Em plena América Central, com o cheiro do Caribe e ali perto de outros países maravilhosos como Guatemala, El Salvador, Costa Rica e México. Sugiro fortemente que do Belize voe para um desses países vizinhos pois sou apologista de que a nossa vida é menor do que o tamanho do Mundo… então porque investir numa só viagem quando dentro dela podemos atravessar países? Concordam comigo? Então vamos lá, hoje falo de uns momentos no Belize. Afinal, vamos encontrar-nos aqui mais vezes. Embarquemos!

Sobre ‘atravessar’ o mapa, foi isso mesmo que eu fiz, na altura de ir ao Belize. Explorei, com lupa, o mapa e decidi quais seriam as minhas próximas conquistas. Utilizem o dólar americano, embora eles utilizem igualmente o dólar belizenho (por causa do anterior domínio britânico, Honduras Britânicas). A história da fundação do Belize tem, infelizmente, muito pendor na escravatura. Séculos atrás o Belize era um porto riquíssimo que atracava navios de escravos, os que não se afundaram, para trabalhos forçados. Triste. Contudo vemos os traços dos antepassados na população dali e é fantástico como eles têm mensagens escritas, por todo o lado, enaltecendo a paz e a igualdade. Sobretudo o ‘não racismo’. Algo que eles punem muito, em palavras: o roubo, pois acreditam ser a caraterística mais vil do ser humano. É um povo muito acolhedor e com excelentes sítios de hospedagem.

Belize
créditos: Unsplash

Sobre o Belize deve saber que ali corre o risco de se apaixonar por um misto que nem todos os cantos do Mundo têm: praias lindíssimas, resorts económicos, tours extremamente seguras (mas de elevados preços), e histórias inebriantes da civilização Maia. Por favor não se agarre às imagens dos panfletos sobre Belize em que as praias são o destaque. A cultura, essa vai fasciná-lo. No Belize tem uma variedade de templos que lhe vai trazer dificuldades no momento da escolha. É a vez de pegar na sua lupa e observe qual a sua preferência. É que se for sozinho ou acompanhado, qualquer um dos templos e espaços arqueológicos são adequados. Igualmente as praias. Além disso, Belize é muito seguro. Convém deixar as tours marcadíssimas desde cá. Uma dica: pergunte primeiro, por email, no hotel onde ficará hospedado. Senão eu posso sugerir-lhe duas empresas de tours que são 100% desde o pick-up a horas até à entrega: Placencia Action Tours ou Roam Belize. Este último é melhor caso não esteja hospedado em Placência. Todos respondem a qualquer uma das suas dúvidas e são muito amistosos!

30 graus no Inverno, mistérios da cultura Maia, um segredo azul e praias no ranking: conhece o Belize?
créditos: Unsplash

Eles são verdadeiros contadores de histórias e, entre carros e vans, por vezes eu não distinguia motoristas de guias. Todos contam algo enriquecedor. Quando eu disse que era portuguesa, desta vez não foi só o futebol que lhes chamou a atenção, mas o facto de termos tido uma figura da monarquia portuguesa que foi um benfeitor do Belize. Há mesmo um feriado dedicado a ele. E não vão encontrar isso facilmente no Google, vos garanto. É preciso entrar nas entranhas do Belize e saber escutar os nativos. Apesar das tours caras e seguras, é um país em desenvolvimento e que carece de muitas coisas para a população. Todavia é muito abonado na agropecuária. E muito verde. Ah, eu tenho de vos confessar uma coisa: comprei imensas regueifas lá! São bolos típicos de todo o Belize. Eu adorei porque raramente as encontro cá, somente mais a Norte. Ainda lhes disse que Portugal também tinha o mesmo doce. É igualzinho!

Outra coisa: não ache estranho que voe para lá (de países vizinhos) em pequeninos aviões (eu chamaria de avionetas) como único passageiro. Até lhe vai dar um ar VIP. Vai sempre aterrar em Belize city e pode ficar uma noite caso não tenha voo imediato para outras áreas do país. Foi o que me aconteceu. Fiquei em Cataleya’ guesthouse. Se puder organize os voos (há muitos!) diretos para Placência ou San Ignacio ou Hopkins (ou Cayo Ambergris, em San Pedro). Tem muito mais. E de todas estas áreas, com praias também, terá acesso às mesmas tours que eu tive. A única diferença são as distâncias até templos como o El Caracol, Lamanai ou Xunantunich. Eu fiz Lamanai e Xunantunich, escolha este último, sem dúvida. É muito mais completo e não são ruínas! Durante a tour terá de atravessar um rio e ficará espantado com a história daquele lugar Maia. Deixo a curiosidade aqui em jeito de ‘precipício’. É que o passo seguinte é: partir, ir, vir e contar!

Grande Buraco Azul
créditos: Flicker

Por favor não perca o Great Blue Hole (normalmente está incluído na tour a Xunantunich). É um dos locais do Mundo considerado como um portal. Eu fiquei extasiada a olhar para vários azuis que convergia para um verdadeiro buraco e previsivelmente fundo. Não fiquei tentada a mergulhar naquela zona, mas pode fazê-lo. Portanto leve consigo, nesta tour, o fato de banho. O que ali mais se ouve é o riso feliz das crianças turistas. Mas o que a mim me provocou um silêncio mentalmente misterioso foi aquele azul escuro num rodopio. O portal ou só uma mera falha geológica? Portal para um submundo? Não perguntei, quis guardar para mim o que ali intuí. Se algum dia o planeta ameaçar desaparecer, mergulho naquele azul que me levará a algures.

Depois de se levantar de madrugada e de consumir horas de carro (com AC), vai andar cansado (ou vão andar cansados) mas sugiro que, mesmo que seja noite, vá até ao areal (eu tinha uma praia na frente do quarto) e sorria para a lua. Agradeça por tudo o que viu e escutou. Os Maias decerto vão mexer muito com a sua energia. Comigo mexeram. E vim outra! E no dia seguinte podem fazer nova tour e atravessar a fronteira até Tikal, na Guatemala. Não percam esta oportunidade.

O Belize entrou na minha recente maratona de países que enverguei sozinha, porque senti que precisava do Mundo. Precisei de ‘alinhar’ o meu espírito. Tenho a certeza que já vos aconteceu! E ‘explorei-o’ (ao país e ao espírito) em duas semanas e meia. Só parei nas praias ao sol, adormecendo debaixo das palmeiras de Placência (recomendo esta zona no Belize ou San Ignacio) e trazendo de lá um búzio enorme. Este búzio, ali na minha varanda, tem um enorme buraco. Escolhi-o, no areal, porque me fez lembrar o great blue hole, o portal.

Deixei o sono para reparar em Portugal e fui muito bem tratada no Cozy Corner Restaurant, ali em Placência. Um sítio tão pequeno e tão maravilhoso. Como ainda há tantos viajantes experientes que não aportaram aqui? Recomendo vivamente, a civilização Maia vai ensinar-lhe sem dizer nada, as praias vão encantar a sua vista, o Blue Hole vai deixá-lo crente que o Mundo é mais que um Planeta. Boa viagem, You Better Belize it!

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