O cheiro inconfundível recebe os clientes do Lowell Farms em Los Angeles, o primeiro coffeeshop (café dedicado à canábis) dos Estados Unidos, que espera equiparar-se com os famosos estabelecimentos desse tipo em Amesterdão, Holanda.

Num menu aparecem listados todo tipo de produtos, desde charros até comidas e bebidas.

Os funcionários ajudam os clientes a navegar entre os produtos, dando conselhos a conhecedores e novatos sobre as opções da canábis - incluindo sabor e potência - que mais combinam com a comida, quase como recomendar um vinho...

Os charros são vendidos a partir de 18 dólares, mas também há concentrados altamente potentes, como os "dabs", distinguíveis pela textura similar ao vidro quebrado, e comestíveis, além de acessórios como bongs.

"É incrível ser parte da história, nunca pensei que seria", disse a chef Andrea Drummer no restaurante. "É importante ter um espaço seguro para consumir, num ambiente comunitário. O único outro lugar assim que sei que existe é em Amesterdão".

O lançamento do café ocorre no momento em que cada vez mais estados dos Estados Unidos legalizaram a canábis, tanto com fins medicinais como recreativos. A droga continua, porém, sendo ilegal a nível federal.

Na Califórnia, que tem o maior mercado legal de erva do mundo, a canábis recreativa foi legalizada em 2018, o que desencadeou uma frenética corrida de empresários para tirar proveito dessa indústria milionária.

Outros sete estabelecimentos como o Lowell Farms devem abrir em breve em West Hollywood, uma cidade que praticamente está incrustada em Los Angeles e que é uma das primeiras do país a adotar o conceito.

Canábis e boa comida

"É uma grande ideia e acredito que a normalização da canábis é algo que deveríamos fazer", disse Derek Bollella, de 22 anos, um estudante de gestão que conduziu 45 minutos nesta segunda para fazer parte dos poucos afortunados que conseguiram um lugar no Lowell.

"Se você vai a Amesterdão, há um desses a cada três metros", acrescentou enquanto fumava um charro e comia nachos com guacamole.

Antonela Balaguer, de 23 anos, outra cliente, sentada perto com um amigo, comemorou que enfim haja um café onde os clientes possam consumir erva enquanto desfrutam de um "boa comida para quem está sob efeito da canábis".

"Provavelmente poderia vir aqui todos os dias", disse. "Consumiria canábis todos os dias se pudesse".

Drummer disse que os 40 anfitriões do restaurante foram treinados para estar atentos aos clientes e garantir que eles podem tolerar a erva que pediram e que nada saia do controlo.

"É como em um bar, você sabe quando uma pessoa que pediu cinco uísques deve parar", explicou. "Se isso acontece, você conversa com o cliente".

Para Matt Kirschner, o Lowell Farms é um marco importante para o país.

"Isso é a melhor coisa que os Estados Unidos implementaram na sua cultura em muito tempo", disse este estudante de direito de 22 anos, enquanto fumava um charro e comia mac and cheese (massa com queijo) e um sanduíche de frango com um amigo.

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