Ao passear pelas suas ruas depressa nos sentimos em Espanha, com um toureiro a olhar para nós, mas se continuarmos a andar já estamos em Itália e na nossa frente surge uma arena romana tão grande e antiga quanto o Coliseu de Roma, viramos a esquina e eis que estamos de volta à França com as suas belas catedrais e esplanadas de rua.

Nîmes é uma das cidades historicamente mais ricas da Europa e tem um passado glorioso que remonta aos primórdios do Império Romano. 

Data de 4.000 a.C, mas só ganhou verdadeiro destaque quando os romanos construíram a Via Domitia — uma enorme estrada que ligava a Itália à Espanha através do que é hoje o sul da França.  

Com a construção deste caminho os romanos criaram uma trilha histórica e cultural, que agora encontramos aqui, unificada, bem no meio de Nîmes, a antiga Nemausus romana.

Naquela época, a cidade era a quinta mais importante do Império Romano e os monumentos que hoje sobrevivem no centro de Nîmes, atestam a sua grandeza e demonstram como no passado as três culturas mediterrâneas se entrelaçaram.

A herança Romana

Ainda podemos percorrer partes da Via Domitia e encontrar a antiga Nîmes espelhada em templos, estátuas, aquedutos e num enorme anfiteatro que hoje é o cartão postal da cidade e talvez a principal razão pela qual Nîmes é tantas vezes referida como a “Roma Francesa”.

Os dois níveis de 60 arcadas da Arena de Nîmes podem parecer pequenos em comparação com os quatro do famoso Coliseu de Roma, mas pergunte a qualquer pessoa da cidade e ela lhe dirá com orgulho que o deles é o mais bem preservado anfiteatro do mundo romano… E, de facto, assim é.

A Arena de Nîmes tem uma história longa e complexa. Foi construída no tempo do imperador Augusto, e mais tarde fortificada pelos Visigodos que a rodearam com uma muralha. Durante os turbulentos anos que se seguiram à queda do poder visigodo, deu-se a invasão muçulmana e a posterior conquista pelos reis francos (princípios do século VIII), altura em que os viscondes de Nîmes construíram o seu palácio-fortaleza dentro do anfiteatro. 

Mais tarde um pequeno bairro desenvolveu-se também no seu interior, o qual contava com umas cem casas e duas capelas. Setecentas pessoas chegaram a viver aqui e as construções permaneceram de pé até ao século XVIII, quando foi decidida a sua demolição de modo a devolver ao anfiteatro o seu aspeto original.

Atualmente, o edifício encontra-se remodelado e é usado como Praça de Touros e palco de outros espetáculos. 

A Maison Carrée, um  templo galo-romano é outro destaque da cidade — é o único templo totalmente preservado do mundo antigo. Representa um testemunho quase único deste período da antiguidade, pois chegou até nós, intacto, 2.000 anos depois. 

Construído no extremo sul do antigo fórum da cidade romana, a Maison Carrée  seduz o visitante com o seu aspeto majestoso e a harmonia das suas proporções. 

Como todos os templos romanos, o edifício fica num pódio, elevando-se a uma altura de 2,65 metros acima da movimentada praça pública. 

Não muito longe, nos Jardins de La Fontaine, encontram-se mais dois monumentos incríveis que datam do tempo romano  — o Templo de Diana e a Torre Magna.

A função do romântico e abobadado edifício, hoje designado por Templo de Diana, permanece um mistério. Uns dizem que pode ter abrigado uma biblioteca, outros que serviu para banhos públicos. Já a Torre Magna que fica no Monte Cavalier, o ponto mais alto da cidade, é o único vestígio das antigas muralhas augustanas de Nîmes. Originalmente, esteve integrada num baluarte com valor estratégico. Marcava a presença do santuário e protegia a cidade. 

A Porta de Augusto e o Aqueduto da Pont du Gard completam a lista dos monumentos romanos mais bem preservados da cidade.

Construída pelos Romanos no Séc. I da nossa era, a Pont du Gard é uma ponte-aqueduto, obra-prima da arquitetura antiga. É excecional pelas suas dimensões, pois com os seus 49 metros de altura é a ponte antiga mais alta do mundo. O aqueduto ao qual pertence a Pont du Gard forneceu água durante cinco séculos à cidade de Nîmes. 

É constituída por três filas de arcos sobrepostos o que constitui igualmente um feito raríssimo para a época. Dizem que cerca de um milhão de homens trabalhou nesta obra colossal concluído-a em apenas cinco anos! 

Até hoje é uma construção que não passa despercebida. A Porta de Augusto, pelo contrário, localizada na esquina do Boulevard Amiral Courbet com a Rue Nationale, pode perfeitamente passar ao lado do visitante menos atento.

Dedicada ao primeiro imperador romano Augustus, esta porta era uma das que dava passagem para Nemausus, a antiga Nîmes. Foi construída no ano 16 d.C. e ficava na Via Domitia, a estrada que atravessava a cidade e seguia para a Espanha. 

Nîmes
créditos: The Travellight World

A cultura Espanhola

Nîmes é uma cidade com laços extremamente fortes com a Espanha. Laços históricos, económicos e culturais.

Recordada até hoje, por exemplo, é a presença do pintor Picasso nas touradas dos anos 50 do século passado. A alegria das feiras e o fervor popular em torno dos toureiros como Nimeño II que agora tem uma estátua em sua homenagem em frente ao anfiteatro da cidade, recorda mais as tradições espanholas do que as francesas. E todos os anos, acontece  em janeiro, o Festival Internacional de Flamenco que reforça ainda mais a semelhança de Nîmes com as cidades andaluzas.

Nas ruas também não é difícil encontrar um restaurante ou bar que venda tapas e um copo de vinho.

Nîmes
créditos: The Travellight World

As igrejas e as praças Francesas

Como todas as cidade francesas, também Nîmes oferece ao visitante belas praças e magnificas igrejas.

Das igrejas destacam-se a grande Catedral de Notre Dame e St. Castor, a Igreja de São Paulo e a Igreja Saint Baudile.

A Catedral de Notre Dame e St. Castor  foi originalmente construída em 1096 e sofreu muitos acréscimos e modificações ao longo dos séculos. É muito imponente do lado de fora com um friso de estilo românico nos andares superiores, que é considerado um dos melhores exemplos deste estilo no sul da França.

Muitas vezes confundida com a Catedral de Nîmes, a deslumbrante Igreja neogótica Saint- Baudile com capacidade para 3.000 pessoas, é a maior igreja de Nîmes, Possui duas torres sineiras na fachada e no topo tem uma estátua de São Baudile, obra de Auguste Bosc.

A Igreja de São Paulo também merece ser admirada. É um edifício neo-românico construído entre 1835 e 1849 segundo os planos do arquitecto Charles-Auguste Questel. Artistas renomados participaram da decoração da igreja e todas as dobradiças e fechaduras das portas externas e internas foram feitas em 1845 pelo ferreiro Pierre Boulanger, que projetou as notáveis dobradiças do portão central da Catedral de Notre-Dame de Paris. 

Dá gosto caminhar ao longo da agradável e arborizada Avenue Feuchères que liga a estação ferroviária de Nîmes, à  adorável Esplanade Charles-de-Gaulle. Datada do século XVI (quando originalmente era um espaço para a prática de artilharia) só no século XVIII esta praça se tornou um ponto central da vida social da cidade. 

No centro está a impressionante Fontaine Pradier. Uma fonte construída em 1851, cuja figura central é considerada um símbolo da cidade de Nîmes, enquanto as quatro estátuas que a rodeiam representam os quatro principais rios da região.

Num estilo completamente diferente, a Place d'Assas, criada em 1989 pelo artista plástico Martial Raysse, é uma praça enigmática e desconcertante, que oferece aos visitantes uma verdadeira experiência filosófica. O universo simbólico, o esoterismo estão ali  presentes e é proposto um caminho iniciático que mistura sol e água, vegetal e mineral.

De cada lado do espaço central, existem duas fontes com cabeças humanas. A cabeça feminina representa Nemausa, a fonte original de Nîmes, a outra o deus Nemausus, a força viril da cidade.

A norte e a sul, estão gravados símbolos, emblemas e enigmas do mundo alquímico, da Maçonaria, do Tarot, da Bíblia… e no final da praça, uma pirâmide de vegetação e rochas representa o Jardim do Éden, mas também a montanha da sabedoria.

Como chegar a Nîmes

O aeroporto mais próximo de Nîmes é o Nîmes-Alès-Camargue-Cévennes  (FNI), que fica a 10 km da cidade, mas também é fácil chegar de comboio a partir de outras cidades francesas como Avignon, Montpellier, Aix-en-Provence e Marselha. 

A Ryanair tem voos diretos de Lisboa e Porto para Marselha que, quando marcados com antecedência, podem ficar bem baratos.

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