1. Como/quando começou o “bichinho” das viagens?

Poderia dizer que tudo começou com as viagens França/Portugal no banco de trás do carro dos meus pais, ou nos documentários da National Geographic e do Travel Chanel que devorava ao fim de semana, mas a verdade é que a paixão pelas viagens, a ânsia, a pelo partir, pelo desconhecido e pela descoberta é algo com que se nasce. Há quem nasça com os pés na terra e quem nasça com asas no lugar das omoplatas. E quem nasce com asas só está realmente feliz quando anda pelo mundo à deriva.

2. Além de viajar, gosta muito de…

Fotografia. Cada vez mais a fotografia, que começou por ser um complemento das viagens, passou a ser um ponto de partida para as mesmas.

3. Quantos países já visitou?

Um pouco mais de 100. Mas repito muitos países. São raros os países em que coloque “uma cruz em cima” e diga que não volto mais. Se vou no verão fico com vontade de conhecer no inverno e se visitei sozinha fico com vontade de visitar em família e é por essas e por outras que acho que nunca vou conseguir conhecer o mundo todo.

4. Viagens mais marcantes e porquê?

Esta é daquelas perguntas difíceis… se estivermos a falar de marcante num sentido negativo, sem dúvida a última viagem a Itália, há dois meses, em que me roubaram todo o meu material fotográfico. Mas se estivermos a falar de marcante em termos de mudança da minha perceção do mundo diria que a minha primeira viagem à Guiné Bissau ou a minha primeira viagem à Índia foram uma “bofetada de realidade” determinantes numa série de aspetos da minha vida. Visitei a Guiné Bissau pela primeira vez quando era ainda uma inocente e idealista estagiária de advocacia. Achava que podia mudar o mundo. Ainda não consegui, mas toda essa inocência e idealismo, aliados à tal realidade que me entrou olhos adentro pela primeira vez, ajudou a mudar a minha vida e, mais importante, a vida de uma pequena aldeia que não tinha escola primária o que obrigava os miúdos a fazer 20 km por dia a pé até à escola mais próxima. Quando regressei a Portugal não descansei enquanto não arranjei um patrocinador para construir uma pequena escola e fornecer o pequeno-almoço e almoço daquelas crianças. Acho que nunca tinha falado nisto em público, mas foi a primeira coisa que me veio à mente em termos de “marcante”.

5. Destino que quer regressar e porquê?

Quero muito voltar ao Butão ou a qualquer um dos países que conheci em África. O mundo, muito por culpa das alterações climáticas, da globalização e da sobrepopulação, culpa nossa, portanto, tem cada vez menos zonas impolutas e genuínas. Para além de os destinos planeados para quando “tudo isto acabar” serem destinos onde espero encontrar essa “wilderness”, gostava muito de regressar aos poucos países onde senti que isso ainda existia.

6. Próximos destinos e expectativas. Tendo em conta a atual conjuntura, como acha que vão ser as viagens durante e pós-COVID-19?

Temos ainda duas viagens marcadas para fora da Europa até ao final deste ano, mas, na verdade, não tenho muita esperança que as coisas melhorem a tempo.

Quanto às viagens pela Europa que temos feito durante esta fase COVID-19, temos tido experiências muito diferentes. Visitámos países, como foi o caso da Islândia, em que quase deu para esquecer os tempos que vivemos tal a segurança e normalidade que se sentiam e outros em que a experiência foi um pouco mais estranha.

Há todo um novo e acrescido trabalho de pesquisa de eventuais restrições de viagem, desde testes PCR, necessidade de quarentena na partida ou regresso, eventual obrigatoriedade de uso de máscara e por aí fora. Sem dúvida que há toda uma perda de espontaneidade e de possibilidades de escolha de destinos mas, embora em termos mais restritos e com cuidado, é possível ir viajando enquanto se aguardam por melhores dias.

Quanto ao futuro das viagens quando tudo isto terminar, e não duvido que vai terminar mais cedo do que tarde, tal como todas as pandemias anteriores na história da humanidade terminaram e a vida voltou ao normal, vamos todos com certeza aproveitar o privilégio de viajar com novos olhos. Com os olhos de quem sabe que nada é garantido.

7. Dica de viagem mais valiosa que pode dar

Viajar. Com esta resposta dá para perceber que não dava para guru das viagens, daqueles com vídeos com imagens compradas a granel e música de fundo inspiracional e galvanizadora. O que quero dizer com isto é que viajem mesmo que as condições não sejam as que consideram ideais. Já viajei sozinha, com amigos, com família, com pouco dinheiro, com algum dinheiro, com temperaturas negativas, com um braço ao peito, com uma muda de roupa, com bilhetes só de ida, dormi em quartos partilhados, palhotas, tendas e até em palácios e posso dizer-vos que tudo é bom. Tudo é melhor que não viajar. Por isso o melhor é ir.

8. Lugar preferido em Portugal

Definitivamente o pódio vai para os Açores e a Madeira e qualquer sítio no Alentejo. Mas Portugal está recheado de pequenas pérolas estrategicamente colocadas um pouco por todo o país. Há uma zona em particular que nunca me canso de visitar, a zona das Buracas e a do Vale de Poios, na zona centro do país.

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