Chegámos à cidade pelos caminhos debaixo da cidade, é o seu subsolo, onde passámos uma boa parte do tempo, que nos leva onde queremos. É impressionante a cidade que existe debaixo da cidade.

Subimos, olhámos para cima à procura do sol, há uma camada que o cobre; sabemos que está lá, conseguimos senti-lo mas, na maioria das vezes, não o vemos!

Se os caminhos do metro são de uma afluência que apenas podemos comparar ao São João do nosso Porto, em cima não melhora. O som das buzinas faz-se acompanhar de qualquer trajeto, é um ruído de fundo que nunca para.

Estávamos no nosso primeiro dia, acabados de chegar, tentávamos perceber porque buzinam: atentos a todos os movimentos. Em vão, rapidamente constatámos: buzinam porque sim, faz parte da condução, julgo que uma mão ao volante e a outra na buzina. Buzinam mesmo quando não têm ninguém à frente, buzinam mesmo quando não há ninguém na passadeira. Buzinam, buzinam, buzinam!

Após seis dias já quase não nos apercebemos. Os ouvidos habituam-se: buzinam e nós não ligamos, não ouvimos, mas trazemos esse som connosco, mesmo no silêncio da noite - já deitados - ainda conseguimos ouvi-las (não as do lado de fora da janela) mas as que ficaram guardadas na memória dos nossos ouvidos. E se estes últimos foram de fácil adaptação, o mesmo já não podemos dizer dos olhos: os carros não param na passadeira e, ainda hoje, já com uma semana de Pequim nestes seis olhos que temos, os mesmos continuam a encher-se de surpresa quando, na abertura do verde para os peões os comportamentos se mantêm, os condutores continuam a circular, num movimento de buzina contínua, como se os carros apenas funcionassem ao som dos beep beep – qual combustível sonoro. Portanto, quando abre o sinal verde para os peões atravessarem as leis são: a do salve-se quem puder e a do pernas para que te quero, por isso, é dar corda aos sapatos que em Pequim ainda somos pequininos (neste caso, acabados de chegar) mas já fazemos como vemos fazer, ou não sairíamos do lugar.

E enquanto nós vemos Pequim os Pequinenses vêem-nos, vêem-na, acolhem-nos na diferença e repetem-se em olhos curiosos e expressões e palavras doces - que recebemos como votos de boas-vindas.

Curiosidades:

#1 A comida é deliciosa, de uma riqueza e diversidade que até hoje não sabíamos existir. Sempre dissemos que esta viagem seria também uma viagem aos sabores ou perderíamos uma parte da experiência. Fizemos amigos locais – a Alex e o Jin (estes são os seus nomes ingleses, mais fáceis de pronunciar e escrever do que os chineses) que nos têm proporcionado experiências gastronómicas que ainda estamos a digerir, mas que prometemos retribuir quando nos visitarem no Porto. Sim, falaremos sobre comida mais à frente!

#2 Nos primeiros dias, na ‘nossa’ casa em Pequim, percebemos que a luz do hall de entrada do prédio, que iluminaria a fechadura e nos ajudaria a abrir a porta (que ainda não conhecemos bem), nunca funcionava connosco. Agora já funciona, descobrimos que é pelo som, e não pelo movimento: é ver-nos a bater o pé ou a falar alto e faz-se luz! Como descobrimos isto? Vimos a Alex bater o pé, a luz a acender-se e, claro que, também a vimos rir-se do nosso olhar surpreendido – ela sabe-o desde menina pequenina, como a Mia.

#3 Falar alto e cuspir para o chão é-lhes natural, fazem-no com a mesma naturalidade com que nós não o fazemos!

#4 Os bebés andam com roupa com um furo no rabo e à frente, para se poderem libertar de tudo, literalmente tudo!

#5 São poucos os que percebem inglês. Vamos dedicar-nos à aprendizagem do mandarim, e a Menina Mundo já sabe algumas palavras!

#6 Acho que vamos ter saudades de Pequim: os três!

Este artigo foi originalmente publicado em Menina Mundo

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