1. Como/quando começou o “bichinho” das viagens?

Desde que nos conhecemos como gente que nos reconhecemos com um espírito irrequieto e curioso. Por isso, o apetite pelas viagens foi algo que aconteceu sem surpresas e colou-se-nos à pele como a nossa natureza. Quando nos conhecemos, a vontade de descobrir o mundo alcançou o seu expoente máximo. No fundo, juntamos a fome à vontade de comer. E assim nasceu o VagaMundos.

2. Além de viajar, gostam muito de…

Adoramos fazer caminhadas no meio da natureza. Quanto mais wild, melhor. Andar ao ritmo natural do ser humano permite-nos “absorver” os lugares, captar a sua energia e conectar com o universo.

Brincamos aos chefs da culinária a experimentar pratos novos com sabores do mundo. No fundo, é uma forma de revisitar os países por onde andámos, já que procuramos os paladares que mais nos deliciaram nas nossas viagens. O resultado nem sai nada mal, sem grandes falhas. O que não falha é sujarmos a cozinha e conversarmos horas a fio na companhia de um bom vinho.

Quando temos algum tempo livre, um bom livro ou um bom filme ou um bom jogo são as coisas de que tiramos mais prazer.

3. Quantos países já visitaram?

Honestamente, já gostámos mais de somar países. Cada vez mais damos por nós a repetir destinos, porque mais importante do que ter carimbos novos no passaporte, é regressar aos locais que nos fazem sentir bem. Mas respondendo à questão, a dois já visitamos 82 países.

4. Viagens mais marcantes e porquê?

Como já temos alguns anos de estrada (estamos a ficar velhos - risos), já são várias as viagens que nos marcaram. Mas a mais transformadora foi, sem dúvida, percorrer a pé o Caminho Francês de Santiago desde a vila francesa de Saint Jean-Pied-de-Port. Foram 30 dias a andar, ao longo de 800 km, e mais do que uma viagem geográfica, foi uma viagem interior que nos mudou para sempre. Deu inclusivamente origem ao nosso primeiro livro, o “Caminho do Amor”.

Outras viagens que deixaram vincadas “cicatrizes” foram uma roadtrip de 4000 milhas pelos Estados Unidos, entre Las Vegas e Yellowstone (para fechar com a chave de ouro os 7 meses que vivemos em Boston), uma viagem overland de 4 meses pela América do Sul desde Lima até Ushuaia, no extremo austral do continente americano, e uma fascinante viagem pelo Oriente que nos levou desde a monumental Pequim à frenética Bombaim, e da qual nasceu o nosso segundo livro, “Rostos do Oriente”. Em todas elas conhecemos pessoas extraordinárias que fizeram dessas viagens muito mais do que uma mera compilação de paisagens e monumentos. Tornaram-se lugares de afetos e passaram a fazer parte da nossa geografia sentimental. Sem dúvida que as pessoas são o que mais importa numa viagem!

5. Destino que querem regressar e porquê?

Regressávamos de bom gosto a todos os locais onde já estivemos. Mas presentemente andamos em pulgas por regressar à Patagónia (a nossa região favorita do mundo), à Islândia (só por lá andamos 1 semana e soube a pouco), ao Sudeste Asiático (somos apaixonados por esta região asiática e já não vamos lá há mais de 5 anos) e aos nossos Açores (pois ainda só conhecemos a Ilha de São Miguel).

6. Próximos destinos e expectativas. Tendo em conta a atual conjuntura, como acham que vão ser as viagens durante e pós-COVID-19?

Em tempos de COVID reaprendemos a não fazer grandes planos. No que a viagens ao estrangeiro diz respeito, tínhamos viagens programadas em 2020 para a Islândia, Indonésia e Irão e não nos restou outra alternativa senão adiá-las. Logo que seja possível, serão as nossas prioridades fora de Portugal. Mas para sermos francos não vivemos obcecados com isso. Na verdade, quanto mais calcorreamos o mundo mais nos apercebemos que Portugal é um país maravilhoso e que, apesar de pequeno em tamanho, tem tanto, mas mesmo tanto que explorar! Por isso em 2021 vamos continuar a aproveitar todas as oportunidades para partir à descoberta dos tesouros do nosso país, algo que já fazíamos amiúde antes do COVID-19.

Mas não há qualquer dúvida de que a pandemia mudou (e muito) o panorama das viagens. Hoje as pessoas olham com outros olhos para os destinos mais perto de casa e colocaram o turismo de natureza no topo das suas prioridades. E sentiram imenso prazer em redescobrir o seu “quintal”. E honestamente, acreditamos que essa tendência veio para ficar. Essa talvez seja a única coisa boa do COVID-19. Aprendermos a valorizar o que nos está mais perto, fazer viagens mais sustentáveis, viajar mais devagar e, acima de tudo, perceber que o contacto com a natureza é do melhor que temos no mundo.

7. Dica de viagem mais valiosa que podem dar

Vamos dar duas. A primeira é viajar devagar. Na nossa perspetiva, uma viagem é como uma maratona, não uma corrida de velocidade. Não só é mais sustentável do que andar sempre a correr, como é a melhor forma de sentir e assimilar as culturas dos locais por onde passamos. Confessamos que já fomos “corredores”, mas quando passámos a viajar com mais tempo, e inclusivamente a estacionar largas semanas no mesmo destino, demos por nós a regressar a casa com o coração cada vez mais cheio. Experimentem que vão gostar!

A segunda dica é que nunca se esqueçam da tolerância em casa. O respeito pelas diferenças culturais é crucial para que se tenha uma boa experiência de viagem. Quando estamos em viagem não nos devemos esquecer que nós é que somos os visitantes. Como tal, cabe-nos a nós respeitar as tradições e costumes locais, não o inverso. Muitas das vezes, os choques culturais são inevitáveis, mas com tempo, respeito e mente aberta acabamos por ver que são mais as semelhanças que nos unem do que as diferenças que nos separam. A ignorância face aos outros povos, às outras realidades é um dos maiores males do mundo. E as viagens são uma das melhores maneiras de combater esse mal. Mas para que tal aconteça, é crucial não levar preconceitos na bagagem.

8. Lugar preferido em Portugal

Portugal é um verdadeiro país de maravilhas. Apesar de pequeno em tamanho, é gigantesco em diversidade. Costumamos dizer, em jeito de brincadeira, que visitar Portugal de norte a sul é como abrir uma panóplia de caixinhas de segredos, cada uma mais surpreendente que a outra. Por isso, escolher apenas um lugar favorito é virtualmente impossível. Mas podemos dizer que nunca nos cansamos de explorar o verdejante Gerês, de apreciar as arrebatadoras paisagens do Douro, de partir à descoberta dos tesouros de Trás-os-Montes, de fazer uma roadtrip pela Costa Vicentina, de contemplar os horizontes a perder de vista do Alentejo ou de nos perdermos pelas estradas e trilhos das montanhas mágicas do Centro de Portugal.

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