“Este processo parece não ter fim à vista”, conta à agência Lusa a portuguesa, que se preparava para viajar, no início de fevereiro, com a filha de cinco anos para o país asiático, onde o marido trabalha.

“Estivemos um ano e meio, diariamente, a tentar ir, entre burocracias e muitas coisas negadas”, descreve.

As autoridades da cidade chinesa de Xian suspenderam a ligação aérea direta com Lisboa no dia 25 de dezembro, numa altura em que aquela região enfrentava um grave surto de covid-19, que obrigou a confinamento total.

Xian é o destino da única ligação aérea direta entre a China e Portugal. O voo, com uma frequência por semana, é operado pela companhia aérea Beijing Capital Airlines.

A cidade retomou, entretanto, a normalidade, após atingir os zero casos de covid-19. Em 23 de janeiro repôs os voos domésticos, mas manteve as ligações internacionais suspensas.

Sem qualquer explicação, o voo para Lisboa tem sido cancelado, sistematicamente, semana após semana.

“Nem consigo descansar a cabeça”, diz Miguel Alves, dono de um restaurante na cidade de Dongguan, no sul da China, e que estava para partir no dia 01 de janeiro. “Já procurei por quase todos os aeroportos da Europa; nunca vi tantos voos na minha vida”.

Outros passageiros que aguardam desde dezembro que o voo seja retomado viram, entretanto, os seus vistos de entrada no país expirar, tendo agora de reiniciar um processo que pode levar vários meses. “É uma situação inacreditável”, diz uma das passageiras afetadas por esta situação. "Sinto-me desesperada", comenta outra.

A China mantém as fronteiras encerradas desde março de 2020. Quem chega ao país tem que cumprir uma quarentena de até três semanas, num hotel designado pelo governo, mas isso é apenas a etapa final de um longo processo.

Para quem não tem visto para viajar, primeiro é necessário obter uma carta-convite, emitida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da China. Isto é um processo que pode levar entre vários meses e mais de um ano.

Após concluído esse processo e obtido um visto com prazo de 90 dias emitido pela embaixada em Lisboa, é necessário então encontrar um voo que cumpra determinados requisitos.

A China autoriza apenas um voo por cidade e por companhia aérea, o que reduziu o número de ligações aéreas internacionais para o país em 98%, face ao período pré–pandemia.

As autoridades exigem ainda a apresentação do certificado negativo dos testes serológicos tipo IgG e IgM e o teste de ácido nucleico PCR. Quem testa positivo ou acusa anticorpos para o coronavírus é impedido de embarcar.

A escassez de oferta reflete-se nos preços: um voo só de ida pode custar até 5.000 euros em económica. Um voo por 2.000 euros, que é o preço praticado na ligação Lisboa – Xian, é considerado barato, face às restantes passagens aéreas.

O passageiro só pode embarcar num voo direto a partir do seu país de origem. Caso não haja voo direto, pode fazer apenas uma escala.

Questionado pela agência Lusa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China disse desconhecer a situação. A assessoria de imprensa da Administração de Aviação Civil da China, o órgão responsável por autorizar as ligações aéreas, também não respondeu, até à data, a um pedido de esclarecimento.

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