A edição deste ano reunirá 101 pequenos produtores de Portugal, Espanha, França e Estados Unidos e "umas centenas de vinhos brancos, laranjas, palhetes, rosés, doces tintos, secos e doces, velhos e novos, conhecidos e novidades, vinhos que querem ser simplesmente ser vinho", explicou à agência Lusa o organizador João Roseira.

Os petiscos de três restaurantes, "o bar de vinhos com os famosos taberneiros, e pioneiros os vinhos sinceros em Portugal, Os Goliardos", de Lisboa, uma exposição de cinco artistas e a música da banda portuense Thee Magnets, no dia 21, o concerto VineRoots, no dia seguinte, completam o programa do Simplesmente Vinho...2020.

João Roseira disse que o concerto final é "um tributo a uma das grandes tradições americanas, a 'jam session', e reunirá alguns músicos famosos do Porto", mas guardou segredo sobre os seus nomes.

O "convidado especial" do ano passado foi uma pequena produtora brasileira e os seus "vinhos da serra gaúcha" e o deste ano é o produtor norte-americano Joe Swick, que faz "vinhos orgânicos" nos estados de Washington e Oregon, no noroeste do seu país.

O convite a Swick teve como pretexto a "guerra comercial" que os Estados Unidos lançaram também contra Europa e, nomeadamente, contra o vinho oriundo de países como a Espanha, a França e a Alemanha, explicou João Roseira, com a aplicação de taxas alfandegárias que agravarão o seu preço final.

"Que ano melhor do que este para mostrar o nosso apreço pelas pessoas dos Estados Unidos que têm exatamente o oposto dessa postura beligerante e fazer dos Estados Unidos o convidado especial?", atirou.

João Roseira acrescentou que "Joe Swick é um amigo da Europa e é fã de Portugal há anos, tendo passado temporadas em diferentes regiões no nosso país".

Swick usa nos seus vinhos "uvas cultivadas organicamente" em regiões altas e frias e de uma ampla variedade de castas, nas quais se incluam as portuguesas Touriga Nacional, Verdelho e Tinta Miúda.

Com este programa multifacetado, o Simplesmente... Vinho reclama para si o título de "primeiro e até agora único salão off português" com a ambição de ser uma manifestação independente e alternativa que reúne 'vignerons' unidos apenas pelo vinho e que procuram respeitar a terra, a vinha, as uvas e as tradições.

"O nosso mote é vinho sem maquilhagem", resume João Roseira, também ele produtor de vinho, no Douro, recorrendo a um conceito cunhado pela enóloga e produtora Filipa Pato e que, em termos sintéticos, significa que as videiras e as uvas são tratadas sem produtos artificiais, como herbicidas ou outros químicos.

Roseira diz que esses vinhos são "naturais, pois, "no máximo, só lhes é acrescentado um pouquinho de sulfuroso", por ser antioxidante e conservante.

"Cada vez mais gente faz vinho quase só como sumo de uva", reforça, salientando que na edição deste ano do Simplesmente?Vinho, "mais do que nunca", haverá lugar especial para esses "vinhos menos manipulados" e alguns poderão até comprados.

João Roseira recusa estar a ser "extremista" com ideias como a sua, insistindo, porém, que "é possível fazer um bom vinho em que não se põe sequer sulfuroso e ele mesmo assim conserva-se, bastando para tal ter uvas fora de série, que não precisam de ajudas".

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