A aldeia é um anfiteatro de casas que sobe uma encosta íngreme até ao miradouro. Daqui podemos contemplar as ruelas, a eira e as casas alinhadas em socalcos. A maioria são casas de dois pisos.

 A cor escura e agreste das construções ganha conforto no verde dos castanheiros e dos abrunheiros.

A ribeira de Candal acentua a harmonia. Desce por um dos lados da aldeia e forma uma piscina muito bonita que surpreende quem passa porque está no meio das casas.

A ribeira passa depois por um túnel debaixo da estrada nacional que liga Lousã a Castanheira de Pêra. Despedimo-nos dela pelo barulho das cascatas porque a vegetação densa encobre o seu percurso. É aqui, junto à estrada, que está o chafariz.

Candal
Chafariz do Candal onde está a quadra créditos: Who Trips

É pequeno e com um poema que sintetiza o ambiente:

O Chafariz do Candal
Tem duas pedras de assento
Uma é para namorar
Outra para passar o tempo.

Candal
A aldeia é atravessada por três linhas de água créditos: Who Trips

Candal foi das aldeias de xisto desta região que teve sempre mais desenvolvimento devido à passagem da estrada. No entanto, de forma permanente, residem menos de uma dezena de pessoas e o único estabelecimento comercial é o restaurante Sabores da Aldeia que fica à beira da estrada.

Candal
Restaurante e Loja do Xisto no Candal créditos: Who Trips

É muito afamado e há razões para isso tendo em conta a qualidade dos pratos servidos por Ana Pinto que reside no Candal há oito anos. Ela diz que há muita gente com casas que ainda são pertença das famílias originais e passam aqui um fim de semana ou parte das férias.

Candal
Todo o ambiente é muito calmo e a neblina acentua o romantismo créditos: Who Trips

Mesmo com mais habitantes a aldeia mantém um ambiente distendido. É um lugar muito calmo onde é ainda possível descansar. Ouve-se o “barulhinho” da água porque a aldeia é atravessada por três linhas de água. É um sítio ideal para repousar.

Candal
A aldeia está muito bem cuidada e a maior parte das casas foram reabilitadas créditos: Who Trips

No entanto, quem reside em permanência tem muito trabalho para cuidar da aldeia.

Há pouca gente para o trabalho que se tem de fazer. "Para manter este lugar é preciso que haja muita gente. No dia em que não houver pessoas a trabalhar este lugar passa a ser mato e ruínas. Por exemplo, as pessoas que nos preparam a lenha ou os que restauram as casas têm sempre muito trabalho", afirma Ana Pinto.

Candal
créditos: Who Trips

A desertificação não é um problema só de agora. Há três décadas o Candal só tinha 15 habitantes. O êxodo começou há um século. A economia pastoril foi afectada com a plantação massiva de pinheiros por ordem do Estado Novo. O ponto final foi na década de 70 quando fecharam a escola que tinha sido construída com dinheiro enviado pelos emigrantes.

A primeira vaga de emigração, nos anos 20 do século passado, foi para os EUA. As próprias casas expressam o novo estatuto económico. Algumas das habitações próximas da estrada foram construídas com o dinheiro de emigrantes dos EUA.

Candal
A estrada e as casas rebocadas construidas pelos emigrantes créditos: Who Trips

São casas maiores, têm pedra de cantaria à volta das janelas e, como era tradicional na época, o sinal de riqueza era rebocar. As casas são de xisto e em algumas zonas do interior das habitações são facilmente perceptíveis os materiais utilizados. É o caso da casa onde funciona o restaurante e a Loja de Xisto.

A fase seguinte da emigração foi para o Brasil e depois para a região de Lisboa, onde faziam trabalhos que exigiam grande esforço físico.

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Ana Pinto créditos: Who Trips

Candal para namorar ou passar o tempo faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho e pode ouvir aqui.

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