Vestígios arqueológicos provam que Ibiza era já habitada durante a Idade do Bronze por povos de origem ibérica. Entretanto, chegaram à ilha os fenícios e depois os gregos. Foi centro de piratas, domínio muçulmano e alvo da Guerra da Sucessão da Coroa Espanhola. Já no século XX, mais precisamente na década de 60, tornou-se num destino turístico muito apreciado pela geração hippie. Se quer conhecer melhor a história de Ibiza, tem mesmo de visitar a zona velha da cidade.

À descoberta da cidade alta

O outro lado de Ibiza
créditos: Belinda Fewings/Unsplash

Deixe a praia e as festas para depois e deixe-se seduzir pelo centro histórico de Ibiza. Em Dalt Vila, que significa ‘cidade alta’, espera-o um verdadeiro labirinto de ruas estreitas cercado de muralhas que reflete bem a marca das civilizações que passaram por este porto do Mediterrâneo. Património da Humanidade desde 1999, esta zona da ilha merece uma visita demorada, tantos são os seus pontos de interesse. Equipe-se com calçado confortável e prepare-se para uma subida algo exigente, mas altamente compensadora. Pelo caminho até ao topo do centro histórico, vale a pena prestar atenção às casas caiadas e às buganvílias de cores vivas.

O outro lado de Ibiza
créditos: Andy Flatman/CC BY 2.0

Muitas fotografias depois chega à Catedral de Nossa Senhora das Neves. Também conhecida como Catedral de Eivissa, foi construída durante o século XIII no lugar antes ocupado pela mesquita de Yebisah. Resultado de uma promessa das tropas catalãs ao conquistarem Ibiza, começou por ser em estilo gótico inicial, mas acabou por adotar traços barrocos quando foi reformada no século XVIII. A caminho da Catedral, vale a pena fazer uma pausa na caminhada e conhecer a Capilla de San Ciriaco, um pequeno templo consagrado ao padroeiro da cidade, que passa facilmente despercebido aos visitantes menos atentos.

No alto de Dalt Vila encontra ainda o Castelo de Ibiza, sede do governo da ilha durante praticamente toda a sua história. Apesar de datados dos séculos XVI e XVIII, os edifícios do castelo foram erguidos sobre construções muçulmanas. Mesmo ao lado, encontra-se a Almudaina. Sede administrativa e militar, destaca-se pelas suas nove torres em formato quadrangular. Tire ainda alguns minutos para conhecer outra zona do castelo: a Torre del Homenaje, construída depois da conquista da cidade no século XVI e usada como elemento defensivo.

Museus a não perder

O outro lado de Ibiza
créditos: Nano Sanchez/DP

Junto da Catedral está o Centro de Interpretação Madina Yabisa. Instalado do edifício da antiga cúria, este pequeno museu conta um pouco da história da presença muçulmana na ilha. Entre as peças, encontram-se parte da muralha islâmica e duas das torres que protegiam a cidade e o porto entre os séculos XI e XVI. Não deixe também de assistir ao espetáculo multimédia, o maior ponto de interesse do espaço. A incluir na visita a Dalt Vila é ainda o Museu Puget, que deu nova vida a uma casa senhorial conhecida por Can Comasema por ter sido o palácio da família de origem maiorquina com o mesmo nome durante o século XIX. Este espaço, que remonta possivelmente ao século XV, alberga hoje 130 pinturas Puget Viñas e Puget Riquet, pai e filho que retrataram a óleo e aguarela a vida de Ibiza desde o início até meados do século passado.

Siga até Puig des Molins, local escolhido pelos fenícios para sepultar os seus mortos. Na Necrópole Púnica, protegida pelas autoridades espanholas, podem admirar-se ainda cerca de trezentos dos três mil túmulos que aqui existiram. Muitos dos objetos vindos das escavações arqueológicas podem agora ser admirados no Museu Arqueológico de Ibiza e Formentera. Entre as peças estão colares, amuletos, moedas e utensílios de bronze, mas também uma impressionante coleção de ovos de avestruz decorados e um busto da deusa Tanit, que se transformou num verdadeiro símbolo de Ibiza.

Compras e sabores

O outro lado de Ibiza
créditos: Eduardo Casajus Gorostiaga/Unsplash

Entre um monumento e um museu, nada como conhecer Ibiza através dos seus souvenirs. Para além de feiras e pequenos mercados, a cidade alta oferece lojas onde pode encontrar alguns dos ex-libris da libra. Da lista faz parte o Hierbas Ibicencas, um licor à base de anis produzido localmente, que leva ervas como o rosmaninho e o funcho. A cor da bebida varia entre o âmbar e o esverdeado e o teor alcoólico entre 24% e 40%. Encontrará assim diversas opções, com sabores variados. É só escolher. Outro produto típico é o sal marinho, também conhecido como ‘cristal de la vida’. Da família da flor de sal, distingue-se pela embalagem azul-turquesa, que fica bem em qualquer cozinha ou mesa. Caso prefira peças para o guarda-roupa, deixe-se conquistar pelo vestuário artesanal caraterístico da ilha, que faz ainda mais sucesso quando acompanhado por acessórios feitos com conchas, madeira ou pedras. Como as compras nunca são demais, leve para casa uma (ou mais!) peça de cerâmica bem colorida e com motivos da ilha.

O outro lado de Ibiza
créditos: Luc Vlekken/Unsplash

A caminhada por Dalt Vila cansa até o mais atlético, por isso nada como repor as energias com uma refeição típica num dos restaurantes da zona histórica. As sugestões são mais do muitas, com destaque para a dieta mediterrânica. Resista se puder à borrida de rajada, um prato tradicional à base de raia, com batatas, ovos, pão frito e azeite. Caso prefira carne, delicie-se com o mix de frango e borrego do sofrit pagès. Termine o repasto da melhor maneira com a greixonera de brossat, ou seja, um pudim de ricota, ovos e bolacha, ou traia a dieta com o flaó, bolo à base de ovos e queijo.

Ibiza é o resultado da passagem de muitos povos ao longo dos séculos. Reserve o seu voo com a TAP e descubra esta história recheada de estórias numa ilha encantada, que é muito mais do que praia e discotecas.

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