Descobrimos que era possível mergulhar ou fazer snorkel na falha tectónica e não perdemos mais tempo, vamos! Com todo o material necessário (incluindo o fato interior térmico e o fato exterior isolador, além de todo o material de snorkelling) e, depois de devidamente equipados e instruídos com os procedimentos da viagem, entramos na água.

O parque nacional de Thingvellir é património mundial da UNESCO e é um lugar de beleza invulgar onde se localiza a Sifra, o contacto das placas tectónicas na Islândia. A Silfra é um rift que corresponde a uma fenda de contacto divergente das placas tectónicas e que se afastam a uma média de 2 centímetros por ano. A libertação desta tensão é materializada em vários sismos e erupções vulcânicas que caracterizam a realidade islandesa. Estima-se que em média, devido a esta situação geográfica, o país tenha um grande sismo a cada 10 anos. Estes sismos formaram cavernas e fissuras que foram crescendo ao longo dos séculos.

A Silfra começou por ser uma caverna mas foi crescendo e transformou-se numa fenda preenchida por água subterrânea. Entramos na água preparados para mais uma aventura digna de registo. A água é realmente gelada e até se sentem os pés gelados como se tivessem sido espetados por gelos. A temperatura da água não engana. É água de degelo glaciar! Mas, apesar da entrada na água ser difícil, o corpo está completamente seco, com a excepção das mãos e cara, e depois de lá estar dentro a temperatura não custa nada a suportar.

No tour de snorkel atravessamos quatro áreas distintas da Silfra. A primeira corresponde à Silfra Big Crack, uma zona em que as placas estão tão próximas que é quase possível tocá-las em simultâneo. Nós bem nos esticamos mas não conseguimos. Seria brutal conseguir ter um pé simultâneamente em dois continentes! A segunda área é a Silfra Hall, onde a água exibe o seu maior esplendor com um aspecto colorido e transparente, chegando a visibilidade da água a ser de 150 metros. Verdadeiramente incrível! Seguidamente entra-se na Catedral da Silfra, onde a cavidade atinge 23 metros de profundidade. Neste lugar é claramente diferente fazer snorkelling ou mergulho. É como estar a flutuar sobre águas glaciares do Árctico. A última área da Silfra é a lagoa, um lugar mais amplo mas com visibilidade mais reduzida. Na Silfra, os mergulhadores mais experientes podem alcançar cerca de 60 metros de profundidade.

Quando saímos da água vínhamos completamente satisfeitos. Que experiência extraordinária! Que adrenalina e sensação incrível. Esta experiência é obrigatória em qualquer viagem pela Islândia, especialmente para os amantes de aventura.


Este artigo foi publicado originalmente no blogue Viajar entre Viagens. Poderá ver mais fotografias desta nossa aventura aqui.

Newsletter

Receba o melhor do SAPO Viagens. Semanalmente. No seu email.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.