma praia mais afastada.

Se quer conhecer esta cidade fantástica, conte, pelo menos, com uma semana para ver e saborear tudo.

Texto: José Couto Nogueira

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