Se a seleção nacional chegar às meias-finais do Mundial de Futebol será confrontada com duas possibilidades - disputar o jogo 61 em São Petersburgo ou o jogo 62 em Moscovo (Lujniki). Sendo que Moscovo representaria um regresso a um estádio/cidade onde Portugal já terá jogado, centramo-nos agora em São Petersburgo e no que há para ver na cidade de Pedro, o Grande.

São Petersburgo é o resultado da visão de um homem, o Czar Pedro, o Grande, que mandou construir a cidade e fez dela a capital do império, estatuto que manteve por cerca de 200 anos, à exceção de um pequeno interregno. E assim, onde em tempos existia uma região pantanosa, nasceu a capital de um país que se começava a afirmar como uma potência naval e um ator político na Europa. Mas São Petersburgo é também uma homenagem viva à tenacidade de milhares de pessoas anónimas que ajudaram a erguer a cidade.

Para além do inestimável património arquitectónico e cultural, a segunda maior cidade russa beneficia também de um cenário natural encantador. Desde logo, por ser banhada pelo rio Neva, que nos meses de inverno proporciona um cenário ainda mais romântico e inspirador. Depois, por ser composta por um considerável número de ilhas localizadas no Golfo da Finlândia. Finalmente, por  se encontrar abaixo do Círculo Polar Ártico, ser palco das famosas noites brancas, quando entre os meses de Maio e Julho, o crepúsculo dura toda a noite e se pode assistir ao fenómeno natural do “sol da meia-noite”.

Estádio Krestovsky
Krestovsky Stadium © Pisotckii | Dreamstime.com créditos: Dreamstime

Estádio Krestovsky: Começou a ser construído em 2008 e deve o nome à ilha onde está situado, embora  seja também conhecido por Zenit Arena, por se tratar da casa do Zenit de São Petersburgo. Em 2017 recebeu a Taça das Confederações. Para a realização de jogos de futebol dispõe de uma capacidade de 68 mil espetadores mas no caso de se tratar de um concerto, consegue acomodar até 80 mil. A exigência da FIFA para que os jogos se realizem a céu aberto obrigou a dotar este estádio de uma cobertura móvel, já que os invernos em São Petersburgo são rigorosos e é comum os termómetros marcarem temperaturas negativas. Com uma resistente cúpula de plástico é possível manter uma temperatura de 15 graus celsius no interior do estádio, mesmo nos dias mais frios.

Hermitage
Hermitage, St. Petersburg © Dimbar76 | Dreamstime.com créditos: Dreamstime

Museu Hermitage: É um dos maiores museus do mundo! Localizado num gigantesco complexo de seis edifícios, a sua coleção teve início em 1764 quando a Czarina Catarina adquiriu as primeiras obras de arte que viriam a fazer parte do espólio do museu. Para acomodar a sua coleção de arte mandou construir um edifício numa extensão ao Palácio de Inverno. Mas à medida que a coleção ia crescendo, Catarina, a Grande, foi encomendando mais e mais extensões. Amante das artes, a imperatriz queria que a sua coleção fosse capaz de rivalizar com qualquer grande museu da Europa ocidental, ao mesmo tempo que passava a imagem de que a Rússia era um país moderno e civilizado. Com a morte de Catarina, a coleção continuou a crescer graças ao esforço de vários Czares que continuaram a apostar no seu legado. E em 1852 o Hermitage abriu, pela primeira vez, ao público. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando a cidade esteve sob cerco, a coleção de arte apenas sobreviveu porque havia sido transferida para fora de São Petersburgo. Por se encontrar no edifício que originalmente servia de residência à família imperial durante os meses de Inverno – o Palácio de Inverno - o museu tem ainda o valor acrescido de se poder visitar muitas das salas e dos sumptuosos aposentos que acolhiam os Czares russos.

 Catedral do Sangue Derramad
Church of the Savior on Blood © Leonid Andronov | Dreamstime.com créditos: Dreamstime

Catedral do Sangue Derramado: Foi mandada construir pelo Czar Alexandre III em homenagem ao seu pai que havia sido assassinado naquele local. Mas como a construção durou de 1883 a 1907, Alexander III nunca chegou a vê-la concluída. Com a Revolução Bolchevique esteve em risco de ser demolida, uma vez que era um símbolo dos Czares, mas acabou por ser encerrada e servir de armazém. Só com a dissolução da União Soviética é que readquiriu o seu carácter religioso, ao mesmo tempo que funciona como um museu de cerâmica, exibindo significativos exemplares desta arte integrada na arquitetura russa.

Praça do Palácio: Esta praça monumental é o coração de São Petersburgo. De um lado o Palácio de Inverno, que dá nome à praça, e que hoje alberga o Museu Hermitage. Do outro, o magnânimo edifício da Sede do Corpo da Guarda, erguido no século XIX, cuja fachada mede 580 metros. É composto por duas alas separadas por um arco triunfal decorado com esculturas de vários artistas russos celebrando a vitória na Guerra Patriótica de 1812, durante a qual o país derrotou Napoleão. Atualmente a ala oeste do edifício pertence ao Distrito Militar Ocidental e a parte este pertence ao vizinho Hermitage, acolhendo exposições temporárias. No centro da praça encontra-se a Coluna de Alexandre, sendo a mais alta do mundo, dentro do género, com 47,5 metros.

Fortaleza de São Pedro e São Paulo
Peter and Paul fortress © Oleg Doroshin | Dreamstime.com créditos: Dreamstime

Fortaleza de São Pedro e São Paulo: É a origem de São Petersburgo, onde surgiu a cidadela primitiva que serviu de ponto de partida à cidade que hoje conhecemos. Localizada na ilha de Hare, foi projetada por Pedro, o Grande juntamente com o engenheiro francês Joseph de Guerin em 1703. Mais tarde, serviu de prisão, sendo que o primeiro cativo foi o filho do próprio Czar, acusado de conspirar contra o pai. Mas houve muitos outros prisioneiros famosos como os escritores Dostoyevsky e Gorky ou os políticos Bakunin e Trotsky. Hoje, a maior parte da cidadela é propriedade do Museu Estatal de São Petersburgo e há muito para visitar. A catedral, onde estão sepultados Czares como Pedro, o Grande, ou Alexandre III; o Bastião Trubetskoy, que era a antiga prisão política; o museu da cidade; ou a casa do comandante. Um aspeto curioso são as praias no exterior da fortaleza, muito populares no Verão, mas também no Inverno quando é possível ver alguns corajosos a banharem-se nas águas frias do Golfo da Finlândia através de buracos no gelo!

Peterhof
Peterhof, St Petersburg © Sborisov | Dreamstime.com créditos: Dreamstime

Nos arredores da cidade: Muito mais há para ver em São Petersburgo, a lista é imensa, mas não podemos deixar de mencionar que nos arredores da cidade, a poucos quilómetros, há outros pontos de interesse que merecem uma visita. Peterhof, que significa “a corte de Pedro” é um imenso complexo de palácios e jardins conhecido como  “Versailles russo”. Esta seria a casa de veraneio de Pedro, o Grande, uma ideia que surgiu depois das várias viagens que fez para o ocidente, nomeadamente a Versailles. Projetado pelo arquiteto Jean Baptist LeBlond, foi baseado no esboços realizados pelo próprio Czar. Apesar de ter sido saqueado pelos Nazis durante a Segunda Guerra Mundial e ter perdido grande parte da sua riqueza, continua a surpreender pelo seu esplendor.

O Palácio de Catarina começou como uma pequena casa de pedra projetada pela esposa de Pedro, o Grande, Catarina I. Terá sido depois a sua filha, Elizabeth, amante da exuberância e da riqueza, que em 1752 mandou demolir a antiga casa e construir um grande palácio em estilo barroco rococó. Para dourar a fachada e as inúmeras estátuas do telhado foram usados mais de 100 quilos de ouro. Mais tarde, quando a Czarina Catarina chegou ao poder, remodelou o palácio, que considerava demasiado opulento, num estilo neoclássico.

Palácio de Alexandre: Foi encomendado pela imperatriz Catarina, a Grande, para o seu neto favorito e futuro Czar Alexandre I, aquando do seu casamento. Construído em 1796 foi a casa de Alexandre I até que este assumiu o poder, altura em que ofereceu o palácio ao seu irmão, futuro Nicolau I. No entanto foi Nicolau II, o último Czar, quem mais usufruiu do palácio e efetuou grandes reformas. Quando a Revolução Bolchevique rebentou a família imperial ficou impedida de sair do palácio, obrigada a realizar tarefas domésticas e trabalhando nos jardins. No entanto, o líder do governo provisório acabou para os enviar para a Sibéria.  Durante a Segunda Guerra Mundial foi ocupado pelos Nazis, mas ao contrário de outros palácios incendiados, quando a Alemanha se retirou derrotada, o Palácio de Alexandre foi poupado de tal destruição. Atualmente é um museu que permite ter um vislumbre sobre como vivia a poderosa monarquia Romanov antes da queda dos Czares e do Império Russo.

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