"Nós defendemos uma discussão que seja o mais informada possível entre todas as partes envolvidas, de forma a conciliarmos aqui a preservação deste território, isto é algo que nenhum de nós poderá abdicar, mas procurando uma solução que não condicione a sustentabilidade do investimento e que não prejudique a sustentabilidade do recurso [Douro Vinhateiro", salientou em declarações à Lusa.

Em causa está a construção de um hotel de cinco estrelas no lugar da Rede, concelho de Mesão Frio, distrito de Vila Real, que a Comissão Nacional da Unesco (CNU) considera que vai colocar em risco a paisagem do Douro vinhateiro na lista dos bens classificados em perigo, "abrindo caminho para uma futura exclusão da lista de património mundial", avançou o jornal Público no domingo.

Em discussão pública até 29 de janeiro, o projeto do empresário Mário Ferreira, já foi recusado por duas vezes, em 22 anos.

"Eu não comungo da critica que este projeto vai contribuir para a massificação do território. Não concordo, porque ter um hotel com cento e tal quartos não é massificar um destino", disse, admitindo, contudo, a discussão em torno da estética ou a volumetria do projeto que já vai na sua terceira versão.

Salientando que o bem maior é "indiscutivelmente" o Douro enquanto património, Luís Pedro Martins considera que a questão do turismo não é indissociável da preocupação com a preservação do património que deve ser permanente.

"Este setor [o turismo] é o principal interessado em manter o valor deste recurso que é o Douro Vinhateiro. É também com este valor que nós temos conseguido gerar atratividade turística, captar mercados de alto rendimento para o território e é também desta forma que nós temos contribuído para a economia local quer através da criação de postos de trabalho, da retenção de talento da fixação da população", observou.

Segundo o presidente da associação, dos cerca de 6 milhões de turistas que chegaram ao Porto e norte em 2019, apenas 4% dormiram no Douro, o que mostra que o Douro "tem ainda muito por onde crescer".

"O número de camas no Douro (…) representa 6,5% das camas da região. Andamos há décadas a dizer que o melhor do Douro ainda está para vir, só não percebo para quando é que virá", disse.

Para Luís Pedro Martins, a construção deste hotel permitiria colmatar uma lacuna ainda existente de atração do segmento de turismo de negócios, captando eventos ligados, por exemplo, à indústria dos vinhos e clientes com gastos médios muitos elevados.

"Eu acredito, neste projeto em particular, que um promotor que tanto tem dedicado ao Douro, que é aliás um dos principais operadores turísticos no Douro, acredito que tem todo o interesse em manter esta distinção da Unesco. Julgo que a atratividade do seu próprio investimento resulta muito do facto de ele estar inserido neste território, com esta distinção", rematou.

A Douro Marina Hotel, sociedade do empresário Mário Ferreira, apresentou o terceiro Estudo de Impacte Ambiental (EIA) para a construção, na margem do Douro, em Mesão Frio, de uma unidade hoteleira em Mesão Frio, com a classificação proposta de 5 estrelas, cujo projeto está na fase de estudo prévio.

O empreendimento turístico irá possuir uma área total de cerca de 23.100 metros quadrados, dos quais 8.497 metros quadrados serão destinados à área de implantação do hotel, que terá 180 unidades de alojamento, das quais 12 correspondem a suites e três serão adaptadas para pessoas com mobilidade condicionada, sendo que a estes acrescem mais 13 quartos para alojamento do pessoal.

A restante área, com 14.603 metros quadrados, corresponde aos espaços exteriores, que se desenvolvem em torno do edifício, e será reservada à implementação de espaços verdes, áreas de lazer, acessos e parqueamento automóvel.

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