A revelação foi feita à agência Lusa pelo provedor da Misericórdia, António Tavares, na véspera de o MMIPO completar um primeiro ano de existência, um período de tempo em que, conforme confessou o responsável, a projeção do espaço "extravasou as perspetivas mais otimistas".

No âmbito dos projetos previstos, António Tavares explicou que o polo do museu junto à Torre dos Clérigos será centro interpretativo "de aspetos da cidade e da região onde a Misericórdia teve um papel importante, como é o caso do Vinho do Porto".

"Vamos ter uma parceria com o Instituto do Vinho do Porto e do Douro para esse efeito", revelou o provedor lembrando o papel da Misericórdia "no arranque da Companhia Vinícola do Alto Douro, como uma das entidades financiadoras, numa época em que não havia bancos".

Com cerca de 40 mil visitantes no primeiro ano (contabilidade fornecida por António Tavares, que elencou franceses, espanhóis e britânicos como os que mais procuram a estrutura museológica), a aposta é agora a duplicação desse número.

Neste propósito, enquadra-se a manutenção da figura do bilhete único, "para dar às pessoas a possibilidade de ir ao Palácio da Bolsa, aos Clérigos e á Santa Casa", além da mais recente exposição do Rui Chafes, "que permite ver algo fora do habitual". São, descreve o provedor, apostas "atrativas e fundamentais".

"Se me dissessem há um ano que teríamos um primeiro ano tão bom, não seria tão otimista”. Mas, ainda assim, “acreditava que iríamos fazer uma coisa que iria deixar bem o nome da Misericórdia do Porto e prestigiar a cidade", disse, em jeito de balanço.

E se obtenção do título de melhor museu de Portugal foi um estímulo, outros episódios houve, segundo António Tavares, que contribuíram para o sucesso: "Ter uma peça do Rui Chafes no património do museu e, logo a seguir, ele ganhar o Prémio Pessoa, foi um dos sinais que indicavam que poderíamos chegar aonde chegámos e sermos o melhor museu do país".

Para o provedor, e no mesmo âmbito, a aquisição da peça da Josefa de Óbidos "Sagrada Família com S. João Batista, Santa Isabel e Anjos" é algo que marca claramente a qualidade da exposição, pois coloca o museu na ‘Liga dos Campeões’".

Não se tratou apenas de comprar a peça no leilão da Sothebys, em Nova Iorque, “resgatando algo que estava no estrangeiro e que volta para o património nacional, mas também de fazer a ponte com a outra peça congénere, que está no Museu do Louvre para animar a sala portuguesa daquele espaço", explicou o provedor.

"E agora há a promessa desta peça ir ao Louvre quando a sala for inaugurada", revelou.

Assinalando que estes "são momentos que marcam muito”, o provedor sublinhou também que se abrem “perspetivas risonhas".

O Porto, disse, “não tinha nenhum conteúdo desta natureza no centro. É a presença da cultura e de uma instituição com cinco séculos de existência (…). Isso mostra bem a longevidade da Misericórdia e do seu interesse pela cultura".

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