“O São Pedro é muito importante para nós porque nós somos uma comunidade do mar que veio de Portugal através do mar, dos nossos antepassados”, disse à Lusa Martin Theseira, na cidade malaia conquistada pelos portugueses em 1511.

As festividades do São Pedro arrancaram hoje em Malaca e vão decorrer até domingo. No sábado, o dia fica marcado pela procissão e bênção dos barcos de pescas, dois eventos que juntam centenas de luso-malaios no Bairro Português da cidade.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, vai participar nestas festividades. “O São Pedro é santo dos pescadores, por isso é muito importante para nós celebrarmos este dia”, contou.

O regedor cultural do Bairro português em Malaca sublinhou ainda que esta comunidade sente-se afortunada por ter antepassados portugueses e por conseguir ainda resistir desde 1511 e após as invasões e domínio holandês e britânico que tentaram segregar os seus costumes e religião.

“Os nossos antepassados chegaram há 500 anos e é um milagre o facto de nós ainda conseguirmos sobreviver com o nosso crioulo único, com a nossa religião, a portuguesa católica e praticarmos a cultura e todos os costumes dos nossos antepassados”, apontou.

Crioulo de matriz portuguesa cantado todos os sábados em Malaca
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A relação de Portugal com Malaca remonta a 1509 quando Diogo Lopes Sequeira, enviado do Rei D. Manuel, aportou em Malaca para estabelecer relações com o soberano local e dois anos mais tarde Afonso de Albuquerque desembarcou em Malaca, demoliu a Grande Mesquita, e levantou no local uma fortaleza que seria um importante entreposto comercial.

Na mesma altura surge o crioulo de matriz portuguesa kristang, uma língua agora ameaçada de extinção, que emprega a maior parte do seu vocabulário do português, mas a sua estrutura gramatical é semelhante ao malaio e extrai as suas influências dos dialetos chinês e indiano.

Depois de 100 anos de domínio português, a cidade foi tomada pelos holandeses, depois pelos ingleses, até à independência da Malásia, em 1957.

“É muito importante que nós preservemos isto, que é único, para as gerações futuras”, concluiu o regedor cultural.

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