Dentro das áreas protegidas do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas existem 13 Parques Naturais de âmbito nacional.

São áreas que contam com paisagens e biodiversidade únicas e o melhor é que pode descobri-las através de uma rede de vários percursos pedestres.

Mesmo que não tenha muito tempo ou dinheiro para viajar, pode ver a seguir se algum destes lugares fica próximo da sua zona de residência e, quem sabe, organizar uma escapadinha de um dia para desfrutar da natureza - é grátis e só traz benefícios.

Parque Natural de Montesinho

Serra de Montesinho
Serra de Montesinho No distrito de Bragança, a Serra de Montesinho ergue-se a 1486 metros de altitude. É o oitavo ponto mais alto de Portugal créditos: WikiCommons

Está situado na Região de Trás-os-Montes (Nordeste Transmontano), abarcando a parte norte dos concelhos de Bragança e Vinhais, que fazem parte da chamada Terra Fria Transmontana.

Os cenários denotam as variações do solo e do clima: verdejantes na parte ocidental, ainda influenciada pelas brisas marítimas, tornam-se mais agrestes e abertos às influências continentais na parte oriental. As serras da Coroa (1273 m) e de Montesinho (1486 m) constituem os pontos mais altos do Parque, onde a aragem sobretudo no verão é leve e tonificante.

Dominância de xistos e manchas de calcário nos planaltos e de granito no alto da serra de Montesinho constituem a diversidade geológica deste espaço que, conjuntamente com as variantes climáticas, originam uma flora muito variada, habitat ideal para animais como o lobo, o javali, o corço, o veado e cerca de 240 outras espécies de fauna se sentirem seguros.

Aqui encontra dois percursos sinalizados que pode percorrer no parque.

Parque Natural do Douro Internacional

Parque Natural do Douro Internacional
Parque Natural do Douro Internacional As arribas do Parque Natural do Douro Internacional créditos: ICNF

O Parque Natural do Douro Internacional abrange parte dos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo, no troço fronteiriço do Rio Douro (numa extensão de cerca de 122 km).

As margens escarpadas do vale profundo do rio formam desfiladeiros monumentais de grande espetacularidade, que várias espécies de aves, ameaçadas de extinção a nível nacional e internacional, escolheram para nidificar, atraídas certamente também, pela proximidade das explorações agrícolas e pecuárias onde podem facilmente localizar e obter alimentos. De entre elas destaca-se o Abutre do Egito ou Britango, que foi escolhido como símbolo deste Parque.

O clima da região regista acentuadas amplitudes térmicas, com invernos frios e verões muito quentes e secos, estando a área sul do Parque integrada na denominada "Terra Quente".

Veja aqui dois percursos pedestres que pode fazer no Douro Intencional.

Parque Natural do Alvão

Parque Natural do Alvão
Parque Natural do Alvão No Parque Natural do Alvão pode encontrar piscinas naturais que são chamadas de piocas créditos: LUSA

O Parque Natural do Alvão situa-se na zona de transição entre o Minho e Trás-os-Montes, em territórios pertencentes aos concelhos de Mondim de Basto e Vila Real.

É uma zona essencialmente granítica com algumas manchas de xisto, possuindo ainda inúmeros afloramentos rochosos. Das linhas de água, destaca-se o rio Olo associado à famosa queda de água das Fisgas do Ermelo. São uma das maiores quedas de água da Europa, com um desnível de cerca de 400 metros, assentes em rochas quartzíticas com aproximadamente 480 milhões de anos.

O xisto, o granito e o colmo são os materiais usados na construção das casas das aldeias típicas de Lamas de Olo, Anta ou Ermelo, em que o tempo corre tão devagar que parece estarmos muito longe de qualquer cidade, mas afinal o Porto fica apenas a uma hora de viagem.

Siga este link para ver um trilho a percorrer no Alvão.

Parque Natural do Litoral Norte

Parque Natural do Litoral Norte
Parque Natural do Litoral Norte Os fotogénicos moinhos da Praia da Apúlia créditos: Alice Barcellos

O Parque Natural do Litoral Norte estende-se ao longo de 16 km de costa, desde o estuário do rio Neiva até à zona da Apúlia, conhecida pelos seus moinhos de vento. Este parque possui o cordão de dunas atlânticas mais extenso e melhor conservado do norte de Portugal.

Para conhecer a totalidade da área protegida, afaste-se um pouco da beira-mar. Encha os seus pulmões de ar puro nos Pinhais de Ofir, e siga o percurso pedestre proposto pelo Parque Natural junto às margens do rio Cávado, onde poderá identificar aves migradoras como a garça-real, a andorinha-do-mar, o pato-real, ou a gaivota-argêntea.

Os terrenos agrícolas que avista, têm a particularidade de serem fertilizados com o “sargaço” – as algas marítimas que o mar traz para as praias. Com efeito, a apanha do sargaço foi ao longo dos tempos, a atividade tradicional que ocupava os homens desta zona, sendo o “Sargaceiro da Apúlia” uma das figuras mais peculiares do folclore regional.

Aqui encontra dois trilhos assinalados para conhecer este parque.

Parque Natural da Serra da Estrela

Manteigas, a magia outonal na Serra da Estrela
Manteigas, a magia outonal na Serra da Estrela Uma visão de Manteigas durante o outono. O parque surpreende em todas as estações do ano créditos: Miguel Serra

O Parque Natural da Serra da Estrela é a maior área protegida portuguesa e situa-se no maciço montanhoso central, num alto planalto inclinado para Nordeste profundamente recortado pelos vales dos rios e ribeiros que aqui nascem, como o Mondego e o Zêzere.

A paisagem é marcada pelas fragas, rochedos e penhascos, alguns dos quais assumem formas que deram origem a denominações populares como a "Cabeça da Velha" e os "Cântaros" (gordo, magro e raso), que poderá admirar seguindo os diversos trilhos pedestres existentes.

Encontram-se aqui grandes rebanhos de ovelhas que se alimentam nas vastas áreas de pastagem, guardados pelos cães Serra da Estrela, uma raça de cães possantes e resistentes às baixas temperaturas. O leite de ovelha, dá origem ao produto mais característico da região, o afamado Queijo da Serra.

Encontre aqui duas rotas para conhecer o parque.

Parque Natural do Tejo Internacional

Parque Natural do Tejo Internacional
Parque Natural do Tejo Internacional Uma paisagem selvagem no Parque Natural do Tejo Internacional créditos: ICNF

O Parque Natural do Tejo Internacional abrange parte dos concelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova, numa zona de transição gradual entre as montanhas do Centro de Portugal e as planícies do Alentejo.

Aqui encontram-se vales profundos, com encostas abruptas de grande efeito cénico junto ao Rio Tejo e seus afluentes (Pônsul, Erges e Aravil), onde nidificam algumas das 154 espécies de aves inventariadas neste Parque. Esta zona é excelente para a observação de aves podendo-se avistar colónias de cegonhas-pretas (símbolo do Parque), águias e bufos reais.

A diversidade deste património natural de excecional valor deve-se à coexistência harmoniosa com as atividades humanas, como a agricultura e a pastorícia. Os produtos regionais são de excelente qualidade, destacando-se o mel puro, o azeite, o pão caseiro ou os queijos, fabricados segundo técnicas tradicionais, que poderá adquirir diretamente ao produtor.

Há uma grande rota que corta o parque. Veja aqui.

Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros

Grutas de Mira de Aire
Grutas de Mira de Aire Grutas de Mira de Aire, as maiores grutas de Portugal créditos: Andarilho

A maior riqueza do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros está escondida no seu interior. O parque abarca os concelhos de Alcobaça, Porto de Mós, Alcanena, Santarém, Torres Novas e Ourém.

Este maciço calcário é um paraíso para os amantes da espeleologia que nas suas profundezas poderão descobrir grutas e algares, com formações surpreendentes esculpidas pela água e pelo tempo. Algumas estão orientadas para receber visitantes como as Grutas de Santo António, Moeda, Mira d’Aire e Alvados, que dispõem de diversas infraestruturas de apoio.

À superfície, não se avistam rios nem ribeiras e a paisagem é agreste, marcada aqui e ali por rochas, falhas e escarpas. Apesar disso, a fauna é muito rica e variada, destacando-se as 18 espécies de morcegos (símbolo do parque) que encontram o abrigo ideal nas diversas grutas.

Perto de Rio Maior, encontram-se as Marinhas de sal-gema, onde poderá observar toda a labuta da extração do sal, segundo regras de gestão e utilização com mais de oito séculos.

A partir daqui, pode explorar dois trilhos no parque.

Parque Natural da Serra de São Mamede

Serra de São Mamede, o Alentejo para além da planície
Serra de São Mamede, o Alentejo para além da planície Cascata Pego do Inferno na Serra de São Mamede créditos: Ponto de Partida

Pelos concelhos de Arronches, Castelo de Vide, Marvão e Portalegre, encontramos um Alentejo inesperado, alto em vez de plano, verdejante em vez de seco, onde poderá descobrir vestígios da presença humana em diversas épocas históricas.

Para descobrir esta área protegida, o parque propõe cinco percursos pedestres, através dos quais poderá apreciar a vegetação variada e observar aves de rapina raras como o grifo, o milhafre ou a águia-de-bonelli, símbolo do parque. Se tiver sorte, talvez consiga avistar os javalis e os veados, que estão de regresso à Serra de São Mamede, na sequência do esforço que tem sido feito para repor os seus habitats.

Se se interessa mais pelo património arquitetónico, não deixe de visitar as vilas medievais como Castelo de Vide, Alegrete e Marvão ou a cidade de Portalegre, a mais importante da região, que além dos muitos solares e conventos que lhe dão um ar aristocrático, é sede da Manufatura das Tapeçarias, onde se produzem verdadeiras obras de arte.

Conheça aqui dois percursos sinalizados no parque.

Parque Natural de Sintra-Cascais

Parque Natural de Sintra-Cascais
Parque Natural de Sintra-Cascais Praia da Ursa no Parque Natural de Sintra-Cascais créditos: Unsplash

No ponto mais ocidental do continente europeu, que os antigos acreditavam ser o local “onde a terra acaba e o mar começa”, o Cabo da Roca é um dos locais mais espetaculares do Parque Natural de Sintra-Cascais. As suas arribas verticais elevam-se a cerca de cem metros acima do oceano, proporcionando paisagens grandiosas.

Se se interessa por geologia, não deixe de visitar outras formações notáveis como as dunas fósseis consolidadas no Magoito e em Oitavos, os campos de lapiás junto ao Cabo Raso (Cascais) e a arriba “viva” das Azenhas do Mar, sobre a qual o engenho humano construiu uma aldeia pitoresca. A Praia Grande é uma das muitas que se sucedem na orla marítima do parque como a Adraga, a Samarra, a Praia das Maçãs ou o Guincho, integrado num característico sistema de dunas. Aqui encontra boas condições para a prática de windsurf, surf e bodyboard ou simplesmente para uns momentos de lazer à beira-mar.

A Serra de Sintra coberta de vegetação luxuriante que domina a paisagem e dá origem ao microclima que torna este parque um lugar tão especial. Os aromas frescos e variados que aqui se respiram fazem de um passeio a pé pela Serra uma experiência inesquecível. Aventure-se por sua conta mas com pouco risco, ou siga os percursos propostos pelo parque visitando locais como o Convento dos Capuchos, um modesto abrigo de frades do séc. XVI, ou a Ermida da Peninha, erigida num ponto alto perto da costa de onde se avista um panorama vastíssimo.

À beira-mar ou pela serra, pode explorar o parque através destes trilhos.

Parque Natural da Arrábida

Parque Natural da Arrábida
Parque Natural da Arrábida Uma das vistas magníficas do Parque Natural da Arrábida créditos: LUSA

Situado junto ao mar, entre Setúbal e a vila piscatória de Sesimbra, o Parque Natural da Arrábida tem uma beleza incomparável, em que o azul do mar alterna com os tons esbranquiçados das falésias de calcário e com o verde do denso manto vegetal que cobre a serra.

Aqui encontra-se um dos raros exemplos de maquis mediterrânico em Portugal e a sua preservação foi um dos motivos que levou a que a Arrábida fosse considerada uma verdadeira relíquia científica internacional. Para que ela se mantenha intacta, o acesso a algumas áreas só é possível acompanhado de um guia indicado pela Sede do Parque. Existem também diversas empresas credenciadas que organizam atividades radicais, como a espeleologia, o mergulho e a escalada.

O encontro da serra com o mar originou um cordão de praias de areias finas e águas transparentes que julgaríamos só encontrar no Mediterrâneo como a Figueirinha, Galapos e o Portinho da Arrábida.

Aventure-se na Arrábida por estes percursos.

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

10 fotografias que o vão convencer a fazer a Rota Vicentina a pé
10 fotografias que o vão convencer a fazer a Rota Vicentina a pé A Rota Vicentina percorre todo o parque créditos: Marta Durán

Estendendo-se ao longo de mais de 100kms de costa, desde Porto Covo no Alentejo, até ao Burgau no Algarve, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é o troço de litoral europeu melhor conservado, com várias espécies de fauna e flora únicas, sendo por isso visitado por muitos zoólogos e botânicos, oriundos de todas as partes do mundo.

A paisagem é marcada pelas falésias escarpadas, representadas no símbolo do parque, a que a erosão ao longo dos tempos deu várias formas e colorações. Aqui, avistam-se muitas espécies de aves, como as raras águias pesqueiras, mas o destaque maior vai para as cegonhas-brancas, por ser este o único local do mundo em que elas nidificam nos rochedos marítimos.

As praias, muito procuradas pelos surfistas, são das melhores do país. A variedade é enorme, encontrando-se extensos areais ou pequenas praias aninhadas entre arribas e rochas. De entre tantas, podemos referir Porto Covo, Malhão, Vila Nova de Milfontes, Almograve, Monte Clérigo, Arrifana e a Praia do Amado.

Veja aqui dois percursos para conhecer este parque.

Parque Natural do Vale do Guadiana

Pulo do Lobo
Pulo do Lobo A cascata do Pulo do Lobo créditos: Andarilho

Situado no vale do Rio Guadiana, que ora corre entre margens apertadas onde permanecem seculares moinhos de maré, ora encaixado entre escarpas íngremes cobertas por matagais mediterrânicos, proporcionando magníficas paisagens naturais, a área do Parque Natural do Vale do Guadiana inclui vilas que albergam um património antigo e bem preservado.

No limite norte do parque, num local em que a beleza da paisagem é inexcedível, situa-se o principal acidente do curso do Guadiana, a queda de água do Pulo do Lobo, assim designado porque os rochedos das duas margens estão tão próximos, que dá a ideia de que o rio pode ser atravessado de um salto. Mas não tente, pois não é tão fácil como à primeira vista pode parecer.

Marcada pelas planícies imensas que se estendem desde Corte Gafo à Serra de Serpa, onde se cultivam cereais e pastagens, esta área conserva espécies de vegetação únicas. Uma das mais raras, é o trevo de quatro-folhas-peludo, que segundo a tradição traz sorte a quem o encontrar.

Neste link, estão dois percursos oficiais do parque.

Parque Natural da Ria Formosa

Ria Formosa
Ria Formosa Ria Formosa em Faro créditos: LUSA

Fazendo a transição entre o mar e a terra, a Ria Formosa é um sistema lagunar de grandes dimensões, que se estende ao longo de 60 km da costa sotavento do Algarve e ocupa cerca de 18 mil ha, entre a península do Ancão no concelho de Loulé e a Manta Rota, no concelho de Vila Real de Santo António.

É a mais importante zona húmida do sul de Portugal e inclui uma grande variedade de habitats: ilhas-barreira, sapais, bancos de areia, dunas, salinas, lagoas de água doce e salobra, cursos de água, matas, áreas agrícolas, o que propicia também uma enorme diversidade de fauna e de flora.

Classificada como zona húmida de interesse internacional, a Ria Formosa é referência pela sua avifauna. Constitui local de invernada de aves provenientes do norte e centro da Europa, é zona de passagem de rotas migratórias e abriga espécies raras como é o caso da galinha-sultana (Porphyrio porphyrio), símbolo do parque.

A partir daqui, pode explorar os trilhos da Ria Formosa.

Fontes: Visit Portugal, Natural.pt e ICNF