1. Como/quando começou com o “bichinho” das viagens?

Acho que desde sempre, embora no início não o soubesse identificar. Sempre gostei de aventuras, que começaram por acampar pelo país fora, sem destino, sem planos e low budget ou explorar o Gerês de tenda às costas durante vários dias. A verdade é que no início preferia viver uma aventura no país do que ir fora passar um fim de semana a capitais europeias, como muita gente fazia.

Com o tempo passei a querer mais, mais desafios, mais aventura... e esse "mais" foi viajar. Lembro-me de estar a acabar o meu mestrado e, enquanto os meus amigos falavam de objectivos profissionais, a única coisa em que eu pensava era viajar! Mas não era passear, não era fazer férias, era viajar mesmo: conhecer a fundo as culturas, usar os transportes locais, comer nos mercados, andar à boleia, dormir em casas dos locais, acampar… tudo o que me fizesse desafiar a mim próprio, porque acredito que só assim conseguimos realmente aprender a fundo com as viagens que fazemos e com as culturas com que nos cruzamos.

2. Além de viajar, gostas muito de…

Já tive muitos hobbies diferentes, hoje em dia são principalmente fotografia e crossfit. Fotografia tem tudo a ver com viagem, crossfit nada e é uma das coisas que me custa muito deixar de fazer quando vou viajar. Mas também gosto mais de fotografia e de viajar do que de crossfit, por isso é um sacrifício que vale bem a pena.

A fotografia é uma forma de conseguir guardar memórias do que fiz e do que vi, mas mais importante: fazer as pessoas que me seguem viajar e viver através delas. Uso a fotografia para tentar, acima de tudo, fazer passar as mensagens que quero transmitir. É uma forma excelente também de nos transportar para as memórias que temos das experiências que vivemos. Mas não só, gosto de fotos bonitas só porque são fotos bonitas e algumas das viagens que faço ou dos lugares que visito em certos países, faço-o só porque quero mesmo ir aquele lugar tirar “aquela” foto brutal.

3. Quantos países já visitou?

Sinceramente, não sei. Pode parecer estranho, mas nem acho que para mim faça sentido contar. Nem esta pergunta me dá o impulso de o fazer. Há muitos países onde já estive e não sinto que os conheça, por isso não acho que possa dizer que já os tenha visitado “a sério”. Gosto de voltar aos mesmos lugares, aos mesmos países, conhecer mais e explorar mais.

4. Viagens mais marcantes e porquê?

A primeira grande viagem que fiz foi possivelmente a mais marcante. Quando estava a acabar o mestrado em Bioquímica sentia que aquilo que estava a fazer não me preenchia, não tinha aquele brio que devemos de ter pelas coisas que fazermos. Por isso decidi parar e fazer um Gap Year. Concorri com a minha companheira de aventuras à bolsa da Associação Gap Year Portugal e ganhamos! Tivemos a nossa viagem financiada por eles (que sorte incrível, hum?).

Viajamos do Sul ao Norte do continente Americano. Saímos de Portugal no final do verão e chegamos a Portugal era verão outra vez, foram 8 meses. Em todos os países onde passamos era também verão, por isso fomos a seguir o verão, a seguir o Sol. E por isso a nossa página chama-se @followthesuntravel. Essa viagem mudou a minha vida. É cliché mas é verdade. Não me deu as respostas a todas as perguntas que tinha e tenho (ainda bem), mas deu-me uma coisa muito mais importante: tranquilidade. Deixei de querer as respostas todas para ontem, tudo à pressa. Essa tranquilidade acabou, aos poucos, por me fazer perceber muitas coisas sobre mim. Uma delas foi que queria ser líder de viagens: levar outras pessoas a viajar comigo, à minha maneira, de forma a conhecerem os países que mais gostei. Hoje em dia sou líder de viagens pela Landescape e organizo viagens ao Peru, Guatemala, Colômbia e Islândia. E é isso que faço profissionalmente.

 É uma sorte incrível voltar aos países que mais gostas, ver as coisas de forma diferente e através das pessoas que levo comigo

Mas muitas outras viagens me marcaram positivamente, claro! Viajei a Islândia à boleia e em duas semanas percorri a ilha toda com 150 euros. Queria provar que mesmo num dos países mais caros do mundo era possível viajar barato. Cheguei há pouco tempo do Sri Lanka. O meu voo foi no dia seguinte aos atentados do Domingo de Páscoa. Foi uma decisão intensa ir para lá durante aquele período, mas foi obviamente a certa. Deparei-me com um país debilitado pelo que aconteceu e com algum medo e receio do que isso poderia trazer. Mas as pessoas, mesmo com medo, nunca deixaram de nos surpreender, nunca deixavam de sorrir, nos ajudar e se aproximar. Fiz toda a viagem de tuk-tuk que conduzi com um amigo e foi um máximo. Uma das experiências que mais me marcou foi num dia em que resolvi andar à boleia para ter a experiência de o fazer lá. Uma das pessoas que parou estava cheia de medo de nós: perguntou-nos mil vezes se éramos terroristas e se tínhamos bombas. Eu disse-lhe que percebia o medo dele e que não levava a mal se não nos quisesse dar boleia. Mesmo assim, e cheio de medo, levou-nos onde queríamos ir. Foi inacreditável!

5. Destino que quer regressar e porquê?

Como sou líder de viagens volto aos mesmos países várias vezes. É uma sorte incrível voltar aos países que mais gostas, ver as coisas de forma diferente e através das pessoas que levo comigo. Vou voltar agora à Colômbia e estou muito entusiasmado para isso, mas o destino que mais quero voltar neste momento é o Egipto. Estive lá na minha primeira pequena viagem fora da Europa e foi mesmo intenso. Sinto que na altura deixei muito por explorar e quero muito lá voltar.

Mas também tenho saudades da Islândia, e vai ser a viagem nova que vou começar a fazer para o ano como líder. Vai ser brutal voltar ao país onde a Natureza nos surpreende todos os dias!

6. Próximos destinos e expectativas

Este ano ainda vou à Colômbia, Peru e Guatemala… pelo menos! Talvez apareçam mais uma ou outra viagem pelo meio. A minha maior expectativa é em relação à viagem da Colômbia. Existe uma zona neste país onde quero voltar e que quero explorar melhor: o Parque Tayrona. É uma selva que começa nas Caraíbas e se estende até às Montanhas Nevadas de Santa Marta, que ficam a mais de 5 mil metros de altitude. Nesta zona vivem muitas tribos indígenas diferentes, os Wiwa, os Kogui, os Arhuaco e outros. Algumas com algum acesso ao mundo moderno outras com quase nada mesmo! Da última vez que lá estive fui visitar uma das tribos e foi uma das experiências mais intensas que tive de viagem em toda a minha vida. No início achei que seria algo turístico, mal lá cheguei percebi que não. Depois de uma hora de moto montanha acima cheguei a um lugar onde as pessoas eram tão diferentes de mim que nem sequer sabia identificar os seus comportamentos e atitudes. Não sabia se estavam a gostar que estivesse lá ou a detestar. Se estavam com medo ou curiosidade. Consegui interagir com alguns e tirar algumas fotos, e agora quero voltar com as fotos que tirei para lhes oferecer. Acho que isso vai deixa-los muito contentes e a mim também, claro. Mal posso esperar!

Para o ano quero muito viajar pelo Irão e pelo Paquistão. Tenho muita curiosidade com essa zona. Acho que vai ser um bom desafio para mim, e um bom desafio para o pessoal que me segue. E quem sabe o que mais vem por aí, estou aberto a propostas fixes.

7. Dica de viagem mais valiosa que pode dar

Façam da viagem um desafio. Se for para ser como em nossa casa, não vale a pena sair de casa. Um desafio não tem que ser andar à boleia, para mim é, para outra pessoa pode ser simplesmente sair do resort. Tenham um impacto positivo nos países, nas culturas e principalmente nas pessoas que conhecem. Há muitos lugares onde se vê que a geração redes sociais contaminou a forma como as pessoas interagem com o turismo. Queres tirar uma foto? Primeiro interage, fala, sorri, diz olá. Vamos ser nós a quebrar esta onda e a remar no sentido contrário. Viajar é muito mais que uma foto, e quando aprendemos isso e fazemos por viver a viagem com tudo o que somos, é aí que aprendemos e que crescemos como seres humanos! Tirem a foto na mesma, vale a pena, mas por trás dessa foto vivam experiências verdadeiras, porque são essas que vos vão marcar para o resto da vida. Esta é, sem dúvida, a minha dica mais valiosa.

8. Lugar preferido em Portugal

Portugal é incrível, gosto de muitos lugares aqui em casa. Em alturas diferentes respondo de forma diferente a esta pergunta. Mas hoje vou responder Gerês. Mas talvez porque foi no Gerês que vivi as minha maiores aventuras, que falei mais com os locais e que os conheci melhor. Hoje em dia, sinto-me parte da aldeia de Fafião, para mim um dos lugares mais incríveis deste cantinho do nosso país.

Mas adoro o Alentejo, a Costa Vicentina, Arrábida, Freita, enfim… temos uma sorte brutal!

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