De dia e de noite, a capital húngara é para apaixonados de cultura, para quem gosta de percorrer caminhos da história ou simplesmente andar pelas ruas, descobrir a gastronomia ou conversar num dos inúmeros bares e restaurantes.
Estamos numa das mais cosmopolitas cidades europeias, influenciada por uma grande diversidade de culturas e herdeira de tradições magiares. Por outro lado, a história do século XX está condensada aqui.

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A grandiosidade da arquitetura, o engenho humano suportado em conhecimento científico, a beleza das artes, mas também as duas guerras mundiais e a Guerra Fria — todos estes elementos transformam Budapeste numa das cidades mais visitadas da Europa e que há poucos meses foi eleita Destino Europeu do Ano.

Esta é a primeira advertência: se puder, visite muito cedo os principais ícones da capital húngara: o Palácio Real, a Ponte das Correntes e, em particular, o Bastião dos Pescadores.

A ponte é o mais bonito e interessante acesso à colina do Castelo, ao lado de Buda. Foi construída em pedra em meados do século XIX e reconstruída após a II Guerra Mundial. Rapidamente vai perceber porque é um dos lugares onde mais se sente o deslumbramento por Budapeste, em especial de manhã cedo ou ao pôr do sol com as torres do Castelo a esconderem parcialmente o astro.

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No meio do Danúbio sente-se a força do segundo rio mais longo da Europa e a principal via entre muitas capitais europeias.

Vai também reparar que é para o rio que a cidade está voltada. Dos dois lados, Buda e Peste. Casas, palácios, estátuas, igrejas, miradouros... todos encaram o Danúbio. Até o invulgar e majestoso Parlamento que está à beira-rio.

Este triângulo – o rio, o Castelo e o Parlamento – serve-nos de orientação e apresenta excelentes miradouros da cidade. O mais procurado é o Bastião dos Pescadores, na zona muralhada do castelo, na continuação de um percurso sem pressas. Temos de ficar alguns minutos na ponte a contemplar a vista da cidade, a arquitetura marcada por muitos edifícios monumentais datados dos séculos XIX e XX, as pontes mais recentes, as embarcações turísticas e, entre as ruas de Peste, os elétricos amarelos que passam no meio dos cruzamentos.

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Visitar a cidade a pé é, sem dúvida, a melhor opção. Mas o acesso à colina do castelo é talvez o trajeto com maior dificuldade.
No final da Ponte das Correntes pode optar por uma escadaria ou seguir um caminho mais longo que serpenteia a colina e atravessa uma área arborizada. Há ainda a alternativa do Castle Shuttle Budapest ou do bonito funicular que já tem 150 anos.

Foi a nossa opção. Subir no funicular e, no regresso, descer a pé pelas zonas verdes. Registe, no entanto, que em horários mais concorridos há longas filas para este transporte.

A entrada na área muralhada pode ser feita através da Porta Corvinus, uma estrutura de colunas com um arco e enormes estátuas de aves alusivas ao rei Matthias Corvinus.  Ao passar debaixo do arco entramos numa zona classificada pela UNESCO como Património Mundial.

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É a cidade medieval com ruas estreitas, sinuosas e casas de dois a três pisos com uma ligeira ondulação nos telhados para permitir a abertura de uma claraboia. É interessante passear por esta zona, ver as fachadas coloridas e, em especial, os ornamentos das cantarias das portas.

Perca-se nas ruas estreitas onde pode descobrir um Trabant, um dos carros mais conhecidos dos antigos “regimes de Leste”, ou ir dar a um quiosque com excelente vista para a outra colina de Buda.

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Algumas casas têm um jardim interior e numa delas provámos uma inesquecível e deliciosa hideg meggyleves, uma sopa fria de ginja que se come habitualmente antes do prato principal.

Se o apetite for menor aproveite para saborear um gelado. São deliciosos, com formas e sabores variados.

Os restaurantes e o comércio nas ruas oferecem um ambiente calmo quando comparado com a concentração de visitantes nos principais monumentos que estão muitos próximos: o Palácio Real, a Igreja de S. Matias e o Halászbástya ou Bastião dos Pescadores.

O antigo Palácio Real é o edifício mais imponente e tem uma história de séculos e de sucessivas reedificações e ampliações.

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No interior funciona um museu, a Biblioteca Nacional e a Galeria Nacional. Com alguma frequência são realizados eventos na área envolvente do Palácio e os jardins dos pátios são também local de repouso para muitos turistas.

A Igreja de S. Matias também tem uma história longa, mas foi profundamente reformulada no século XIX e apresenta forte influência neogótica. No seu interior encontram-se túmulos reais.

Por último, o grande miradouro de Budapeste. Das torres do Bastião dos Pescadores temos a melhor vista da cidade. São sete torres, correspondentes ao mesmo número das tribos que fundaram a Hungria. Podemos circular por corredores,  (mas na hora de maior visitação confrontamo-nos com o infortúnio de não conseguir tirar uma fotografia sem gente a passar em frente...), ou ficar sentados em esplanadas que funcionam como varandas para o Danúbio.

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Contemplamos uma parte significativa da metrópole e, em particular, o curso do rio com as suas várias pontes e na margem de Peste o grandioso Parlamento que parece estar vestido com um tecido branco de renda. O volume do edifício é assinalável.  Tem mais de 260 metros de comprimento e a área é dividida por cerca de 700 salas. Luxuosas. O requinte de amplos salões, materiais nobres, tetos altos e trabalhados, enormes candelabros, vitrais....surpreende.

Há visitas guiadas com duração inferior a uma hora. Talvez seja também esse o tempo que passámos junto ao rio a ver em detalhe as fachadas em pedra muito clara com profusão de trabalhos ornamentais. Múltiplas torres de vários tamanhos, pequenas estátuas, arcadas e janelas em pedra e decoradas. O edifício foi concluído no início do século XX e resulta de uma fusão de estilos neogótico, neorromânico e neobarroco.

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De dia, o conjunto faz um belo efeito. De noite é espetacular. É obrigatório aproveitar um passeio até Buda ou numa das pontes para se ver o Parlamento iluminado. O mesmo se aplica à colina do Castelo. Vários monumentos estão iluminados e o efeito visual é fantástico.

Inusitado foi ver a lua completamente vermelha a iluminar a ponte das Correntes e as traseiras do hotel no Palácio Gresham.  Outro passeio obrigatório é andar de barco no Danúbio, sobretudo ao entardecer. Vai ter perspetivas únicas, de rara beleza e, seguramente, fotografias para “instagrar”.

A zona de Peste é mais plana. Também tem mais vida comercial, com longas avenidas repletas de lojas, esplanadas e restaurantes. Uma das mais conhecidas é a Avenida Andrássy. Integra numerosos edifícios com estilo neorrenascentista e as fachadas estão bem conservadas. Atravessa uma parte significativa de Budapeste e termina na Praça dos Heróis e no Parque da Cidade. No percurso irá encontrar vários museus e a Ópera.

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Outra avenida muito visitada é a Váci Utca. É pedestre está repleta de hotéis, comércio para turistas, restaurantes, cafés.... Gostámos mais de andar junto ao rio e em ruas menos turísticas, onde há igualmente muita arte urbana. Budapeste oferece muita e diversa arte na rua.

Teatro, folclore, exposições de pintura, estatuária.... Uma das obras de arte que surpreende os visitantes é constituída por sapatos.

Alguns pares estão próximos do cais do Danúbio e são esculturas que prestam homenagem a judeus que foram mortos em Budapeste na Segunda Guerra Mundial.

A presença judaica é também assinalada com a segunda maior sinagoga no mundo, a seguir à de Nova Iorque. O edifício fica na zona de Peste, a 10 minutos a pé do Danúbio e facilmente se identifica devido a características mouriscas na sua arquitetura. Na sinagoga existe um museu e um memorial.

Um outro templo religioso que se destaca em Peste é a Basílica de santo Estevão, o primeiro rei da Hungria. Um edifício monumental, de estilo neoclássico e com uma praça em frente que nos deixa ver toda a fachada de pedra.

A cúpula tem 96 metros, a mesma altura da cúpula do Parlamento, e a vista alcançada permite uma visão panorâmica da cidade. O interior da Basílica é muito trabalhado e tem uma relíquia de Estevão I que morreu em 1038.
Para terminar o dia com uma experiência que não vai esquecer: a cidade tem muitas ofertas de spas e águas termais.

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Um dos lugares mais conhecidos é o complexo de Széchenyi. Possui mais de uma dezena de piscinas interiores e três piscinas exteriores onde a temperatura da água chega aos 38 graus. A Géllert é também muito bonita e com arquitetura Arte Nova. A arquitetura dos interiores encanta e relaxa mas a experiência ao ar livre, a contemplar alguns edifícios da cidade no meio dos vapores torna a experiência singular. Há espaços termais mais baratos. Um exemplo é o Palatinus, com um grande recinto ao ar livre.

Agora que já sabe o que esperar nesta cidade única, aproveite os voos da TAP e vá conhecer Budapeste.

Texto e fotos: Who Trips

Budapeste desde 49€