Sempre ouvi dizer que Bergamo, uma pequena cidade no norte da Itália, era bonita. Uns amigos meus estiveram lá há alguns anos e gostaram muito, mas eu fui continuamente adiando esta visita porque existiam sempre outros destinos mais populares ou mais exóticos a que eu dava prioridade. Até que este ano resolvi ir e em boa hora o fiz porque, simplesmente, amei a cidade. "Por que esperei tanto tempo para vir até aqui?”, perguntei a mim mesma assim que tive o primeiro vislumbre da cidade. Que bonita que era!

Há mais coisas para fazer em Bergamo do que eu estava à espera. A cidade é composta por duas partes: Città Alta (cidade alta) e Città Bassa (cidade baixa). Ambas merecem uma visita, mas se tiverem pouco tempo, deem preferência à Cidade Alta, pois é aqui que vão encontrar as maiores atrações de Bergamo, as suas praças centenárias, ruas medievais e belos edifícios renascentistas.

Cidade Alta
Cidade Alta créditos: Travellight e H.Borges

A história de Bergamo é muito interessante e reflete-se bem na sua arquitetura. Muito do esplendor arquitetónico e artístico que encontramos nesta cidade italiana deve-se à influência de Veneza, que governou a região entre o século XV e o final do século XVIII. Bergamo funcionava como um ponto de defesa para Veneza, o que explica as enormes muralhas que cercam a cidade alta.

Chegar até lá em cima é muito fácil, basta apanhar o funicular na Città Bassa e em pouco menos de 5 minutos estamos no topo.

Muralhas de Bergamo
Muralhas de Bergamo créditos: Travellight e H. Borges

A diferença entre as duas áreas da cidade é evidente. A Città Alta é um labirinto de ruas estreitas, edifícios coloridos e exala por todos os cantos a essência da velha e clássica Itália.

A Piazza Vecchia é a praça principal e abriga a Biblioteca Cívica datada do séc. XVI; o Palazzo della Regione, construído no séc. XII, uma fonte central com quatro magníficas esculturas de leões e a Torre del Comune, um monumento do século XII que todas as noites, às 22h, faz soar um sino para anunciar o toque de recolher e o fecho dos portões da cidade.

Piazza Vecchia
Piazza Vecchia créditos: Travellight e H. Borges

A Piazza Vecchia também está repleta de bons cafés e gelatarias. Se puderem parem no Caffé del Tasso - tem a fama de ser a melhor gelateria da cidade e eu posso confirmar que não é mentira.

O arco do Palazzo della Regione conduz-nos até à deslumbrante Piazza Duomo, onde encontramos a Catedral de Bergamo e a Cappella Colleoni.

A Cappella Colleoni, uma obra-prima construída em 1487 para abrigar o túmulo do líder político Bartolomeo Colleoni, destaca-se pela sua fachada de mármore colorido e design curioso que apresenta cenas bíblicas e histórias mitológicas. O seu estilo arquitetónico é uma combinação do renascimento, maneirismo e do barroco.

Cappella Colleoni
Cappella Colleoni créditos: Travellight e H. Borges

Perto da Capela Colleoni e da catedral encontramos a Basílica de Santa Maria Maggiore: a mais bela basílica que já visitei na vida (e olhem que já visitei muitas mesmo).

Tem uma história que remonta aos antigos romanos, quando o local era ocupado por um templo. Foi mais tarde convertida em igreja cristã e no século XII transformou-se numa basílica. A sua arquitetura impressiona e a decoração interior, esculturas e pinturas conseguem deixar qualquer visitante sem palavras. É absolutamente deslumbrante!

Basílica de Santa Maria Maggiore
Basílica de Santa Maria Maggiore créditos: Travellight e H. Borges

Uma das coisas que mais gosto quando visito um lugar novo é passear, sem rumo, absorvendo a atmosfera e as vistas. E foi por isso que tão facilmente me apaixonei por Bergamo. Como é localizada numa colina, as vistas são lindíssimas!

O Castello di Malpaga é outra atração da cidade. Foi construído por ordem de Bartolomeo Colleoni, que governou a área e viveu lá com sua esposa e filhas. Os quartos são pintados por Il Romanino - os mais preciosos frescos estão no que costumava ser o quarto de Colleoni.

Além do cenário deslumbrante, o que torna a visita de Castello di Malpaga particularmente interessante e divertida, principalmente para famílias com crianças, é que, ao chegar, os visitantes são convidados a vestir trajes do século XV e percorrer o castelo usando essas vestimentas. Há uma boa seleção de roupa, toda ela feita de acordo com o estilo que estava na moda no século XV e, portanto, muito pesada, se decidirem vestir, estejam preparados para isso…

Castello di Malpaga
Castello di Malpaga créditos: Travellight e H. Borges

Quem aprecia arte não pode deixar de visitar a Accademia Carrara. Esta galeria é uma das mais antigas de toda a Itália e abriga uma valiosa coleção de cerca de 1.800 pinturas dos séculos XV a XIX de artistas como Raphael, Bellini, Botticelli, Canaletto e Pisanello. Na década de 1990, uma galeria de arte moderna e contemporânea "GAMeC" foi adicionada ao complexo, ampliando o alcance da oferta de obras de arte.

As Portas di S. Giacomo oferecem o mais espetacular miradouro da cidade e o belo Jardim Botânico é o melhor espaço verde de Bergamo para descansar e relaxar um pouco.

Se gostam de fazer compras e de um ambiente mais moderno, não se preocupem, tudo isso também existe em Bergamo, nomeadamente na Città Bassa. A Via XX Settembre - assim nomeada para celebrar a criação da Itália moderna em 1870 - é a rua mais encantadora e movimentada da parte moderna de Bergamo. Se por aqui passarem, não deixem de entrar na Feltrinelli, uma livraria internacional onde encontramos desde romances italianos contemporâneos a clássicos do mundo e guias de viagem.

Os arredores de Bergamo também merecem referência: aldeias pitorescas, castelos medievais, campo, lagos e montanhas - há um pouco de tudo.

Crespi d'Adda
Crespi d'Adda créditos: Travellight e H. Borges

Recomendo visitar Crespi d'Adda, uma pequena aldeia no município de Capriate San Gervasio que agora conta com cerca de 600 habitantes. Fica a cerca de 20 minutos de carro de Bergamo, e está classificada como Património Mundial da UNESCO. É um grande exemplo das “cidades empresa” dos séculos XIX e XX, construídas na Europa e na América do Norte por industriais para acolher os seus trabalhadores. Toda a aldeia foi construída em torno de uma fábrica de algodão. A fábrica parou de funcionar em 2004, mas ainda hoje podemos ver, entre outras coisas, a escola, o teatro e a igreja.

Os amantes da natureza devem visitar o Lago di Endine. Situado entre picos altos, o lago é agora uma área protegida e o lugar perfeito para praticar desportos aquáticos, como caiaque, vela, windsurf e canoagem.

San Pellegrino, no Val Brembana, também é perto de Bergamo. É daqui que vem a famosa água “San Pellegrino” (servida em quase todos os bons restaurantes italianos à volta do mundo). A cidade possui maravilhosos exemplos de art nouveau, os seus edifícios mais emblemáticos são o Grand Hotel, o Casino e os seus banhos termais.

Os banhos são perfeitos para relaxar. O SPA tem uma incrível oferta de serviços e atividades, incluindo uma piscina de música e cores (onde é possível ouvir música debaixo de água); vários tipos de saunas e salas de aromaterapia. Também é possível provar um delicioso buffet de aperitivos italianos e vinho prosecco.

San Pellegrino
San Pellegrino créditos: Travellight e H. Borges

E falando em vinho, os que apreciam devem visitar uma vinha, como a Azienda Agricola Biava onde é produzido o Moscatel di Scanzo, típico da região. Para este vinho apenas as melhores uvas são colhidas e o processo de produção dura no mínimo dois anos.

A gastronomia em Bergamo não desaponta, nem aos mais exigentes. É obrigatório provar pratos típicos como casoncelli, um tipo de massa de ravioli recheado (entre outros ingredientes) com carne de porco e servido com um molho de manteiga e bacon.

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Artigo originalmente publicado no blogue The Travellight World

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