“É uma homenagem a Amadeo num dos bairros que mais tinha a ver com os artistas, a 500 metros do Boulevard de Montparnasse onde estavam, estiveram e continuam a estar alguns artistas pintores, a 12 minutos a pé dos cafés La Coupole, Le Select, onde iam os artistas”, disse à Lusa o vereador-executivo de Paris, Hermano Sanches Ruivo, um dos mentores da iniciativa, ao lado do historiador franco-português Georges Viaud.

Hermano Sanches Ruivo sublinhou que a autarquia de Paris quis homenagear Amadeo de Souza Cardoso no mesmo ano em que houve a exposição no Grand Palais, dedicada à obra daquele que foi considerado “um dos segredos mais bem guardados do século XX”.

Georges Viaud, presidente da Sociedade de História e Arqueologia do 14.° bairro de Paris, sublinhou à Lusa que o número “20 da rue Ernest Cresson foi a morada parisiense onde Amadeo esteve mais tempo”, tendo aí morado entre o verão de 1912 e janeiro de 1914.

“Ele chegou a Paris em 1906, três dias depois do seu aniversário, que era a 14 de novembro. Com a placa vamos comemorar os 110 anos da chegada de Amadeo a Paris, no mesmo ano em que houve a grande exposição no Grand Palais, comissariada por Helena de Freitas”, declarou o historiador que já fez visitas guiadas aos locais parisienses onde morou Amadeo de Souza Cardoso.

George Viaud precisou que, desde que o pintor chegou a Paris, em novembro de 1906, teve várias moradas: 37, rue Henri Barbusse, no 5.º bairro, no n.º 33 da rua Henri Barbusse, 150, do boulevard Montparnasse, e 14, cité Falguière no, 14.º bairro; 27, rue Fleurus, no 6.º bairro; 3, rue du Colonel Combes, no 7.º bairro; 20, rue Ernest Cresson, e 1, villa Louvat, no 14.º bairro.

Face a tantas moradas, “teve de ser feita uma escolha” e Hermano Sanches Ruivo justificou que o ateliê da rua Ernest Cresson “era o único do qual havia uma fotografia com Amadeo, onde se reconhecem alguns dos seus quadros”.

“Era um ateliê e continua a ser um ateliê. Agora é de um fotógrafo que guardou uma parte do que já era o ateliê do Amadeo. Vê-se, como na fotografia, aquela parte superior [‘mezzanine’]. Foi um dos seus principais ateliês”, descreveu Hermano Sanches Ruivo, salientando que já há em Paris várias placas dedicadas a artistas portugueses e que a próxima deverá ser para o escritor Aquilino Ribeiro que escreveu, em Paris, “É a guerra”, um registo diário durante os dois primeiros meses da Primeira Guerra Mundial.

O fotógrafo André Morain, que vive no estúdio do rés-do-chão há 25 anos, e que conheceu vários artistas portugueses como Maria Helena Vieira da Silva, Lourdes Castro, René Bértholo ou Júlio Pomar, não conhecia o nome de Amadeo de Souza Cardoso até ao dia em que lhe bateram à porta à procura do ateliê do pintor português.

"Como há vários ateliês neste prédio, vi logo que tinha de ser este, porque na fotografia que do ateliê [em que aparece Amadeo], há uma parte inclinada que corresponde à subida das escadas do prédio", explicou o atual morador.

Depois do descerrar da placa, esta manhã, vai ser exibido o documentário "Amadeo de Souza-Cardoso: O último segredo da arte moderna", realizado pelo lusodescendente Christophe Fonseca, numa sala da câmara municipal, no 14.º bairro de Paris.

Entre abril e julho deste ano, o Grand Palais, em Paris, foi palco de uma exposição sobre Amadeo de Souza Cardoso, com 250 obras assinadas pelo pintor, 52 documentos de arquivo e 15 obras de artistas que foram próximos dele, tendo atraído mais de 70 mil visitantes.

O Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, tem patente, até 01 de janeiro, uma exposição com mais de 80 das 114 obras de Amadeo, da montagem original, no Porto, em 1916, que poderá ser vista no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa, de 12 de janeiro a 26 de fevereiro.

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