Quantas vezes já ficou a olhar para as garrafas de vinho no supermercado sem conseguir escolher uma opção que considerasse mais adequada ou que fosse de acordo com os seus gostos? Quantas vezes ficou a ler a descrição de um rótulo de vinho sem conseguir perceber certos termos?

Qualquer pessoa que gosta de beber vinho já deve ter passado por tais situações, afinal, estamos num país onde a oferta é muita e, para um leigo, a escolha nem sempre é fácil. Todos temos aquele amigo que parece perceber um pouco mais sobre o assunto, mas será que percebe mesmo?

Levávamos estas questões em mente quando nos sentamos nas espaçosas mesas da recém-inaugurada Escola de Vinho do World of Wine (WOW), em Vila Nova de Gaia, para participar no workshop Desmistificar o vinho. Da janela, vista para a Ponte D. Luís e para o Mosteiro da Serra do Pilar.

Da uva ao copo, neste workshop vai aprender a apreciar o vinho com os cinco sentidos
créditos: DR

À nossa frente, cinco copos; alguns frascos, cujo conteúdo ainda era desconhecido; duas uvas, uma branca e uma tinta; um pacote de açúcar; uma fatia de limão e uma cuspideira. “Não é o termo mais elegante, mas será útil durante a prova”, adianta-nos José Sá, o nosso guia nesta experiência.

O especialista em vinhos começa por fazer uma breve introdução a esta bebida inventada há nove mil anos. De facto, este “sumo de uva fermentado” acompanha a própria evolução da humanidade e só isso já é fantástico. Outro dado que nos deixa a pensar nos super poderes da uva: “é a única fruta com capacidade para fermentar sozinha”. O resto é história e… técnica que foi sendo desenvolvida ao longo de milénios. Mas, até hoje, não sabemos que vinho escolher para o jantar. Daí existir esta necessidade de desmistificar o vinho e fazer com que mais pessoas compreendam este universo.

Vamos por partes. O melhor será talvez deixar de lado as descrições dos vinhos, que “são subjetivas”, e concentrar no que realmente importa: o nosso paladar e aquilo que nos agrada. Cor, estrutura, acidez, doçura, aromas e sabores. Características essenciais que nos vão ajudar a saber provar um vinho.

É claro que um setor tão rico e complexo – só em Portugal existem 250 variedades de uvas – não pode ser resumido em duas horas de workshop, mas a ideia é conseguir ter “uma experiência mais divertida com o vinho”, adianta José Sá.

Assim, começamos por aprender mais sobre os tais poderes da uva. Estas pequenas bagas têm tudo que é preciso para fazer o vinho. Da sua película virá a cor ou a ausência dela, da sua polpa virá o paladar mais ou menos doce e das suas grainhas virão os taninos. Até aqui, quase sem dúvidas, tirando a palavra taninos. Afinal, o que são e para o que servem?

Os taninos são componentes químicos naturalmente presentes na uva (grainha, película e engaços) responsáveis em dar estrutura ao vinho e uma sensação de menor ou maior adstringência quando bebemos, “aquela sensação de secura de boca”. Assim, estão relacionados com o grau de acidez que um vinho pode ter. Estão presentes em outros alimentos e bebidas também, como o cacau e o chá preto.

Escola de Vinho
créditos: DR

Feita esta radiografia à uva, seguimos para os passos seguintes: vindima, seleção, desengace, esmagamento e fermentação. Assim se produz vinho. O equilíbrio entre a acidez, a doçura e a estrutura do vinho vai ditar a qualidade do mesmo.

A magia continua a acontecer com o tempo e local de estágio da bebida. O tempo mínimo é de três meses em barrica (madeira ou inox) ou em garrafa, antes de chegar ao mercado. O tempo de estágio vai ditar alterações na cor e no corpo do vinho. O vinho branco ganha mais cor com a idade e o vinho tinto perde. “E os rosés?”, alguém questiona. “São feitos com uva tinta, mas com menor contacto com a película”, explica o formador.

Antes de começarmos a prova, desafiamos os sentidos através de um teste ao olfato. Lembram-se dos tais frascos com conteúdo desconhecido? Somos desafiados a cheirar cada um deles e descobrir o que cada um esconde. Chá, alperce seco, baunilha ou pimenta. Através deste exercício, vamos aprendendo que também numa prova de vinhos o olfato conta muito. Aliás, o nariz é o primeiro a ir ao copo, antes da boca.

Da uva ao copo, neste workshop vai aprender a apreciar o vinho com os cinco sentidos
créditos: DR

E, assim, começamos a provar cada um dos cinco vinhos propostos no workshop. O copo segura-se pela haste ou pelo pé para conservar a temperatura da bebida e para conseguirmos observar a sua cor e corpo. Primeiro, cheiramos, depois, movimentamos o copo com movimentos circulares para libertar aromas, voltamos a cheirar e, finalmente, sorvemos um pequeno gole de vinho.

Afinal, já aprendemos alguma coisa. Conseguimos sentir a acidez e a frescura do primeiro, um Alvarinho de 2019, bem como o aroma frutado, somos surpreendidos com a complexidade dos aromas presentes no tinto Luís Pato Vinha Barrosa de 2015 e sentimos a doçura acentuada do último escolhido da prova: um Taylor’s 10 anos. O inconfundível sabor do vinho do Porto. E é com este final de boca elegante que concluímos o workshop. Fica a vontade de aprender mais sobre este mundo dos vinhos.

Se também ficou interessado, saiba que a Escola de Vinho do WOW organiza workshops e degustações para curiosos, apreciadores e profissionais do setor. Além do workshop Desmitificar o vinho (30 euros por pessoa), estão previstas para breve novas formações sobre desmistificar o vinho do Porto, sobre os vinhos portugueses e sobre a harmonização entre vinho e chocolate.

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