É próximo do centro interpretativo, da Casa das Pedras Parideiras que melhor percebemos o que significa “pedras parideiras”. Vemos uma enorme rocha granítica e reparamos de imediato em nódulos pretos, em forma de disco, que se destacam pelo contraste com a cor clara da “pedra mãe”.

Pedras Parideiras
créditos: andarilho.pt

“É um granito, abundante no Norte do país. No entanto, na aldeia da Castanheira é muito especial porque é o único que conhecemos, até ao momento, que tem uma concentração anormal de minerais de mica preta. São os pontinhos de cor negra que nós vemos em todos os granitos e que aqui estão concentrados e formam um nódulo de cor preta em forma de disco.”

Pedras Parideiras
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Seguimos ainda a explicação da geóloga Alexandra Paz, do Arouca Geopark, “o tamanho dos discos varia muito. Entre os 5 aos 12 centímetros. São discos biconvexos e de cor escura.

Pedras Parideiras
Alexandra Paz, geóloga do Arouca Geopark créditos: andarilho.pt

Curiosamente se cortarmos um nódulo não temos só a mica preta, o biotite. Temos também os outros minerais do granito, o quartzo (que é branco), o mineral de feldspato e também a mica branca, que podemos chamar de moscovite. Há ainda minerais prateados que vemos a brilhar nas rochas graníticas e que está presente, embora mais visível em microscópio petrográfico.”

Esta rocha estende-se por uma área de cerca de 1km2 e fica ao lado da povoação. Como o fenómeno não é recente, deve ter milhares de anos, intrigou a população que, sabiamente e de uma forma simples, classificou o caso.

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“Pedras que estão a parir pedras”.  Os nódulos eram “encontrados nos campos pelos pastores e pelos habitantes da aldeia que não sabiam explicar porque é que os discos biconvexos apareciam soltos. Não tinham explicação para isso, e então, acharam que esta eram rochas especiais.”

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Como as pequenas pedras brotavam da rocha, “chamaram-na de pedra parideira . Ao granito chamam pedra mãe, que dá à luz, e aos nódulos as pedras filhas. Foi algo que foi ficando de geração em geração. A primeira referência escrita é do século XVIII em que um padre descreveu o que as pessoas diziam. Que eram pedras que, em certos meses do ano, lançavam outras pedrinhas. Eles já percebiam que havia alguns meses em que encontravam mais nódulos.”

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Hoje, com o desenvolvimento da ciência, o conhecimento do fenómeno mantém a tipificação popular, mas com outros nomes. “É a ação do calor. Estamos em montanha, os verões são quentes, secos e com temperaturas elevadas.

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O calor faz-se sentir no nódulo que é escuro da mica preta em relação à sua matriz envolvente que é de cor clara. Por outro lado, o inverno na serra da Freita tem gelo e queda de neve e a ação do gelo dá uma ajuda primordial para os nódulos se destacarem.  Claro que todos os outros agentes erosivos vão atuando, contribuindo para que os nódulos se soltem. Mas a ação do calor, a que chamamos de termoclastia, e a do gelo, designada de crioclastia, são os fatores primordiais e que mais contribuem para que estes nódulos se soltem.”

Pedras Parideiras
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Podemos ver vários exemplares no interior do centro interpretativo e verificar de modo direto na rocha que está na encosta. Percebemos melhor o fenómeno com a variação da luminosidade, com a grande variedade de nódulos em formação e com as cavidades que ficam na rocha após os discos se soltem.

Pedras Parideiras
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Alexandra Paz recomenda que “as pedras parideiras devem ser observadas também em zonas com a rocha mais fresca”. Como sucede na Casa das Pedras Parideiras que tem ainda “amostras em que o granito está com uma tonalidade mais clara. As amostras estão mais protegidas do sol, da chuva e do gelo e não se alteraram tanto com os agentes erosivos nem as comunidades biológicas se foram instalando e cobrindo um pouco o que é a caraterístico destas rochas”.

Pedras Parideiras
Castanheira vista do radar do IPMA créditos: andarilho.pt

Alguns populares têm também exemplares das pedras filhas, mas o número vai escasseando em comparação com algumas décadas atrás. “Ao longo dos anos são cada vez menos as que vão sendo encontradas porque de onde sai um nódulo e depois fica uma cova, uma depressão, não vai sair mais nenhuma.

Pedras Parideiras
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Aquelas rochas, como muitas outras, já estão formadas há muito tempo. Há 320 milhões de anos. A rocha já está formada há muito tempo. Por isso, as Pedras Parideiras é um geossitio de relevância internacional e um dos que sustenta também a classificação de Arouca como um Geoparque da Unesco.

Pedras Parideiras
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A Casa das Pedras Parideiras funciona todos os dias. “Nas áreas exteriores as pessoas podem circular à vontade. Aconselhamos que visitem o centro de interpretação no horário de funcionamento onde podem obter informação sobre as pedras parideiras, nomeadamente no auditório através de um filme 3D. Explicamos todas estas dinâmicas e a história das rochas com maior detalhe.”

Pedras Parideiras
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A Casa pode servir também de ponto de partida para uma ida ao miradouro do radar do IPMA que tem uma vista deslumbrante. É igualmente interessante dar um passeio pela aldeia e observar deste lado a encosta a cascata da Frecha de Mizarela.

Pedras Parideiras
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Oferece uma perspetiva de maior profundidade do que no miradouro da Mizarela.

Calafate
sombreros créditos: andarilho.pt

Um fenómeno semelhante pode ser observado em alguns rochas próximo de Calafate, na Patagónia. As formações são chamadas de sombreros por terem um formato parecido com o chapéu mexicano.

Pedras Parideiras
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As pedras parideiras reproduzem pedras filhas sem haver pedras pai faz parte do programa da Antena1 Vou Ali e Já Venho, e a emissão deste episódio pode ouvir aqui.

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