Na quarta edição da nossa rubrica Como fiz esta fotografia, viajamos até ao Centro del Lobo Ibérico, uma reserva natural espanhola a poucos quilómetros de Bragança. Foi lá que a Susana Azevedo fotografou, no final de 2022, uma proeza aérea digna de história.

Texto e fotografia por Susana Azevedo

Normalmente, não vou a reservas deste tipo. Como fui de viagem com os meus filhos, pensei que podia ser um sítio que eles iriam gostar de conhecer, uma vez que não gostam de me acompanhar nos meus passeios para fotografar. E também nunca tinha visto lobos ao vivo, o que é um grande entusiasmo!

Quando chegámos, percebemos que teríamos de integrar um grupo e seguir muito de perto um guia. Não achei muita graça a ter que estar amontoada numa parte minúscula de um passadiço a ouvir o que um senhor explicava enquanto dava de comer aos lobos. Tirei algumas fotografias mas um bocado “irritada" com a situação. Não era assim que queria ver lobos.

No meio desta desilusão, comecei a ouvir aquele cantar fabuloso dos milhafres a guinchar e passou a ser esse o meu foco de atenção, apesar de não os ver. Sou uma leiga completamente fascinada por aves de rapina!

Entretanto, o guia conduz-nos a outro local no cimo do monte. Depois da grande subida, pedem-nos para entrar num abrigo em que dificilmente cabem todas as pessoas. Só eu e mais duas pessoas tínhamos equipamento fotográfico com objetivas de algum respeito e conseguimos ficar posicionados à frente do grupo, graças à simpatia de todos.

Mais uma vez, o guia começa a dar comida aos lobos e a falar. Já não estava interessada nos lobos, apesar de serem uns bichos maravilhosos, que fascinam qualquer um. Simplesmente, não gosto de tirar fotografias nesse contexto. Continuava era a ouvir, bem forte, um grande chinfrim de milhafres e já se percebia que andavam por ali perto entre as árvores. Até que, finalmente, eles apareceram, quando o guia deixou de dar comida e se afastou.

O meu coração já batia bem rápido de tão entusiasmada que estava. O meu foco eram os meus milhafres em grandes proezas, a tirar a carne que tinha sido dada aos lobos. A beleza, a agilidade e inteligência deles, é fascinante.

Mais tarde, pude falar com a guia acerca disto. Explicou-me que há uns anos não havia milhafres por ali. Foram aparecendo aos poucos, até formarem o grande grupo atual. Comida de graça, fresca, e sem grande esforço, quem não quer?

Se for explorar aquela zona outra vez, volto lá pelos lobos? Não. Pelos milhafres, talvez.

Faço fotografia há uns 30 anos, sempre mais de natureza, mas foi sempre de forma descontraída e com grande foco em fotografia macro. Há sensivelmente 3 anos começou um fascínio por aves mais explícito e decidi que estava na altura de comprar uma boa máquina e uma objetiva que me deixasse chegar mais perto. Desde então, é uma “perdição", das melhores que há, pelo tempo que passo na natureza e constante aprendizagem. É uma das formas de estarmos no melhor silêncio que existe.

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