O pedido dos três maiores operadores marítimo-turísticos do segmento de cruzeiros diários no rio Douro – Barcadouro, Rota do Douro e Tomaz do Douro – surge no dia em que se assinalam os 15 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro (ADV) como Património Mundial da Unesco.

Em agosto, as empresas decidiram substituir o comboio por autocarros como meio de transporte complementar ao barco, após críticas ao “mau serviço” prestado pela CP, uma posição tomada depois de muitas queixas por parte dos clientes que tinham que viajar de pé, apinhados e em carruagens sem ar condicionado. Estas empresas fornecem viagens de umas horas a um dia, que podem partir do Porto, do Peso da Régua, Pinhão ou Barca de Alva, e o pacote proporcionava a viagem de regresso de comboio.

Os operadores referiram hoje, em comunicado, que entendem ser “esta a altura própria para lançar um apelo público em defesa daquele corredor ferroviário estruturante para a mobilidade das populações e o engrandecimento da marca turística Douro”.

Com efeito, acrescentaram, “é tempo de a sociedade civil, o poder político de proximidade e as empresas da região juntarem esforços para que a integral eletrificação da via até à Régua, pelo menos, seja colocada na agenda de prioridades dos responsáveis políticos”.

As empresas defenderam a criação de uma “plataforma cívica”, aberta a todos, que se bata pela modernização e sustentabilidade da Linha do Douro.

A eletrificação da Linha do Douro não pode ser, frisaram, “uma fotocópia a baixa velocidade da construção do Túnel do Marão”.

Nestes quatro meses, os operadores referiram que decorreram negociações com a CP, variados contactos com a Infraestruturas de Portugal (IP) e o poder político.

“Apesar das palavras mais ou menos bem-intencionadas que temos ouvido e se têm escutado no espaço público, o que é facto é a eletrificação do troço entre Caíde e o Marco de Canaveses está com um ano de atraso relativamente ao cronograma oficial e ainda nada se sabe quanto ao projeto a concretizar no troço entre o Marco e a Régua”, referiram no comunicado.

As empresas acreditam que, “por este andar”, o projeto até à Régua “só estará concluído para lá do término do Portugal 2020, quando o plano investimentos em infraestruturas Ferrovia 2020, anunciado em fevereiro passado, prevê que isso aconteça ainda em 2019”.

Os operadores querem que o comboio da linha do Douro volte "aos carris do progresso, a servir as populações e a responder satisfatoriamente às dinâmicas económicas que a classificação do ADV tornou possível”.

Para as empresas, “modernizar e dar futuro à linha do Douro é a melhor forma de, 15 anos depois, preservar e valorizar um Património Mundial, que é de todos e continua a oferecer ao Douro e a Portugal um enorme potencial paisagístico, ambiental e cultural com relevante valor económico”.

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