Gosto de ti tal como és, embora reconheça aqui alguma condescendência da minha parte — na verdade, não me importaria que algumas das tuas áreas públicas e quartos passassem por uma remodelação. O facto é que, de um modo geral, gosto da tua patina. E como ainda estás aí para as curvas, não tive grande dificuldade em reunir 13 razões (deixemos as superstições de lado) para te amar — e querer voltar.

*Adoro o rosa-flamingo das tuas paredes combinado com o cinza das portadas.

*Adoro o facto de teres conservado até hoje os caminhos empedrados com seixos.

*Adoro passear sem horas pelos teus relvados e jardins, suspensos sobre os penhascos sobranceiros ao mar, e aprender mais sobre espécies de que nunca tinha ouvido falar: como a vinha de jade ou o cato Cereus (que só floresce uma vez ao ano, numa noite de verão, libertando um aroma no mínimo inebriante).

*Adoro a tua localização, no topo de um penhasco, rodeado pelo azul-profundo do oceano, tanto que, quando te olho de certos ângulos, é incontornável a comparação com a Costa Almafitana em Itália — o melhor é que estás mais perto, és mais barato e és nosso.

*Adoro espreitar logo pela manhã, quando salto da cama para correr as cortinas, como está o tempo e se há ou não muitas nuvens a pairar no cimo da montanha.

*Adoro ter celebrado, há um ano, o meu aniversário aí, ainda mais porque tive direito a um bolo de aniversário feito pela equipa do chef Joachim Koerper (o alemão mais português que conheço, à frente do Eleven, uma estrela Michelin em Lisboa e no Rio de Janeiro) — essa foi, aliás, também a sua noite de estreia como consultor gastronómico do William Restaurant.

*Adoro a vista que se tem de cima sobre as duas piscinas exteriores, daí que, sempre que estou na sala de pequenos-almoços, me sinta tentado a repetir a mesma foto.

*Adoro receber as boas-vindas, à chegada ao meu quarto, com miniaturas do Bolo de Mel.

*Adoro poder ficar sozinho a apanhar banhos de sol nos terraços que descem até ao Atlântico e mergulhar diretamente no mar.

*Adoro que quando estou nas piscinas a minha maior dúvida existencial seja se devo optar pela maior (com água salgada e à temperatura de 26ºC)  ou pela menor (com água fresca e à temperatura de 30ºC).

*Adoro a tua geografia tortuosa e nada óbvia, mesmo que isso implique perder sempre algum tempo no reconhecimento dos corredores infindáveis e a aceitar a evidência de que o quinto andar é, na verdade, o andar principal.

*Adoro jantar na Villa Cipriani. Não tanto pela comida, confesso, e mais pelo facto de poder ficar sentado no exterior, com uma vista soberba do flanco ocidental do hotel que me faz sentir numa comédia romântica.

*Adoro tomar o chá da tarde na tua varanda principal. É o cenário perfeito, com o chão de mármore aos quadrados brancos e pretos e cadeirões de vime, para não falar no requinte de tudo servir, do chá às sanduíches, bolos e scones (e o que é aquele creme de natas batidas? divino), em porcelana e prata.

Parabéns, Reid’s! E que venham mais 125 — no mínimo. 

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Belmond Reid’s Palace | Portugal, Estrada Monumental 139, Funchal. Diárias a partir de €315/noite

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