Foto: Jacek Dylag @ Unsplash

Coloquei agora, literalmente, o telemóvel em modo "avião" para poder centrar-me no voo que fiz a Viena. Nas memórias quentes de um inverno gélido e romântico. Viena e outras cidades austríacas recordam-me música e romance. Não precisamos só de praias como paraíso.

Eu costumo dizer que a melhor bebida do mundo é a música! E ali tem música muito bem criada e cuidada. Mas não é a música que nos faz agitar o corpo, contudo a mente. Não há melhor que esse tipo de música. Mesmo que não apreciemos a clássica, ficamos serenos e entramos dentro dos nossos pensamentos de forma descomunal. Por exemplo, Mozart desperta esse relaxamento em mim. E em vocês? O problema é que se o reviverem na Áustria, é tudo diferente. Ficarão embriagados. Parece que rodopiamos sem nunca termos arredado um pé do local onde estamos, enquanto o ouvimos.

E com as recomendações a nacionais para viajar apenas para a União Europeia, em breve, Viena pode ser um dos seus destinos. Conhece? Relembre. Não conhece? Prepare um pequeno troley e siga o instinto, evite as vagas de frio típicas do inverno freudiano. Nem se recomenda nesta fase. Vivemos numa nova era de restrição e temos de o assumir. Mas o tempo passa e não podemos deixar de viajar. Todavia, será importante pesquisarem como e se podem entrar neste país. Os portugueses estão entre os casos com restrições, ou seja, verifiquem as medidas relativamente aos testes negativos COVID-19 que devem ter 72 horas antes de embarcar. Ajustem com mais cuidado as reservas dos vossos voos, não prescindam das agências de viagens. Não estou a fazer publicidade, estou a advertir. Eu própria fazia antes os meus "caminhos" por minha própria gestão. Agora, seria insana!

Vá, vamos voar até Mozart. É isso mesmo, eu senti que me sentara a ver os dedos de piano de Mozart, eu planeei dançar ballet como uma menina curiosa, senti e vi todo o gabinete de Freud. E paro aqui para falar-vos deste apartamento que sobreviveu ao holocausto. Ainda podem ver a bengala e o chapéu do psicanalista, ali. Mas o que me fez atravessar as salas foi o divã! Olha a fábula do divã que nada tem de fábula, nem de excentricidades de séries da Netflix. Verdade seja dita. Verdade seja vista com esta viagem. Ali Freud testava o seu método de introspeção e transferência, ali Freud também provavelmente amara e escrevera sobre isso. O que dele conhecemos, na verdade resume-me a preconceitos de quem vê a psicologia como algo ténue. Vá a Viena e encontre-se com Freud no divã, ali cheira a uma madeira muito especial. Não consegui apurar o nome, só o olfato!

Ópera de Viena
Ópera de Viena créditos: AFP

Caminhe bastante ou utilize o metro para percorrer cada ponto turístico. Eu hoje foco-me no cantinho de Freud e na Ópera. Poderia demorar-me sobre o Belvedere, mas não quero. Quero dar-vos a conhecer outros momentos que Viena vos pode oferecer e em poucos dias! E pode juntar a família, os amigos ou o(a) parceiro(a) numa viagem de trabalho e lá consegue unir-se ao lazer. Eu viajo sempre a trabalho, em nome da Ciência e Tecnologia, mas trato muito bem a agenda do lazer.

É imperativo que corra os recantos de Viena pois os cafés são adoráveis, os museus são desconcertantes, a Pintura é mestria, tudo é aconchegante e moderno. Não queira ver tudo, deixe momentos para uma outra ida. Houve momentos em que pensei que esta é daquelas sociedades na qual viveria porque a educação é mais evoluída, desculpem mas é. O tempo não é o nosso, claro. Mas Áustria é um ‘país-livro’, assim lhe vou chamar. Sobretudo Viena.

Recordo-me de ter ficado muitíssimo bem alojada, durante três semanas, em Margareten Strasse, com metro perto e que dali chega a Karlsplatz. O que mais me entusiasmava era ouvir música clássica em todo o lado. Até no WC do Metro.

A ópera é algo que também quero focar neste artigo, porque só fui a uma ópera e foi em Viena, fui várias vezes e não percebi tudo totalmente porque não sou de focar o ponto protagonista: o palco. Dediquei-me a reviver a Áustria do início do séc. XX. Viena é distinta como um vestido emplumado e um smoking com detalhes finíssimos. Todos se aperaltam para ir à Ópera Estatal de Viena. Subindo as escadas, entramos numa viagem ao passado. Plenamente. E eu embarquei e dificilmente voltei a mesma, de lá. Durante uma das peças, La Traviata, imaginei a vida de tanta gente desde a aurora de 1861. Envolvi-me numa memória inventada de romances, de dramas e de projetos que hoje são o nosso presente. Ali conjeturava-se a próxima Guerra Mundial, ali se amou atrás dos camarotes, ali se pecou e perdoou, ali se preparou a Ciência, ali nem a voz estrondosa dos atores me calou o imaginário. Lembro que tinha os óculos para poder utilizar, estilo lupa! Peguei e observei melhor ainda. E encontrei o melhor homem do mundo com quem me casei ali, no período breve de dias, e para quem escrevo uma carta todos os dias. Este artigo escrevo-o para ele. Separámo-nos numa dualidade Viena-Lisboa. Decidi Lisboa. E toda esta última parte é uma invenção minha pois é o que a Ópera dali nos faz: inebria os sentidos e faz-nos amar se tivermos caráter para isso!

Contornando o dourado e imperioso edifício da Ópera, facilmente apanham um metro (hum e podem comer guloseimas por ali, na rua, ou lá dentro, mal saem. Há o strudel de maçã que eu não gostei, mas todos adoram!) e podem sentir-se muito seguros na noite austríaca. Sigam o ritmo das cervejas e dos chocolates!

Para amantes do chocolate, cuidado que Áustria não perdoa. Eu dispensei o chocolate porque não aprecio, mas segui num metro e enganei-me totalmente no caminho até ao apartamento. Adorei ter-me perdido, pois viajei pela cidade toda sem contar. Era noite. Molhei totalmente as botas e as calças pois choveu imenso, mas ri muito da situação. E tudo isto que acabei de contar é real, Viena convida.

Embarque, planeie bem antes de ir. Leve cachecol!

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