Reflexo dos problemas enfrentados pela indústria dos meios de comunicação nos Estados Unidos - em contínua luta financeira e sob ataques de líderes políticos - o museu vai fechar no próximo dia 31.

Com exposições que incluem desde os ataques do 11 de Setembro até o Muro de Berlim, bem como capas de jornais de todo o mundo, o museu anunciou no começo do ano que venderia o prédio, desenhado pelo arquiteto James Polshek, para a Universidade Johns Hopkins, por 372 milhões de dólares.

A organização sem fins lucrativos The Freedom Forum, criada pelo fundador do "USA Today", Al Neuharth, comprometeu-se a continuar a missão de educar o público sobre a importância de uma imprensa livre, mas não informou se abrirá um novo espaço público de exposições.

"O futuro do Newseum é incerto", disse a porta-voz, Sonya Gavankar. "Levaremos pelo menos seis meses para desmontar as exposições e transferi-las para nossas instalações de arquivo. Uma vez concluído este processo, começaremos a ver o que o futuro nos reserva", assinalou.

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Exposição de capas do jornal satírico francês Charlie Hebdo créditos: LUSA/EPA

O primeiro Newseum foi inaugurado em 1997, em Arlington, Virginia, e, em 2008, transferiu-se para um prédio de 450 milhões de dólares entre o Capitólio e a Casa Branca. Durante duas décadas, o museu recebeu cerca de 10 milhões de visitantes e sediou centenas de eventos e conferências. Mas com o preço do ingresso ultrapassando 20 dólares numa cidade com museus de classe mundial gratuitos, o Newseum teve dificuldade em manter-se de pé.

"O Newseum teve o papel louvável de lembrar a milhões de visitantes que a história do jornalismo é cheia de glórias, mas também de maus exemplos, que a informação pode ser libertadora e a desinformação, repressiva, e que a liberdade de imprensa sempre está sob ameaça", escreveu Michael Hiltzik no "Los Angeles Times".

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Memorial aos jornalistas que morreram no exercício da profissão créditos: LUSA/EPA

O público dos últimos dias do Newseum disse que sentirá falta do local. Cathy Cawley, de Ashland, Virgínia, contou que veio visitar o museu pela segunda vez antes do encerramento, por causa das exposições "expansivas e bonitas": "Estava a observar a parede que mostra a exposição sobre jornalistas mortos durante o exercício de sua profissão e percebi o quão importante é uma imprensa livre."

Julia Greenwald, professora de inglês numa escola de Washington, trouxe um grupo de estudantes antes do encerramento do museu. "É um dos melhores museus de Washington. É triste que esteja a encerrar", lamentou. "No contexto político atual, é muito importante que as crianças aprendam o valor de uma imprensa livre."

Reportagem: Rob Lever / AFP

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