Sendo um símbolo excepcional de coexistência pacífica entre diversas origens culturais, a cidade de Mostar é também o produto da cooperação destemida face a catástrofes avassaladoras. Agora, no pós-guerra, os preços são baixos e as vistas são tão espetaculares quanto no passado. A cidade velha é muito orientada para turistas. A principal rua empedrada é repleta de vendedores de bugigangas e restaurantes cujos empregados, vestidos com trajes tradicionais, cumprimentam os transeuntes tentando convencê-los a entrar e experimentar as especialidades locais da Bósnia. É impossível ignorar a influência turca, tão presente no estilo de arquitetura das casas antigas e na atmosfera de bazar das ruas de paralelepípedos.

En Mostar todos os caminhos levam à antiga ponte, Stari Most, que deu origem ao nome da cidade. Caminhe pelas ruas da zona velha e vai encontrar inevitavelmente esta ponte que se ergue sobre duas imponentes torres de defesa medievais. A torre do lado leste abriga um museu com exposições interessantes sobre a história de Stari Most. Construída no século XVI, sob o Império Otomano, a ponte de arco único permaneceu por mais de 400 anos na sua forma original até 1993, quando foi destruída durante a Guerra da Bósnia. Não muito longe da ponte, encontra-se uma pedra na qual está escrito, "Don't forget '93", uma frase que verá repetida noutros lugares, certamente. A Ponte Velha foi reconstruída em 2004 e muitos dos edifícios da cidade velha foram restaurados ou reconstruídos com a contribuição de um comitê internacional estabelecido pela UNESCO, que posteriormente, em 2005, inscreveu a cidade velha na Lista do Património Mundial. Vale a pena atravessar a ponte e apreciar a vista sobre o vale. Durante os dias de verão, é comum verem-se jovens que, mediante umas gorjetas, saltam 20 metros em queda livre para mergulhar no rio Neretva, que atravessa a cidade.

Stari Most at night
créditos: Dreamstime

O pátio fechado da Mesquita Koski Mehmed Pasa, com a sua fonte, não permite adivinhar as vistas desimpedidas que se podem desfrutar do topo do minarete. É uma mesquita simples, mas bonita, que vale a pena sobretudo pelas deslumbrantes vistas sobre a cidade, contanto que tenha fôlego para subir os 75 degraus claustrofóbicos. Das 27 mesquitas da era otomana que se vislumbram no horizonte de Mostar, 26 foram destruídas durante a guerra. Algumas foram posteriormente reconstruídas, como a Mesquita Karadozbeg, a mais importante da cidade, construída no século XVI e cuja madraça de quatro cúpulas é agora usada como clínica. A única mesquita que sobreviveu ao fogo de artilharia relativamente incólume foi a Mesquita Roznamedzi Ibrahimefendi, que hoje abriga lojas e um café na madraça anexa. Passear pelas ruas de Mostar, espreitando todos os becos, lojas e monumentos que a cidade tem para oferecer, é uma viagem ao passado, à época em que Mostar fazia parte do Império Otomano . A Biščevića Cosak, com 350 anos de idade, é uma casa otomana-bósnia, colorida e mobiliada, e que permite ter uma ideia da vida quotidiana da cidade de Mostar no século XVII. Para uma experiência mais realista, é possível passar a noite na Muslibegoviić House, maior em todos os sentidos, que agora funciona como um boutique hotel.

Stari Most at night
créditos: Dreamstime

À medida que vai deixando o centro histórico para trás, tendo o rio sempre ao lado como ponto de referência, vai descobrir uma outra cidade de Mostar. Aventure-se para além dos limites da cidade velha e do bairro otomano, e veja como as cicatrizes da guerra são ainda muito visíveis. Casas em ruínas, prédios cheios de buracos provocados pela artilharia, tudo permanecendo como uma memória não tão distante do conflito. Fique até ao cair da noite e desfrute da cidade sem as hordas de excursionistas. Ao entardecer, as luzes de inúmeros restaurantes empoleirados acima do vale íngreme do rio Neretva brilham e as candeeiros de rua dão uma cor quente aos prédios de pedra cinza. Percorra as vielas estreitas e as escadas que levam até às margens do rio, logo abaixo da ponte, e aprecie a vista da ponte iluminada e dos telhados acima. É uma cena encantadora.

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