Está localizado na Rua do Comércio e tem uma entrada que nos transporta para um ambiente exclusivo e luxuoso. Ao descer as escadas de pedra do Tokkotai, ficamos a saber que aquele edifício era um antigo armazém de vinho do Porto, descoberto pelo decorador Paulo Lobo, responsável pelo design de interiores do espaço. Luz baixa, mesas altas e com poucos lugares, um bar e música eletrónica a tocar num volume agradável recebem-nos na primeira sala do restaurante que é o seu cartão de visita e também pista de dança em certos dias da semana.

O Tokkotai nasceu com alma noturna, já que era vontade dos sócios que fosse um espaço onde as pessoas pudessem jantar e, depois, estender a noite com música e cocktails. Assim, mas não deixa de ser surpreendente, o Moscow Mule é o campeão de vendas do restaurante que imprimiu uma marca própria ao famoso cocktail. E foi por aí que começamos a nossa experiência gastronómica.

A primeira impressão não é a do habitual Moscow Mule (que tem como base cerveja de gengibre, vodka e sumo de limão). Explica-nos o chef de bar Mário Oliveira que a ginger ale foi trocada por uma “soda de gengibre criada pela equipa” mais leve e, por cima, uma espuma de gengibre também de autoria própria que lhe confere um primeiro gole aveludado. “É só gengibre, limão e pimenta”, diz o barman que veio de São Paulo trabalhar no Tokkotai, assim como grande parte da equipa, trazendo a experiência e a criatividade da cozinha japonesa que se faz na metrópole brasileira.

Depois de saborear o Moscow Mule, acompanhado de tempura de milho, seguimos para a próxima sala do restaurante que se vai abrindo como um leque em vários ambientes. Da Izakaya (nome dado aos bares no Japão), seguimos para a sala Sushi Bar que, como indica o nome, tem lugares ao balcão onde é possível observar o trabalho dos sushimen em direto. Ou podemos também optar por sentar numa das mesas que pontuam a sala de tetos abobadados em pedra. A Wine Cellar, que expõe a garrafeira com mais de 140 rótulos, a Byobu, com biombos do artista plástico Francisco Laranjo, e o Pateo, espaço exterior, compõem os restantes ambientes do Tokkotai.

A aposta numa cozinha mais criativa de base japonesa, mas com influência de outras gastronomias, anda de mãos dadas com uma grande variedade de peixe fresco – do atum e salmão ao robalo ou pargo. O primeiro prato, um delicado carpaccio de dourada com molho ponzu, é-nos apresentado pelo chefe de sala e também sócio do Tokkotai, Michel Gomes, que seria o nosso guia nesta viagem gastronómica.

Os Cannoli de atum picante, servidos numa caixa como um pequeno tesouro, e o Rock shrimp (tempura de camarão em pequenos cortes com maionese picante, cebolinho e raspas de castanha do Brasil) abriram muito bem caminho para o que viria a seguir. O Rock Shrimp, um dos pratos mais pedidos da casa, é uma combinação gulosa entre o crocante da tempura de camarão e o cremoso da maionese a completar com chips de batata-doce.

À frescura de um ceviche de peixe branco, polvo e camarão, seguiram-se os nigiris, gunkans, hossomakis e outras opções disponíveis na carta do Tokkotai. A ideia é que o cliente possa ir escolhendo diferentes peças que vão sendo elaboradas na hora pelos sushimen, sempre com detalhes de aromas e sabores que marcam pela singularidade – dos mais tradicionais, a destacar toda a frescura do peixe, aos mais criativos como trufa ou foie gras. Há ainda pratos quentes, opções vegans e uma lista apetitosa de sobremesas que não desilude os mais lambareiros.

No Tokkotai, viajamos até Tóquio e São Paulo sem sair do Porto
Nigiris créditos: Divulgação

A completar dois anos, o restaurante lançou novos menus executivos para o almoço que condensam a experiência gastronómica que, até então, só se podia ter ao jantar. Por 25 euros, é possível escolher entre três entradas, três sugestões de prato principal (carne, peixe e sushi), sobremesa, bebida e café.

Continuando fiel à sua alma noturna (daí o seu símbolo ser um eclipse), o Tokkotai tem todas sextas a presença de um DJ a animar as chamadas Friday Sessions e, na última sexta-feira de cada mês, uma festa mais exclusiva, a Off the Record. Um evento concorrido para o qual só se pode entrar se constar na lista de convidados.

Se chegou até aqui e ficou curioso para saber o significado da palavra que dá o nome ao projeto gastronómico, temos a resposta. "Na tradição japonesa, eram chamados de Tokkotai os mais bravos e fiéis soldados do império, que eram capazes de se sacrificar pelo Japão", explica o restaurante. "Uma ação drástica, de facto, mas honrada: reverenciamos a ousadia do passado e, graças a ela, construímos orgulhosamente a nossa visão sobre o futuro. Afinal de contas, uma pitada de coragem é sempre necessária para se ser recordado", conclui. E, de facto, a experiência no Tokkotai fica na memória.

O SAPO Viagens visitou o Tokkotai a convite do restaurante