Com a chegada do verão e depois do confinamento, os destinos em Portugal são os locais favoritos para descobrir e onde aproveitar o verão. Num momento em que as viagens ainda são muito limitadas, fazer turismo nas regiões portuguesas ou simplesmente atravessar a fronteira é a melhor solução. Assim, nesta escapadela de apenas dois dias rumamos ao norte do país para fazer um roteiro junto à fronteira.

Dia 1

Aproveitando a abertura das fronteiras saímos do Porto durante a manhã e rumamos até à cidade de Tui, na Galiza, a apenas uma hora de distância.

Tui

Tui é famosa por ser a porta de entrada em Espanha para aqueles que fazem o caminho de Santiago de Compostela, então foi sem estranheza que nos cruzamos com vários peregrinos portugueses pelo caminho. Tui é uma cidade pequena mas dinâmica e bem organizada onde é possível encontrar espaços verdes e património histórico de visita obrigatória.

A Catedral de Santa Maria, situada na parte mais alta da cidade, é local de paragem obrigatória e foi o primeiro local a visitar no nosso roteiro. A construção da catedral teve início no século XII, aproximadamente em 1120 e foi terminada em 1180, em plena época do estilo românico. A fachada principal contém elementos de estilo gótico, de 1225, tornando-se a primeira construção de estilo gótico de toda a Península Ibéria.

Parque da Alameda, Tui

Outra paragem em Tui foi o Parque da Alameda, com uma das melhores vistas para o rio Minho e para a cidade de Valença, do outro lado da fronteira. A área arborizada está  localizada atrás do Convento de Santo Domingo e conta com um lado com nenúfares, pontes de madeira, candeeiros ornamentados e banquinhos que tornam o espaço muito agradável. No miradouro é possível ver a catedral na zona alta da cidade a contrastar com o pequeno porto no rio Minho e Portugal ao fundo. É um local muito agradável para relaxar.

Chegada a hora do almoço, acabamos por escolher a Taperia O Albergue, um espaço muito simpático onde optamos pela opção de tapas. Huevos rotos, pimentos padrón e presunto são sempre uma boa opção num almoço do outro lado da fronteira e foi o que escolhemos.

Valença

Após o almoço regressamos a Portugal e, antes de partirmos para Melgaço, tivemos ainda oportunidade de explorar as muralhas da encantadora cidade de Valença. A sua fortaleza é uma das principais fortificações militares da Europa, com cerca de 5 quilómetros de perímetro amuralhado. Dentro das muralhas há uma imensidão de pequenas lojas de comércio tradicional ao longo das várias ruelas que podemos percorrer durante horas.

De um dos baluartes da fortaleza de Valença é possível ver a Ponte Internacional sobre o Rio Minho e ao longe a cidade de Tuí.

Valença

Melgaço

Após nos perdermos pelas encantadoras ruas de Valença, rumamos a Melgaço onde iríamos passar a noite no hotel Monte Prado. Após o check-in, conduzimos até ao pequeno - mas encantador - centro de Melgaço. Caminhar pelas ruas do centro de Melgaço é uma experiência maravilhosa, já que todo o espaço está muito bem conservado e bonito. O ponto central é, claro, o castelo, mas existe muito mais para visitar como solares, igrejas e alguns espaços museológicos, como o Museu do Cinema ou o Espaço Memória e Fronteira.

Sabores locais, Alvarinho e boas conversas: Melgaço descobre-se à mesa da Adega Sabino
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Um local de paragem obrigatória em Melgaço é, sem dúvida, a Adega Sabino, o restaurante escolhido para o nosso jantar. O proprietário Augusto Castro, mais conhecido como o "Sabino", recebe os clientes de forma animada e calorosa e, sendo um especialista em Alvarinho, recomenda sempre os melhores néctares para acompanhar os pratos tradicionais que saem da sua cozinha. Entre o cabrito assado no forno ou o naco de vitela, acabamos por optar por um incrível bacalhau com broa, confecionado na perfeição e muito bem acompanhado por um QM Vinhas Velhas. Uma experiência gastronómica que, só por si, nos faz querer regressar a este que é o município mais a norte de Portugal.

Dia 2

Após o pequeno almoço no hotel Monte Prado, cumprindo todas as normas de segurança, higiene e distanciamento às quais os novos tempos obrigam, fizemos check-out e conduzimos durante alguns minutos até à Adega Quintas de Melgaço.

Quintas de Melgaço

Quintas de Melgaço lançam experiências de enoturismo com provas de vinho e piqueniques nas vinhas
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A Adega Quintas de Melgaço é um projeto vínico único constituído por cerca de 530 famílias melgacenses e é um dos pontos de paragem mais importantes para quem se interessa por gastronomia e vinhos portugueses. Este ano, a Quintas de Melgaço lançou três experiências de enoturismo que fomos conhecer: as provas, o piquenique e uma experiência relaxante com um sofá na vinha. Acabamos por fazer a tradicional prova de vinhos acompanhada por excelentes queijos, compotas e enchidos da região. A experiência decorreu na sala de provas que acolhe também uma exposição temporária com obras de artistas da região.

Parque Fluvial Río Miño

Após a visita à Quintas de Melgaço, voltamos a atravessar a fronteira por um motivo que todos conhecemos bem: encher o depósito. É quase uma tradição, numa viagem junto à fronteira, aproveitar os preços mais baixos. No entanto, enquanto fazíamos a travessia, encontramos mais um local para visitar e que acabou por fazer parte deste roteiro. E não, não estamos a falar da bomba de gasolina.

Após atravessarmos a ponte, vimos uma placa a indicar a "Parque Fluvial Río Miño" e, claro, tivemos de ir espreitar. Ficamos agradavelmente surpreendidos com uma paisagem muito bonita e tranquila onde relaxamos durante alguns momentos antes de iniciar a viagem de regresso.

 Sistelo

Já na viagem de regresso, em direção ao Porto, fizemos um pequeno desvio para visitar uma das paisagens mais incríveis do país. Sistelo, conhecida como o pequeno Tibete Português, é um local de incrível beleza com os seus socalcos encantadores. Nos limites do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a freguesia de Sistelo, faz parte da reserva da Biosfera Gerês-Xurés e está classificada como monumento nacional, enquanto Paisagem Cultural Evolutiva Viva.

No local reina o silêncio e é possível relaxar enquanto os olhos se perdem numa paisagem de tirar o fôlego.

Ao longo da viagem até Sistelo e durante os momentos em que estivemos simplesmente a desfrutar da paisagem, não nos cruzamos com mais pessoas. No entanto, atenção à estrada porque atrás de cada curva esconde-se uma vaca, ou duas... ou mais. Elas caminham calmamente e sem preocupações, não respeitam as regras de trânsito, é certo, mas tendem a afastarem-se para nos deixarem passar. Ainda assim, são capazes de provocar um pequeno ataque cardíaco a um condutor desavisado.

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