Reportagem Levi Fernandes / AFP

"Há jacarandás em todo o país, mas foi em Lisboa que se adaptaram melhor" ao clima local, explica à AFP Ana Luísa Soares, diretora do jardim botânico da Ajuda, onde foram plantadas as primeiras árvores importadas do Brasil.

Os jacarandás foram introduzidos em Portugal no começo do século XIX, quando a família real se exilou na antiga colónia da América do Sul para fugir das invasões napoleónicas.

Na ausência do rei, a cor azulada desta árvore - associada à monarquia - transformou-a num meio de "demonstrar o poder real", aponta o turismo de Lisboa no seu site.

Os jacarandás difundiram-se graças a Félix Avelar Botero, considerado o pai da botânica em Portugal, que "começou a oferecer sementes desta árvore" por toda a cidade, explica Soares.

Beleza mágica

Agora, o número de jacarandás não para de aumentar na capital.

"É uma árvore que não apresenta muitos problemas. É longeva e floresce quase sempre. É uma espécie que se adaptou excecionalmente bem", detalha Ana Júlia Francisco, uma das encarregadas da direção de Meio Ambiente da Câmara de Lisboa.

Ainda hoje, o município continua a plantar jacarandás, evitando os locais com muito vento, onde as árvores têm mais dificuldade de desenvolver-se.

Há jacarandás nos sítios mais turísticos, da praça do Rossio às ruas que chegam ao Marquês de Pombal.

Os turistas gostam de tirar fotos junto às árvores em flor e nos tapetes de pétalas arroxeadas que cobrem as calçadas da capital quando começam a cair e impulsionam a sua popularidade através das redes sociais.

Jacarandás em Lisboa
Jacarandás em Alfama créditos: Patrícia de Melo Moreira / AFP

"É lindo!", exclama Cheryl Mitchel, uma reformada de 76 anos de Atlanta, Estados Unidos, que aprecia fotografar as árvores.

"É muito primaveril. É mágico. Acho que representa Lisboa", avalia, por sua vez, Magali Cirillo, uma assistente social francesa de 34 anos, de férias na cidade.

Muito apreciados também pelos lisboetas, os jacarandás às vezes suscitam críticas pelos inconvenientes causados pelas flores que caem no chão e se decompõem, cobrindo as calçadas com uma substância pegajosa.

Ao plantar novas árvores, o município tenta evitar ao máximo os locais que poderiam criar inconvenientes aos moradores. "Mas a sua beleza compensa os incómodos", afirma Ana Júlia Francisco.