Sorelle Amore. Kate McCulley, Murad y Nataly Osmann, são alguns dos influenciadores de viagens mais conhecidos em todo o mundo. Talvez conheçam todos os nomes, talvez apenas alguns vos sejam familiares, mas a verdade é que estas pessoas têm milhares de seguidores nas redes sociais, facto que lhes permite negociar todas (ou quase todas) as suas publicações.

Sim, publicar uma fotografia das férias pode ser um ato completamente aleatório e descomprometido para a maioria de nós, mas não para estas pessoas. Para elas, publicar fotografias, vídeos, textos ou stories das suas viagens é um negócio, que lhes pode render muito dinheiro, até 10.000 dólares por mês (quase 9000 euros).

É difícil saber com precisão quanto ganham os influenciares, mas de acordo com uma reportagem do El Periódico de Cataluña, citado pela revista Traveler espanhola, uma publicação numa página de Twitter ou Facebook com 10.000 seguidores valerá entre 80 e 100 euros, valor que sobe para os 300 euros no caso de uma página com 50.000 seguidores e vai até aos 3.000 euros no caso de uma publicação numa página com meio milhão de seguidores.

Se nos voltarmos para o Instagram, uma rede social cuja base são publicações fotográficas, estes trabalhos são ainda mais valorizados. Aqui, uma fotografia pode valer entre 120 e 150 euros se a página tiver pelo menos 10.000 seguidores, subindo até aos 2.500 euros por publicação se a página arrecadar mais de meio milhão de seguidores.

Obviamente, se estivermos a falar de uma publicação nas stories, cuja duração de exposição é de apenas 24 horas, o valor a cobrar é substancialmente inferior.

Quanto mais avançamos neste texto, mais alta fica a fasquia e, portanto, agora falaremos da aplicação que maior lucro pode gerar, o YouTube. Aqui, meio milhão de seguidores permite cobrar cerca de 10.000 euros só por um vídeo.

Em 2016, Jarryd Salem y Alesha Bradford, o casal australiano responsável pela página NOMADasaurus, afirmavam ganhar 6.000 dólares (pouco mais de 5.200 euros) por mês com as reportagens das suas viagens.

Contudo, nem só de seguidores vive este mercado, tal como explicou à Traveler espanhola Sara Vicioso, co-fundadora da Fugu, uma agência especializada em marketing de influência.

Para Sara o poder dos influenciares não se mede pelo número mas sim pelo compromisso dos seguidores para com a página, bem como pelo alcance das publicações, já que existem páginas com centenas de milhares de seguidores, cujas publicações não chegam a mais do que uma pequena percentagem destes.

Ou seja, nem sempre os influenciares com maior número de seguidores são os que mais dinheiro cobram pelas suas publicações.

Sara explicou ainda que, apesar de existirem perfis especializados em viagens, a maioria deles combina várias áreas de interesse, como por exemplo moda, fotografia e lifestyle.

Alguns influenciadores explicam como qualquer pessoa pode ganhar a vida desta forma.

Julie Falconer, autora do blog "A Lady in London", publicou uma série de livros eletrónicos com dicas para criar um blog rentável ou estratégias de comunicação em meios sociais.

Sorelle Amore, uma australiana que se define como viajante profissional, utiliza o seu canal de YouTube para explicar a quem quiser dedicar-se a este negócio tarefas como relacionar-se com as marcas em troca de patrocínios ou como tirar as melhores fotografias.

Tendo já ultrapassado os 400.000 seguidores no Instagram e 700.000 no YouTube, esta viajante ganha cerca de 10.000 dólares por mês (quase 9.000 euros).

É bastante provável que já tenham ouvido falar dela, não só por todos os número referidos, mas também porque venceu em 2017 o concurso para o melhor emprego do mundo, sendo paga para viajar durante 13 semanas por 12 países ficando sempre em alojamentos de luxo.

Ninguém melhor do que Sorelle para nos dar algumas dicas, que passam por, em primeiro lugar, focar-se num público-alvo.

O segundo conselho é a contratação de pessoal para ajudar com as tarefas que não gostamos ou não fazemos de forma tão competente.

Por último, mas não menos importante, valorizar o nosso trabalho, ou seja, negociar e discutir valores, mas nunca sair desvalorizado no final de contas.

Adventurous Kate, uma viajante nova-iorquina, reforça as dicas de Sorelle, em especial a primeira, pois também ela trabalha para um público alvo específico, mulheres que viajam sozinhas.

Apesar de não falar em valores, adverte que no primeiro ano de trabalho, não se ganha dinheiro, apenas se constrói um projeto com credibilidade para posteriormente negociar com marcas e parceiros de negócio.

Para terminar, falamos de Murad y Nataly Osmann. O nome talvez não vos seja familiar, mas se dissermos que são os criadores daquelas fotografias de viagem em que uma mulher de costas dá a mão ao fotógrafo, aí aposto que já sabem de quem estamos a falar.

Quando tiraram a primeira fotografia em Barcelona, em 2011, estavam longe de imaginar que teriam, oito anos depois, 4.5 milhões de seguidores no Instagram.

Segundo os próprios, nunca quiseram ganhar dinheiro rápido, mas antes construir um projeto sólido com uma comunidade fiel de seguidores que lhes permitisse fazer apenas o que gostam com as marcas que os próprios escolhem.

Murad e Natalie têm também uma consciência social bastante desperta, participando em diversos eventos e causas solidárias, o que acaba por projetar a sua popularidade.

São estas as dicas de quem ganha a vida a viajar.

Sentiu-se inspirado? Então abra a fotogaleria e veja alguns dos destinos de sonho por onde estes influenciares têm andado, sendo pagos para tal. Quem sabe não é hoje que muda de vida.

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