João Perre Viana criou as Walking Mentorship, um conceito que o levou quase 20 anos a preparar. Apoiado por pesquisas e centenas de passeios com a família, amigos e amigos dos amigos, João começou a promover estas caminhadas que levam os participantes a ter um contacto direto com a natureza com base numa filosofia de autoconhecimento.

Hoje conta-nos a sua experiência com uma das caminhadas ao Alqueva, que fez com um grupo de 10 participantes.

Walking Mentorship no Alqueva

Os meados de outubro no Alentejo em regra já não são tão quentes e os dias embora já se notem ser mais curtos têm a beleza única do meio caminho entre o verão e o inverno. No outono de 2018, o programa de Walking Mentorship no Alqueva reuniu 10 participantes de seis nacionalidades diferentes. A viagem até Mourão foi feita como de costume alternando os ocupantes das viaturas de forma que ao chegarmos já não fossemos totalmente estranhos.

Este fim de semana tinha no grupo dois Alumni de anteriores programas o que é sempre um descanso para o espirito e para o meu corpo. No entanto, achei curioso que um dos “veteranos” tivesse vindo com um calçado perfeito para um passeio de barco, não tinha ideia que fossemos velejar nos próximos dias, mas poderia ter sido distração minha ou então um novo modelo que desconhecia.    

As atividades no início de qualquer programa são sempre um desafio para alguém que acredita ser introvertido. Neste caso, é ainda mais difícil para mim, pois para além de ter que falar com clareza tenho de "sentir” qual o momento atual de cada pessoa e tentar canalizar toda essa energia para um mesmo ponto. Ponto esse quase sempre situado no coração de cada um.

walking Mentorship Alqueva
créditos: João Perre

Aproveitar o “planetário” natural dos céus noturnos do Alqueva para desacelerar a mente e o corpo

Após a nossa refeição, reunimos para lançar o primeiro exercício. O que iríamos fazer naquela noite, podia dividir-se em dois grandes momentos. Por um lado, aproveitar o “planetário” natural dos céus noturnos do Alqueva para desacelerar a mente e o corpo, um processo fundamental para podermos entrar em modo de escuta. Depois, iríamos questionar e direcionar o nosso foco para um tema central no qual gostaríamos de investir o nosso tempo nos dias seguintes. Seria com base nesta pergunta que iríamos orientar a reflexão subsequente. Para depois com algum trabalho mental à mistura e um par de boas caminhadas, tentar aproximar-nos de uma resposta que levasse à ação.      

A manhã seguinte começou fechada, a neblina matinal sobre o grande lago na nossa frente parecia fazê-lo terminar poucos metros mais adiante, à semelhança de alguns dos desafios na nossa vida. A primeira caminhada do dia convidou cada um a alternar momentos de reflexão em silêncio com a oportunidade de partilhar andando em pares. Coincidência, ou não, o dia levantou de mão dada com o que estávamos a tentar fazer. Na parte final da manhã, tudo se tinha tornado azul ao nosso redor. O céu e a água era como se fossem feitos de uma só matéria.

Não poderia pensar em melhor analogia para explicar o que sentimos quando conseguimos alinhar o nosso propósito de vida com as nossas ações. Não é um exercício fácil de fazer, especialmente se a ideia de não conseguirmos ver o que está na nossa frente nos assusta. Mas quando o “nevoeiro” levanta, tudo faz mais sentido e algumas das respostas fundamentais aparecem na nossa frente.

walking mentorship alqueva
créditos: João Perre

"O último do dia dos programas é sempre o primeiro dia de uma vida mais responsável e intencional"

Um dia bom é quando me apercebo que todos conseguimos avançar. Quando levamos as nossas dúvidas a “passear” é possível clarificar os possíveis caminhos a fazer ou pelo menos decidir que faz sentido continuar a busca de uma melhor versão de nós próprios, e isso só, é um dos milagres da nossa existência que está ao alcance de todos.

A noite trouxe-nos um céu um pouco diferente. Quando saímos para a nossa segunda caminhada noturna, estávamos já todos confortáveis com o chão que pisávamos. É maravilhoso ver um grupo de pessoas adultas respirar da mesma forma que o faziam antes de terem acreditado que quando crescemos temos de parecer diferentes.

Os sons nas minhas costas reforçaram a minha razão de ser, confirmando que quem caminhava a  alguma distância de mim estava simplesmente feliz. Iríamos dormir como sempre se deve dormir, em paz. O último do dia dos programas é sempre o primeiro dia de uma vida mais responsável e intencional, e este não foi diferente. Saímos já a sentir as saudades do futuro.

walking mentorship alqueva
créditos: João Perre

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