Organizem primeiro Atenas em 2 dias, depois 1 dia em Micenas, 1 dia em Delfos e 2 dias pelas ilhas próximas! Fica só em sugestão, enviem-me as vossas experiências ou questões. Sabem que respondo sempre. Assim damos a volta ao Mundo, juntos! E, como vamos de máscara e as viagens estão apenas recomendáveis para a União Europeia, não pense que vai perder o que quer que seja. A máscara protege e os seus olhos serão mais expressivos que nunca. Como lince! Prepare-se para ficar literalmente arregalado. E isto é uma viagem que pode ser individual, com amigos, em família ou... um romance. Ora, se me permitem, vamos fazer romance nesta história de hoje. Tal qual Afrodite com Ares, ao jeito grego. Amor e guerra juntos, o amor são vocês viajantes e leitores, a guerra, essa é a COVID-19. Não vamos deixar de viajar e remexer na caixinha de memórias por isso.

Vou focar 3 dos meus dias aqueus. Aterrei em Atenas e sabia bem que queria ver tudo o que sempre ouvi na minha licenciatura: a civilização e império clássico dourado! Mas hoje a Grécia, apesar de ter os seus tesouros bem conservados, não brilha como outrora. Atenas é suja,  sim é! Não sou de rodeios. E as pessoas têm alguma dificuldade com o Inglês considerando o estilo europeu dos países vizinhos. É uma ‘Europa’ diferente pois está entre a civilização dos ocidentais e os traços de países asiáticos. Os edifícios não são inspirados no Dubai e muito menos noutras cidades europeias. A teoria é ir construindo até ao céu à medida que é preciso... então da janela do hotel vai ver muitos alicerces dos prédios à luz do sol.

As ruas a serem enxaguadas com mangueiras às 6h da manhã e sem perceberem se vocês estão, por acaso, no momento a passar. Levam com água também. A mim aconteceu-me isto antes de ir para os passeios turísticos e comecei a habituar-me. É algo cultural, parece-me. Para quem estudou as civilizações todas antigas, sobretudo para quem é apaixonado pelos mitos e construções gregas, vai encontrá-las e isso é fascinante. Outra coisa que vai notar: as letras utilizadas são as mesmas do Grego Antigo e isso a mim tocou-me, com amor, na alma. Sei Grego e gosto de pensar que não se perdeu totalmente! De resto, não temos a Grécia dourada, a população como aparece nas grandes obras de Homero.

Acrópole
Acrópole créditos: Unsplash

Mas a Grécia tem mares, ilhas e monumentos como ninguém! Mal saem do hotel (escolham acima de 3 estrelas pois as acomodações não são as típicas europeias), depois de contornar a praça Sintagma, onde até podem almoçar, chegam à Acrópole e ficam estarrecidos. Só de a mirar cá de baixo. Imponência: “ouvirão” esta palavra nos vossos cinco sentidos. Guardem bem a sensação até lá acima. Um truque e um save: quem for estudante ou professor apresente o cartão de identificação e não pagam entrada. E eles não leem o Português e autorizam a passagem, mas expliquem a vossa profissão.

Se forem no Verão, ui prepararem-se para subir e sem humidade. Calor seco, muito seco. Eu tive uma real quebra de tensão quando encarei a acrópole de frente e por dois motivos: o calor acelerou-me o coração que me senti realmente fraca. O coração acelerou ainda mais quando percebi o que sempre disseram da Acrópole. Monumentos das civilizações clássicas como este há muito pouquinhos. Está maravilhosa, branca… e são ali vários templos. Recordei-me das descrições dos autores e dos poetas gregos sobre as reuniões e sobre os rituais de fogo na Acrópole. Era de manhã, mas eu vi todas as histórias a passarem na minha frente como se fosse já sol posto. Inspirei o calor que estranhamente me levantou a coragem para continuar a caminhada. Trouxe uma pedrinha dali. Eu tenho um segredinho: trago uma pedrinha do chão de cada local que visito.

Acrópole
Acrópole créditos: Pixabay

O título do artigo de hoje não é metafórico pois quando se deparam com qualquer um dos momentos (não só monumentos) gregos, é o mármore que sobretudo chama a atenção. Os deuses helénicos foram construídos pela mente dos homens para não serem esquecidos. O mármore atesta isso. A céu aberto e nos museus. E mesmo sabendo nós dos mitos e com a boa explicação dos guias sobre o que é verdade e falácia... acreditem que deixarão a Grécia a acreditar e a preferir alguém do panteão dos deuses. As histórias são tão convincentes pois explicam o mundo como ele era e não deixou de o ser! Quando encarei as vestais (aquelas mulheres de porte que suportam um dos templos da Acrópole) dos pés à cabeça... senti uma energia diferente. Vocês sentirão que estão num ponto tão alto e ali enfrentam realidade e mito. Mas o mito está ali há milénios! Sobrepõe-se, suga-nos. E isso faz-nos sentir bem.

Não precisam de guias nesta viagem em Atenas. A sério. Têm boa informação aqui no SAPO Viagens e não só. Enviem-me perguntas no meu Instagram e estou pronta para ser vosso cicerone. Por Atenas recomendo ainda verem o Museu que não encanta como o do MET em Nova Iorque. Lá parece estar mais do que é a verdadeira Grécia Antiga. Nova dica: não tirem fotos a imitar as estátuas gregas pois é considerado ofensa. Contornem as feiras de souvenirs, por favor, e comprem ânforas, quadros... compensa muito porque a vossa casa ficará linda! Não vale regatear que não é o Grand Baazar de Istambul. Visitem o parlamento, caso não haja alguma manifestação. Sim, é muito comum. Anarquia absoluta. Sentem-se na Sintagma e observem quem vos observa. Agora sobretudo com o olhar e a máscara que esconde sorrisos. Comecem a preparar para deitar cedinho pois ali há imensas tours à escolha e com viaturas plenamente acondicionadas. Escolhi Micenas, Delfos e mais! Mas aqui não cabe a história toda.

Porta do Leão em Micenas
Porta do Leão em Micenas créditos: Andreas Trepte

Micenas é longe e vale cada quilómetro de estrada e as paragens para conhecerem a gastronomia grega e as lojas de artesanato que aqui, sim, valem a visita. Cada peça tem gravada uma história. Adoraria contar tudo da cosmogonia, mas embarcamos noutra crónica para isso. Atravessam um rio que divide Europa e Ásia, fotografam e vão ao que interessa: Micenas e a tumba roubada do Rei Agamémnon. Ele não foi mito, mas ainda há historiadores divididos quanto a isso. Penso que há mais do que provas para o evitar na realidade antiga. Nem a guerra de Tróia foi uma história inventada. Tão cuidadosa, tão sangrenta, tão forte. Essa Tróia encontrada quilómetros abaixo da terra atual da Turquia. E a eterna disputa com os turcos nota-se nos gregos modernos, mas não convém perguntar muito sobre isso. Antes de verem o local onde foi enterrado o rei, é-vos explicado tudo sobre a zona e a grande porta com os leões que o simbolizam ao rei. E esse rei foi tão forte quão temido. Entram na tumba arredondada dele e veem... vazio. Os seus despojos foram furtados com o tempo. Os guias lá explicam tudo!

Mas o que mais me encantou foi outra tour: Delfos! Delfos é em Parnaso e não senti tanta alegria grega como ali. Eu sei que a Acrópole e o anfiteatro de Dionísio (podem visitar como uma das componentes da tour a Micenas) são fabulosos, mas eu, especialmente, sempre quis conhecer o chamado umbigo do Mundo. E Delfos é isso mesmo... as suas montanhas, vistas de cima, formam um umbigo gigante. Depois olham para a direita e preparem-se para entrar no oráculo de Pitonisa e no Teatro. Sentem-se em jeito de gratidão, como se fosse uma vénia à civilização que nos trouxe a Educação e a Ciência. Mais, eu senti algo de sagrado que nunca se perdeu nas ruínas de Delfos: os oráculos não mudaram, só assumiram outros nomes e noutras religiões.

Montanhas de Delfos
Montanhas de Delfos créditos: Pixabay
Delfos
Anfiteatro em Delfos créditos: Unsplash

Foi ali nas ruínas do templo de Apolo, o deus do sol, da saúde e da música, que eu me extasiei e ainda dancei, vestida de branco, no anfiteatro que ali permanece. Estava tão absorvida que não senti nem sede, nem o sismo que ocorreu ali ao lado nas ilhas. É verdade, foi notícia em todo o Mundo e eu tinha imensas chamadas de Portugal. Confesso que não tinha rede e nem me importei. Mas nada mais me importava... não senti o Mundo a tremer, porque senti o meu corpo e o sangue a latejar de felicidade por estar ali. Sempre ouvira falar de Delfos, mas nunca me tinham contado sobre a energia que ainda ali está, as elevadas colunas entre pedras tombadas, o silêncio avassalador, quase se ouve o sussurro dos antigos ali, ajoelhados perante Pitonisa.

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