A comida da Malásia é tão diversificada quanto a presença de outras culturas naquele país do sudeste asiático. É cheia de cor, com muito picante, por vezes, adocicada e com um ingrediente principal no centro do prato: o arroz. Misturam-se estilos e fundem-se ingredientes, juntam-se combinações da culinária malaia, chinesa, indiana, tailandesa e árabe. Todos convivem bem à mesa, à semelhança dos povos que convivem pacificamente.

Um dos pratos mais populares é o nasi lemak, que não é mais do que arroz cozido com leite de coco, servido com anchovas, amendoins, umas rodelas de pepino, ovos cozidos e uma pasta de malagueta picante. Este prato é, por vezes, acompanhado com um guisado de carne picante chamado rendang. E pode ser servido tanto ao pequeno-almoço como ao almoço ou jantar.

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O pequeno-almoço na Malásia é uma refeição de tacho ou de frigideira. O que mais estranhei, durante os 20 dias em que estive naquele país, foi a falta de opções para ocidentais. Os hotéis tinham apenas leite gordo e não havia iogurtes, com exceção de um dos hotéis onde pernoitei na ilha de Tioman, o Tunamaya Beach & Spa Resort.

O pão também é diferente daquele a que estamos habituados. Apesar de o pão roti ser muito popular, apenas o encontrei num dos hotéis e não era todos os dias. Este pão é fino e, por vezes, é servido com vários molhos picantes. O queijo praticamente não se encontra, optando os hotéis por servir manteiga e compotas.

Como a maior parte da população é islâmica, a carne de porco não entra na cozinha de muitos restaurantes e supermercados. A maioria dos estabelecimentos da capital Kuala Lumpur é halal, ou seja, exclui a carne de porco e seus derivados, por considerar que estes animais são sujos pela forma como se alimentam. E, curiosamente, as carnes de aves são sujeitas a rituais para se poderem comer. As aves devem ser abatidas viradas em direção a Meca e de forma a evitar prolongar o sofrimento do animal.

Para além do arroz, que, muitas vezes, é frito, e acompanha com frango ou camarão, os noodles são também uma constante na maioria das ementas, dada a presença de muitos chineses. Acompanham também com camarão, carne de frango ou vaca.

Entrada de cogumelos e camarões
Entrada de cogumelos e camarões créditos: Starting Today

Interessante é o facto de não se usarem facas à mesa, apenas colheres e garfos, uma vez que a comida já é servida aos bocados. O frango, por exemplo, vem para a mesa, por vezes, em pequenas espetadas com molho Satay, que pode levar óleo de coco, manteiga de amendoim e molho de soja, entre outros ingredientes.

Quanto às bebidas, uma das mais populares é o chá, acompanhado de leite condensado, que pode ser servido quente ou com gelo. O café é também muito procurado, sendo o mais usual o de “filtro” e costuma ser bem forte. A minha preferida foi, sem dúvida, a água de coco, adocicada e refrescante. As frutas, sobretudo, melancia, ananás, melão e papaia, são doces e cheias de sabor, para mim, o melhor da Malásia no que toca a comida.

Depois de ter estado na Tailândia e nas Filipinas, confesso que a comida da Malásia não me conquistou. A minha melhor experiência foi em Kuala Lumpur, ou KL como os locais carinhosamente lhe chamam, no restaurante Skillet At 163, um espaço integrado no hotel Fraser Place, localizado não muito longe das Torres Petronas, um dos símbolos da cidade. O nome, que significa frigideira, é uma espécie de homenagem aos chefs que a utilizam. Quanto ao 163, é precisamente esse o número da rua Jalan Perak onde está instalado o restaurante. Uma placa à entrada avisa que ali não é servida carne de porco.

Num ambiente moderno e confortável, temos a possibilidade de experimentar pratos originais e arrojados criados pelo chef executivo Raymond Tham. Os ingredientes são frescos e de boa qualidade, as misturas são fascinantes e os sabores fazem-nos viajar. Voltamos para a Europa, mas sempre com os dois pés na Ásia.

Ao jantar, a refeição tem um valor fixo (cerca de 27 euros por pessoa) e temos a possibilidade de escolher três pratos das muitas opções da ementa. Não é barato, tendo em conta o país onde podemos comer na rua por poucos euros. Mas, a verdade, é que vale a pena. Mais do que uma refeição, transformou-se numa experiência sensorial relaxante e intensa, que me permitiu esquecer as quase 24 horas de viagem desde Lisboa com escala no Dubai.

A entrada misturou de uma forma “glamourosa” cogumelos e camarões numa espécie de paixão proibida que nos arrebata. Para prato principal, escolhi a massa fresca com camarão tigre, chili e ananás, uma refeição cheia de sabor e, no final, optei pelo doce macadâmia, com creme de chocolate e deliciosas nozes de caramelo salgado.

Por Helena Simão, blogger do Starting Today

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