Dia 1: Évora

Évora é uma das minhas cidades preferidas. Regressar a ela é sempre um momento feliz. Já a conheço bem, mas parece que a cada visita descubro sempre algo de novo: um hotel, um restaurante, um detalhe qualquer que nunca tinha reparado… Há sempre alguma coisa que me entusiasma!

Explorar o centro histórico pede calma e sossego. A magia está em deambular devagar pelas ruas, apreciar a mistura saborosa entre o velho e o novo, sentir o ambiente, ouvir os sons, provar os sabores e absorver a importância deste local. Não é preciso correr porque tempo, de certeza, não vai faltar. Num mapa, a zona interior das muralhas pode parecer grande, mas na realidade leva poucas horas a descobrir.

O melhor local para começar o passeio é na Praça do Giraldo — a principal praça e epicentro da cidade velha. Está bem preservada, mantendo, segundo li, a mesma disposição que apresentava no inicio do século XV. Aqui são dignos de atenção os arcos, a fonte barroca e a bonita Igreja de Santo Antão.

Concelho de Évora
Praça do Giraldo créditos: Lusa

No verão, as esplanadas dos cafés que enchem a praça são outra atração difícil de resistir. É um lugar muito agradável para parar, comer uma queijada de Évora e observar a vida da cidade a passar.

Da Praça do Giraldo podemos seguir para nordeste, em direção ao Largo Conde de Vila Flor, onde encontramos o Templo Romano, o ex-libris da cidade.

Este monumento, que data do século I, desempenhou um papel fundamental na entrada de Évora para a lista de Património Mundial da UNESCO e as suas ruínas são consideradas as mais bem preservadas ruínas romanas da Península Ibérica.

Templo Romano de Évora
Templo Romano de Évora créditos: DR

Ainda hoje esta construção com mais de 2000 anos é conhecida como Templo de Diana por muitos portugueses e mesmo eborenses. A confusão explica-se, talvez, devido a uma lenda criada no século XVII que associava este monumento à deusa romana da caça.

A História viria a revelar, no entanto, que o Templo Romano de Évora foi erigido para prestar homenagem ao Imperador Augusto, venerado, na época, como um deus. Foi modificado nos dois séculos que se seguiram (II e III d.C.) e destruído em parte no século V, aquando da invasão dos povos bárbaros. No século XIV, chegou a servir de casa-forte ao castelo da cidade de Évora e mais tarde, foi usado como matadouro.

Na segunda metade do século XIX foi alvo de uma grande restauração, cujo objetivo foi devolver-lhe o traçado original e finalmente, no século XX, novas escavações, revelaram vestígios de um pórtico que estaria rodeado por um espelho de água.

Templo Romano de Évora
Templo Romano de Évora créditos: Unsplash

Incrivelmente, o Templo Romano de Évora, apesar de tudo por que passou, mantém intacta a sua planta inicial e catorze das suas colunas coríntias originais. Olhar para este monumento é literalmente regressar ao passado.

O Jardim Diana, logo ao lado do templo, é um bom lugar para sentar e admirar as ruínas.

Próximo dali, e a merecer igualmente uma visita, ficam a Sé Catedral de Évora, o Museu de Évora, o Centro de Arte e Cultura Eugénio de Almeida e Paço de São Miguel.

Sé Catedral de Évora
Sé Catedral de Évora créditos: Travellight

O Paço de São Miguel, outrora Palácio dos Condes de Basto, é um deslumbrante conjunto de edifícios revestidos a tinta branca, deslumbrantes contra o azul profundo do céu alentejano. Está classificado como Monumento Nacional desde 1922 e encontra-se parcialmente integrado na cerca romana e medieval, ou seja, nas muralhas de Évora. A entrada fica logo atrás da Catedral de Évora, praticamente pegada com as traseiras da Biblioteca. O portão leva-nos até ao bonito Pátio de São Miguel, um lugar calmo e muito agradável.

Vale a pena parar para almoçar na esplanada da Cafetaria Páteo de São Miguel e admirar a arquitetura ancestral do Paço e as vistas da cidade, ou na Enoteca Cartuxa que evoca o ambiente informal de uma taberna, trazendo-o para a contemporaneidade.

Enoteca Cartuxa
créditos: Enoteca Cartuxa

Todo o portefólio vínico da Adega Cartuxa está à nossa disposição e pode ser harmonizado com uma cozinha regional interpretada e reinventada de forma atual. Na loja da Enoteca podemos ainda encontrar azeites do Lagar Cartuxa e ainda uma seleção de produtos gourmet da região.

Andando até ao outro lado da cidade murada chegamos a uma das atrações mais famosas de Évora — a Capela dos Ossos.

Ossos humanos cobrem cada centímetro quadrado desta capela, do chão ao teto. A capela como é hoje, na verdade é mais o resultado da necessidade do que de razões religiosas. Conta-se que durante o século XVI, os cemitérios de Évora estavam tão sobrelotados que não sobrava espaço para enterrar novos corpos e por isso, para libertar espaço, a cidade exumou cerca de 5 mil corpos.
Os ossos desses corpos exumados acabaram por ser cuidadosamente arrumados e expostos dentro da Capela. revestindo paredes, colunas, arcos e o altar.

Capela dos Ossos de Évora
Capela dos Ossos de Évora créditos: DR

Uma inscrição acima da entrada diz: “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”. Um lembrete aos vivos de como é temporária a passagem pela Terra.

A Capela dos Ossos fica dentro da Igreja de São Francisco, que também merece uma visita. Possui arte sacra, alguns belos azulejos e subindo as escadas proporciona uma vista fantástica da cidade. O museu no segundo andar abriga uma coleção muito interessante de presépios de Portugal e de todo o mundo.

Junto à Capela dos Ossos encontram-se os Jardins Públicos de Évora, que são pequenos mas muito agradáveis. O Palácio D. Manuel, com seus arcos e varandas construídas no século XVI, pode ser considerado o destaque dos jardins, mas aqui existem também vestígios da muralha medieval, que datam do século XIV.

Chegada a hora do jantar procurem na Rua de Burgos, nº10, o Restaurante Origens, um dos melhores restaurantes de Évora, que se assume como um lugar de experiências gastronómicas, que pretende trazer à mesa os melhores produtos da região.

Pôr do sol em Évora
créditos: Pixabay

Dia 2: Vila de Redondo

De acordo com a tradição popular, a fundação da vila de Redondo, uma vila a 35 km de Évora, está ligada ao título lendário de "Penedo Redondo", um penedo que existia na muralha medieval original.

Foi outrora um ponto obrigatório de escala para viajantes de Évora, Vila Viçosa e Alandroal. Por isso seguindo o costume antigo, passem por lá no domingo e deleitem-se com os seus vinhos, azeites, mel, enchidos e olarias.

Em Redondo há muita História e muitos lugares dignos de nota. É o caso da Cerca Militar mandada construir pelo Rei D. Dinis, classificada como Monumento Nacional e mais tarde como Zona Especial de Proteção; o Castelo de Redondo; o Miradouro do Cume da Serra D’Ossa; o Museu Regional do Vinho de Redondo e o Museu do Barro.

Vila de Redondo
Vila de Redondo créditos: Visit Alentejo

O Pelourinho e as Igrejas da Matriz, da Misericórdia, do Calvário e de Nossa Senhora da Saúde também merecem atenção.

Por alturas do verão, ganham vida as “Ruas Floridas”, uma tradição do século XIX que os redondenses mantém viva até hoje, decorando as ruas da vila com milhares de flores feitas em papel colorido.

Mais afastado da vila temos o Convento de São Paulo, um edifício conventual construído em 1182, e atualmente convertido em hotel de luxo. Fica localizado entre a vila de Redondo e a cidade de Estremoz, na meia encosta da Serra D’Ossa.

Convento de São Paulo
Convento de São Paulo créditos: Booking.com

Por este Convento passaram algumas figuras como D. Sebastião, D. João IV ou D. Catarina de Bragança e é aqui que está concentrada a maior coleção de azulejos do país. São perto de 54.000, sem contar com os diversos painéis que se encontram espalhados por todo o espaço do convento.

Vale a pena visitar a capela, o claustro, os jardins e, claro, parar para almoçar no restaurante onde podemos apreciar o melhor da cozinha alentejana.

Dia 3: Serra d’Ossa

O Redondo encontra-se envolvido pela imensa planície alentejana e pela deslumbrante beleza da Serra d’Ossa, por isso uma visita à vila é um bom pretexto para explorar também a imponente serra e toda a sua extraordinária beleza natural.

Conhecida na História como Monte-de-Vénus e Serra dos Hossenos ou dos Hossios, esta serra é um dos melhores locais para fazer caminhadas no Alentejo. Oferecendo todo o tipo de trilhas. Algumas são fáceis, outras mais exigentes. Entre os percursos disponíveis estão o Percurso das Antas, o Percurso do Freixo, o Percurso do Montado-Freixo ou o Percurso Eremitas da Serra D’Ossa.

Passadiços na Serra d’Ossa
Passadiços na Serra d’Ossa créditos: Rádio Campanário

O percurso a “Fantástica Serra D’Ossa”, se for percorrido na íntegra, leva cerca de 7 horas a concluir. É uma caminhada difícil com altos e baixos que exige uma boa preparação física, mas as vistas do topo das colinas fazem valer a pena o cansaço. Podem encontrar a descrição de todo o percurso aqui.

Recentemente abriram também os Passadiços da Serra d'Ossa, um percurso de 7,7 quilómetros (ida e volta) que liga a Aldeia da Serra d’Ossa à Ermida de Nossa Senhora do Monte da Virgem e inclui 400 degraus.

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Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World

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