“Planto de há uns seis anos para cá, mas fazemos [com a mulher e familiares] os tapetes há dez anos”, diz, orgulhoso, à agência Lusa.

Dino Costa e a mulher, Leónia, dedicam-se o ano inteiro a tratar das flores para que “estejam em condições” na hora de colher para fazer tapetes de aproximadamente 300 metros e receber as procissões nas Festas do Bom Jesus e do Santíssimo Sacramento (setembro), na freguesia da Ponta Delgada, e do Imaculado Coração de Maria (agosto), no sítio da Primeira Lombada, no norte da Madeira, onde residem.

A construção dos tapetes florais é uma tradição que prolifera um pouco por toda a ilha, sobretudo na época do verão, aquando das celebrações religiosas, e é conhecida por juntar os residentes de cada local.

Tapetes florais na Madeira
Tapetes florais são uma tradição na Madeira créditos: Madeira Best

Para Dino Costa, cuidar dos milhares de dálias durante os 12 meses do ano é “um passatempo” que obriga a “algum cuidado, senão elas acabam por secar”.

“Em janeiro, arranca-se tudo, fica o terreno limpo. Em abril, volta-se a replantar, colocando quatro bolotas [sementes] espalhadas pelos terrenos”, para que, então, comecem a sair da terra, ganhando altura, em junho, explica.

Estas flores vão servir para enfeitar, não apenas os tapetes daquela freguesia, mas também os de outras localidades da Madeira, para onde muitas pessoas as levam, todos os anos, gratuitamente.

“No fim de semana que passou foram flores para sete lugares [da Região] e foi em média 12 caixas para cada local. Mas nós, quando damos é de boa vontade”, sublinha.

Dino Costa, que tem a profissão de guarda-florestal, ri-se ao contar que é cada vez mais conhecido por dar flores para o adornamento dos tapetes, referindo que na zona onde trabalha, no concelho do Porto Moniz, já é conhecido como o “senhor das flores e não o senhor guarda”.

Dálias na Madeira
O "senhor da flores" créditos: LUSA

“Temos sempre aquela fé de fazer e, enquanto a gente puder, vamos fazer. Não é por outro interesse, é por gosto”, assegura. A mulher, Leónia Costa, de 38 anos, é perentória ao afirmar que, sem o apoio do marido, aquilo não seria possível.

Perto da casa de Dino e Leónia, encontra-se um outro terreno com dálias, de menor dimensão, de uma moradora de 67 anos, que começou a plantar ao mesmo tempo que o casal, também para contribuir para o embelezamento dos tapetes.

“Há 30 anos não se faziam os tapetes com flores. Antigamente, ia-se buscar o musgo e estendia-se no chão e punha-se um raminho de flores num lugar ou noutro. Não havia estas formas bonitas como há agora”, recorda Cândida Faria.

A residente do sítio da Primeira Lombada explica que começaram a analisar os tapetes enfeitados com flores “na terra alheia” e, com a vontade de fazer igual, começaram por plantar e, hoje, quando chega à época de fazer os tapetes disponibilizam um dia para colher as dálias.

Cândida Faria e as suas dálias
Cândida Faria e as suas dálias créditos: LUSA

“Gosto de fazer isto (tratar das flores), dá saúde!”, diz Cândida Faria, lembrando que quando vai à “cidade” (Funchal) para comprar uns sapatos, acaba sempre por comprar flores.

O produto final de todo o trabalho de cultivo expressa-se nos tapetes florais que atraem muitas pessoas, que “vêm ‘demitados’ [de propósito] ver como está este ano”, afirma. “Às vezes passam turistas aqui e dizem, lá na língua deles, que está bonito”, conclui.

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