Faz mais de três meses que estou em confinamento absoluto, já perdi duas viagens e a cabeça não funciona como deve de ser. A ideia de sair de casa parece-me ótima, mas mais ainda Trás-os-Montes, que eu (ainda) não conheço.

A ideia prende-se na recém-criada Grande Rota do Douro Internacional (GR36). Quanto mais leio, melhor me parece: vemos outro país (do outro lado do Douro), falamos outra língua (o mirandês), convivemos com fauna e flora protegidos, chegamos até a ativar o roaming no telefone. Já para não falar na riquíssima gastronomia transmontana e das suas milenares tradições e histórias pagãs. Tudo, no Nordeste de Portugal.

A pé pelo Douro Internacional e de Comboio pelo Douro Vinhateiro
Mensagem de boas vindas a Portugal e a tradicional Posta Mirandesa créditos: Tânia Neves

A versão “crónica” desta aventura será desdobrada em vários artigos no meu blog pessoal, mas aqui deixo-vos a apresentação daquela que é para mim, uma das melhores escapadinhas de Portugal, e as razões que a tornam imperdível.

Os miradouros do Douro

Foi em 2018 que a Associação de Municípios do Douro Superior deu por concluído o projeto da Grande Rota do Douro Internacional e do Douro Vinhateiro (GR36), com cerca de 177 quilómetros que unem Paradela a Foz Côa, cruzando planaltos e passando por diversas aldeias, com vários acessos a miradouros pitorescos das falésias do Douro.

Ao longo de toda a rota, os planaltos transmontanos estão a cerca de 700 metros de altitude, e as escarpas para o Douro a cerca de 150 metros. Esta fronteira natural que nos separa de “nuestros hermanos” serpenteia entre montes, presenteando-nos com alguns miradouros de paisagens incríveis.

Vista de um miradouro sobre o Douro Internacional
Vista de um miradouro sobre o Douro Internacional créditos: Tânia Neves

O Mirandês

Em Miranda do Douro fala-se o Mirandês, reconhecida desde 1999 como a 2ª língua oficial de Portugal. Toda a sinalética e topónimos desta região são bilingues. O site oficial de Miranda do Douro dá-nos mais informações sobre este legado Mirandês, que podem explorar em mirandadodouro.com.pt/mirandes-apresentacao/

Nomes das ruas em Mirandês e Picote
Nomes das ruas em mirandês e Picote créditos: Tânia Neves

O Burro Mirandês

Paragem mais que obrigatória é virem conhecer o Centro de Valorização do Burro de Miranda, em Atenor, uma associação que tem feito um trabalho divertido mas exímio, com o intuito de proteger mas também de promover esta raça de burro tão peculiar.

Os burros de Miranda constam na lista de animais ameaçados de extinção, pelo que parte do trabalho da AEPGA (Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asínio) passa também pela criação e gestão de um banco de DNA da raça, além da promoção e sensibilização junto dos proprietários e do público em geral.

A AEPGA também promove inúmeras atividades com crianças, e suporta outros tantos locais do país, por isso é possível encontrar alguns burros de Miranda que são acompanhados por esta entidade, noutros pontos do país.

É impossível não sair da AEPGA sem querer adotar um burro! A entidade é muito ativa nas redes sociais também, e pontualmente até podemos ajudar a escolher nomes para os novos bebés. Este ano, é o ano da letra Q, e já nasceram a Quinoa, o Quartzo e o Quebra-Nozes... há uma pequenita recém-nascida que à data da escrita deste artigo continuava sem nome, e eu sugeri nomes para ela: Querida, Quarta ou Qalinda!

Originalidade é o que não lhes falta, pois temos burros com nomes tão criativos como B de Burra, D. Quixote, Obama ou Golfinha.

 Cultura Tradicional

No ano em que os Pauliteiros e Gaiteiros de Miranda são candidatos a Património da UNESCO, é impossível não ressalvar este ponto a considerar nas visitas ao Nordeste! Marco imprescindível da cultura local, a cidade de Miranda do Douro até lhes presta a devida homenagem com uma escultura no centro da cidade.

Estátua de homenagem aos Pauliteiros de Miranda
Estátua de homenagem aos Pauliteiros de Miranda créditos: Tânia Neves

Passado Milenar

Das coisas mais bonitas desta zona, são as tradições pagãs, popularizadas pelos Caretos de Podence (com o seu epicentro em Macedo de Cavaleiros), mas celebrados por todas estas pequenas aldeias de formas mais ou menos parecidas, entre a altura do Natal e Fevereiro.

Entre os mais conhecidos estão os de Bruçó e os de Bemposta.

Bemposta
Bemposta créditos: Tânia Neves

Alojamentos para todos os gostos

Alojamentos é o que não falta ao longo da GR36, já que muitas das aldeias têm algumas das suas habitações agora convertidas ao alojamento local. Além dos AL, também há parques de campismo – que oferecem além dos espaços para as tendas, confortáveis bungalows privados, totalmente equipados.

Os bungalows do Paque de Campismo de Miranda do Douro
Os bungalows do Paque de Campismo de Miranda do Douro créditos: Tânia Neves

Regresso de comboio pelas margens do Douro Vinhateiro

A mais bela rota ferroviária de Portugal, é sem dúvida, a linha do Douro. Quem faz a GR36 de Paradela a Foz Côa, pode optar por fazer o regresso ao Porto de comboio, já que o Pocinho – estação terminal da linha – fica a menos de 10kms de Vila Nova de Foz Côa.

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