Reportagem de Tânia Fernandes

Pegada Zero, as Jornadas de Turismo de Natureza que decorreram entre 10 e 14 de maio permitiram um contacto com as atividades de lazer, desporto e turismo, bem como com os agentes da região que as promovem.

O interesse de uma visita a esta cidade fronteiriça cresce exponencialmente quando se pondera aspetos como alojamento, gastronomia e a simpatia genuína das suas gentes. Há programas disponíveis que combinam atividades com alojamento e, se necessário transfer das principais cidades vizinhas (Valença ou Vigo). Depois, abrem-se as portas a um vasto leque de opções: relaxar ou entrar na aventura.

Adrenalina

Em matéria de desportos radicais, o rafting é a principal atividade promovida em Melgaço. As características do Rio Minho permitem que seja feito durante todo o ano, com diferentes graus de dificuldade. Sem grandes exigências físicas ou técnicas, é acessível a todos, dos 8 aos 80 e permite uma proximidade com a natureza, mas também com a cultura da localidade.

Melgaço Aventura
Melgaço Aventura créditos: Melgaço Whitewater

O troço que fizemos com a Melgaço Radical, deu-nos também acesso a muitas histórias de quem vive no e do Rio. O que se pesca, como se navega, onde desfrutar dos melhores mergulhos, são alguns dos momentos desta viagem que passa também por zonas mais turbulentas onde, em equipa, aprendemos a coordenar movimentos e a funcionar como uma boa equipa. É deixar seguir o curso da corrente e usufruir dos cinquenta tons de verde que ladeiam o Rio Minho.

Natureza

Usufruir da paisagem de montanha ou das infra-estruturas da zona ribeirinha e, em simultâneo, conhecer a riqueza histórica e cultural é outra das opções. Mergulho, Pedestrianismo, Orientação, Percursos TT, BTT ou Hipismo são outra forma de conhecer a região.

A Porta de Lamas de Mouro, em Castro Laboreiro, é uma das entradas no Parque Natural Peneda Geres. Uma zona de convívio e lazer, onde o visitante pode encontrar esclarecimentos sobre as atividades disponíveis, mas também informação sobre a história e características da região. Tem ainda uma zona de merendas e é possível admirar os muitos os animais que passeiam livremente.

Uma das formas de ficar a conhecer melhor as espécies que vivem na região é marcar uma das atividades propostas pela Ecotura. Foi com Pedro Alarcão, o responsável desta empresa, que ficámos a saber mais sobre o Lobo Ibérico e a forma como ele vive na Serra da Peneda. Descobrir, aprender mais sobre o lobo e fomentar a sua conservação são as propostas do produtor do documentário A Vida Secreta do Lobos. Com ele subimos ao Planalto de Castro Laboreiro e, ainda que as condições atmosféricas não fossem as mais agradáveis, pudemos apreciar a natureza na sua forma mais pura. Admirar as cores intensas das flores da primavera a cobrir o terreno e observar, relativamente próximo, grupos de cavalos da raça garrano a correr livremente, são experiências que não se esquecem.

Melgaço Garrano
Melgaço Garrano créditos: Tânia Fernandes

A arte rupestre e o megalitismo trazem também muitos interessados a este planalto. A mais de mil metros de altitude, há o trilho de Megalitismo de Castro Laboreiro, que, ao longo de cerca de 13 kms percorre uma das maiores necrópoles megalíticas da Península Ibérica. É possível visitar, entre outros o monumento megalítico do Alto da Portela do Pau.

Alojamento e Gastronomia

Há diversas opções de alojamento em Melgaço, desde o turismo rural (em pequenas aldeias) onde se pode ter um contacto mais próximo com a vivencia local, aos parques de campismo também com alternativa de estadia em bungalows, à comodidade de hotéis como o Monte Prado Hotel & Spa.

Melgaço é roteiro obrigatório para os apreciadores de boa gastronomia. O cabrito assado no forno, a lampreia com arroz, as trutas do Rio Minho, os diversos enchidos e queijos fazem com que cada refeição seja única. A acompanhar, o único e indispensável vinho Alvarinho.

Melgaço Gastronomia
Melgaço Gastronomia créditos: Tânia Fernandes

Para uma refeição típica e genuína, num restaurante local, sem grandes pretensões, recomendamos o Vidoeiro e, em particular a carne grelhada com um sabor inesquecível. No centro de Melgaço, com uma decoração mais elaborada, encontra o Restaurante Chafarix. Doses generosas, atendimento atencioso e bom ambiente deixam vontade de voltar. Aconselhamos qualquer um dos três bacalhaus disponíveis na ementa: com Alvarinho (à moda de Braga, com batata frita e cebolada), o escondido (por gambas) ou com broa.

Alvarinho

Recomendamos ainda uma visita à adega do Soalheiro, primeiro produtor de vinho Alvarinho em Melgaço. A empresa familiar mantém uma produção confinada a um pequeno espaço, que pode ser visitado e uma sala de provas, no piso superior, de onde poderá apreciar a vista para a vinha e conhecer mais sobre as variedades da marca. Tivemos oportunidade de provar, entre outros, o novo Nature Pure Terroir. Trata-se da mais recente inovação da marca, um vinho natural, sem a adição de sulfitos, com toda a intensidade da natureza.

Melgaço Alvarinho
Melgaço Alvarinho créditos: Tânia Fernandes

A dois passos do Soalheiro, encontra-se a Quinta de Folga. Este projeto familiar tem vindo a recuperar sistemas de produção naturais, apostando na criação ao ar livre de animais de raça bísara e encontra-se ligada á confecção dos produtos do Fumeiro de Melgaço. Realizam, por marcação, eventos gastronómicos para grupos cujo tema é o Porco Bísaro e o vinho Alvarinho. Uma experiência também a não falhar.

Cultura

O Turismo Cultural é outra das vertentes que tem vindo a ser explorada pela empresa Montes Laboreiro. Tal como explicou Paulo Azevedo, o responsável, procuram promover experiências locais, de turismo sustentável, que envolvam a comunidade. “É um momento de convivência com a população e tradição castreja”. O visitante é assim parte integrante da experiência. Disponibilizam já o programa de Passeio com pastores, em que há possibilidade de acompanhar todas as atividades do pastor ao longo do dia, como sair com animais num passeio pela serra.

Outro workshop disponível é o de Pão Castrejo. Aprender como moer a farinha num moinho a água, amassar a farinha e cozer o pão num forno comunitário são as tradições que se podem aqui aprender. Para Paulo Azevedo, a riqueza desta experiencia reside no contacto próximo com as pessoas que trazem a tradição para os dias de hoje.

O maior drama do turista, hoje em dia, é perder o acesso à rede telefónica. Em Melgaço é preferível mesmo poisar o telemóvel. Mas com tanto que há para viver e apreciar, se calhar não vai ser tão importante assim estar permanentemente ligado ao resto do mundo. Melgaço é para usufruir. Deixar o tempo correr e absorver a energia que emana da natureza.