A partir de algumas sondagens que fiz sobre os nossos portugueses que estão atualmente a residir noutro país, interessou-me particularmente um caso. Fez-me palpitar o coração, na verdade. Trata-se uma jovem portuguesa que, como muitos emigrantes, está fora do seu país a estudar. E decidiu, com 21 anos, não vir este Natal a Portugal. Tem a mãe e avó à sua espera, mas apesar da dor da saudade (é que a saudade, por si só, escanzela a dor da separação) sentiu que não deveria vir por risco de contágio. Afinal tem uma avó e deseja tê-la por muito tempo.

A Laura Abreu estuda na University for the Creative Arts em Farnham, Surrey, em Inglaterra e este é o seu primeiro Natal longe da família. Decidiu conscientemente que não deve apanhar a boleia típica do avião, apesar do curto voo, e abraçar a família cá. E a isso junta-se a passagem de ano que também já teve de interiorizar como algo menos festivo e sem a sua família. Esta portuguesa sentirá as doze badaladas longe daqui, embora na companhia do namorado que, lá, também decidiu o mesmo. Ambos portugueses.

Surrey é muito bonito, contudo Portugal acena a sua bandeira nestes corações. E nenhum dos leitores ficará indiferente a isto! A decisão estará a passar por muitas famílias portuguesas que terão de festejar o Natal com menos pratos à mesa? E o novo 2021 será gritante… em videochamada? Não sei se será o caso para a maioria dos emigrantes, mas possivelmente é esta uma das escolhas mais acertadas que aqui trago como conselho de Natal de 2020 em época COVID-19. A Laura contou-me que a cada dia está a custar mais o efeito da decisão que tomou: não vir a Portugal numa altura que significa família.

Esta nossa menina emigrante decidiu pela sua segurança também, pelos voos, pelas interações desde que sairia de UK até à casa da mãe. Ela confessa que é uma “decisão dolorosa emocionalmente”, mas que pesou mais o facto de ter paz em saber que (esperemos só este Natal) estará ela, a família e o namorado protegidos da COVID-19 sem riscos maiores de infeção. Sobretudo relembra a avó. Mas tal como o frio britânico, à medida que se aproxima a data …mais aperta a saudade da família e dos amigos cá. No caso da Laura, ela tem a companhia do namorado. Qual é o seu caso, aí longe de nós, se estiver sozinho(a)? Conte-me. Mas lembre-se, estamos aqui consigo, eu e o SAPO. Viajamos até si todos os dias!

A nossa estudante portuguesa em terras da Coroa tem laços de amizade com três pessoas portuguesas, além do seu namorado. O que sabemos é que de todos eles, apenas uma pessoa viajará até Portugal para festejar o Natal. E sobre viajar para Portugal para esta altura, preços? Quis saber e ela logo me elucidou que estão avultadíssimos e isso não é por causa da pandemia. O conselho de sempre: compre com antecedência! Mas se o Natal antes era certinho no destino dos emigrantes, pela primeira vez deixou de o ser. E ela tinha comprado o bilhete, mas não seguirá caminho.

A história de pessoas como a Laura, os nossos emigrantes mais jovens portugueses, continua no próximo artigo! Queremos saber como será a ceia dos emigrantes nos seus lares, longe da nossa árvore de Natal. Deste lado, aqui da ponta mais ocidental da Europa nós deixamos uma carta ao Pai-Natal: por favor que os nossos emigrantes saibam que estamos com eles no Natal que se avizinha e que haja saúde. A distância é só física!

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