No Porto, a dias de reabrir as portas dos três estabelecimentos que gere na cidade, o Café Santiago, Santiago da Praça e Santiago F, o administrador Rui Pereira já tem tudo delineado para confecionar as tradicionais francesinhas e até abriu uma exceção para prestar serviço de ‘take away’.

Os 55 funcionários, em casa desde o dia 16 de março, vão passar a usar máscara, e o habitual traje de trabalho, que inclui uma camisa, avental, 'jeans' e sapatos “que não andam na rua”, vai ter de ser lavado diariamente a 60 graus.

À entrada de cada restaurante, os clientes, que são aconselhados a usar máscara, vão encontrar um doseador de álcool gel e, uma vez sentados, poderão aceder ao menu ‘online’ ou em formato A3 plastificado, de forma a permitir a sua higienização.

Para ajustar a lotação dos espaços às normas da Direção-Geral da Saúde, Rui Pereira vai recorrer às próprias mesas (material que não tem capacidade de guardar no armazém) para manter o distanciamento entre os clientes.

A higienização dos talheres e serviço de mesa já era feita, garante Rui Pereira à Lusa, adiantando que todos os objetos eram lavados a 90 graus e individualmente desinfetados com uma solução alcoólica, sendo que também nas mesas já eram utilizados individuais de papel.

Quanto à reabertura, Rui Pereira não tem grandes expectativas, aliás, acredita que o principal problema vai ser “a falta de clientes”, e considera que cabe às autoridades oficiais tranquilizarem a população: “Enquanto não houver um apelo por parte das entidades oficiais para que as pessoas retomem à vida normal, vamos ter que esperar”.

Em Viana do Castelo, António Camelo vai reabrir, na terça-feira, cerca de metade dos 560 lugares que tem disponíveis em três salas distribuídas pela quinta, em Santa Marta de Portuzelo, onde há 37 anos se iniciou no negócio da restauração. A folga semanal foi sempre gozada à segunda-feira, e em estado de calamidade imposto pela pandemia de covid-19, o dia servirá para “ultimar os preparativos da reabertura”.

“Tenho a sorte de ter espaço mais do que suficiente para poder receber 50% dos clientes que recebia antes da pandemia, garantindo todas as condições exigidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS)”, afirmou o empresário de 77 anos.

Além das três salas instaladas em três edifícios independentes, o restaurante de comida tradicional, que em 2019 recebeu da Câmara de Viana do Castelo o título de Instituição de Mérito, tem ainda 300 lugares nas esplanadas criadas à sombra das videiras e, para “um plano B”, a tenda de eventos com mil lugares”.

“Oxalá que seja preciso recorrer ao plano B. Significaria que teria muita no restaurante. Gente que venha aqui por falta de espaço de certeza que não vai embora”, atirou o empresário.

A preparação da reabertura implicou uma “verdadeira barrela” às instalações, “com desinfeções e medições”, formação aos 20 funcionários “fixos” do restaurante encerrado há dois meses e a acumular prejuízos “arrepiantes”.

“Ainda não fiz contas. Não sou capaz, é muito. É arrepiante olhar para a agenda onde tínhamos os marcados e ver só cancelamentos até novembro. Nunca me passou pela cabeça poder viver uma situação destas, mas não perco a esperança, nem me deixo assustar”, referiu

Antes da pandemia, num fim de semana, calculou, as salas do restaurante podiam servir “entre 1.100 a 1.200 refeições”, sem contabilizar os mil lugares da tenda de eventos.

Durante os dois meses de paragem trabalhou em regime de ‘take away’, mas “é um remédio triste neste ramo”.

O restaurante “Bons Tempos”, no centro da cidade de Vila Real, esteve aberto as duas primeiras semanas de março mas a diminuição abrupta de clientes já não permitia pagar as contas, pelo que decidiu fechar a 14 desse mês, antes de declarado o estado de emergência.

Reabre praticamente dois meses depois, na segunda-feira, com uma forte aposta na esplanada de que dispõe e em rigorosas medidas de higiene e segurança. A utilização das mesas, quer na sala quer na esplanada, será intercalada.

A responsável, Alexandra Amorim, especificou à Lusa que vai ser colocada uma fita na entrada, onde estará também disponível o gel desinfetante para as mãos, os clientes terão de esperar no exterior até serem encaminhados para uma mesa, onde, à sua frente, uma funcionária procederá à desinfeção dessa mesma mesa, dos pratos, copos, talheres. A cada colaborador será atribuída uma tarefa específica para evitar cruzamentos.

Nesta nova fase, este restaurante vai também reforçar o serviço de take-away e vai estar a trabalhar com seis pessoas. Aqui será possível provar as tripas aos molhos, um prato típico de Vila Real, o bacalhau dentro da broa de milho ou o entrecosto de vinha d'alhos com arroz carqueijo, bem como vários pratos vegetarianos.

Alexandra Amorim disse que, depois de dois meses, já não era possível continuar de portas fechadas e afirmou ter a esperança de que as “coisas vão melhorar” depois deste novo recomeço.

A Taberna do Migaitas, no centro da cidade de Braga, reabre na segunda-feira, ao “pé-coxinho”, com o proprietário a confessar “grande preocupação” com a nova realidade a enfrentar.

“As pessoas, além de estarem com menos dinheiro no bolso, estão sobretudo com muito, muito medo. E quando se vai a um restaurante é para ter gozo, sentir prazer. Se houver medo, fica-se em casa”, refere Fernando Migaitas.

Por isso, a sua taberna vai, ”naturalmente”, cumprir com todas as determinações das autoridades de saúde, mas “sem as levar ao exagero”.

“Isto vai continuar a ser um restaurante, não um cemitério ou um manicómio”, sublinha.

Até ao final do mês, a Taberna do Migaitas vai abrir apenas ao almoço e de segunda a sábado, com três trabalhadores a tempo parcial, continuando os restantes seis em ‘lay-off’.

“Será uma fase para apalpar terreno. Vamos abrir a porta, esperamos ver o cliente a entrar. Se não entrar, não sei o que vai ser disto”, atira.

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