Numa das vezes que aportei em Marrocos, sendo que fui primeiramente via cruzeiro (saindo de Lisboa), deparei-me com os cenários pitorescos óbvios da cultura marroquina. Aconselho tanto a viagem via marítima, como via aérea. Vá, confesso que não sou amante de barcos. Sinto que demora a ver-se terra. O ritmo é, claramente, mais lento. Quando terra amarelecida avistada, só queria saltar do grande navio. As cores das coisas chamam-no. Só de pensar na quantidade de objetos que comprei e que me enchem, literalmente, uma estante de três prateleiras e a alma. Além de exímios vendedores, Marrocos tem um toque muito próprio. O que de facto vão encontrar é exotismo em qualquer mercado, em cada esquina, em cada rosto, em cada indumentária, em cada prato. Foi uma das minhas primeiras viagens em que eu, ainda, não compreendia a divisão cultural de forma plena. Portanto quem ainda não foi a Marrocos, sobretudo áreas como Casablanca e Tânger, saibam as turistas que não podem entrar e conviver nos cafés. Só os homens. Ou seja, se forem acompanhadas, ficarão sozinhas e aconselho segurança. Efetivamente.

A vigilância é sempre pouca em Marrocos apesar de ser um país enorme e de diferentes níveis de segurança. Mas, e como já se ouviram histórias como esta, eu vivenciei uma de facto: enquanto o meu grupo alegre cruzava ruas e mercados (na verdade, as ruas são mercados e vice-versa), eu fui puxada de forma quase agreste por um braço masculino, era um senhor idoso com uma espécie de ‘capuz’. Vi-me num beco, sozinha. Depois percebi que havia mais tendas de roupas e marroquinaria. Mas assustei-me, porque percebi que o grupo avançou sem ter percebido que eu tinha sido ‘absorvida’ por uma das ruas laterais. Entre gritos e um susto lá fui ‘libertada’ e não se falou mais nisso. Aliás, ainda se brincou com aquela situação do número de camelos (camelos em troca de uma mulher ou mais mulheres). Se é loura, aconselho a levar um lenço e a não deixar em evidência nem essa cor de cabelo, nem o corpo.

Andem sempre em grupo e deixo uma dica para levarem na bagagem: levem convosco lápis e bonés pois os pais e as crianças de Marrocos adoram e vão agradecer-vos com um sorriso que vale toda a viagem. Ah, e regateiem tudo o que desejarem comprar, não deixem que as cores vos iludam. Eles são difíceis de ‘nos abandonar’, mas são hospitaleiros. Preparem-se que, mal colocam o pé no porto, estarão os motoristas de carros decrépitos a aguardar. E a chamar a alta voz, pronunciando palavras misturadas de línguas como o Português, o Espanhol e o Italiano. Lembro-me que paguei cinquenta cêntimos, mas éramos um grupo de quase vinte pessoas numa carrinha de nove lugares. Até hoje nem percebi como ali nos ajeitámos e chegámos ao centro. Os tapetes, se puderem tragam. As pessoas, se puderem, abracem-nas. Quando voltar a ser seguro abraçar, amar nesta época COVID-19.

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