O Machu Picchu é a atração turística mais famosa do Peru e, a fim de levar mais pessoas para o local, o governo peruano começou a construção de aeroporto que permitiria voos internacionais diretos. Atualmente, para chegar a Machu Picchu, os turistas precisam voar até o aeroporto de Cusco, localizado a cerca de 80 quilómetros do local e depois apanhar um comboio ou autocarro para a antiga cidadela. O aeroporto tem apenas uma pista e está limitado a aeronaves pequenas provenientes de Lima, capital do Peru, e La Paz, na Bolívia.

Os planos para o novo aeroporto foram anunciados em 2012, mas foi apenas este ano que as escavadoras começaram a moldar o terreno em Chinchero, uma antiga cidade inca considerada a porta de entrada para o Vale Sagrado. Mais de 7 mil pessoas assinaram uma petição para impedir a construção do aeroporto, afirmando que o projeto causaria "danos irreparáveis ​​à cultura do Peru e da humanidade".

"Esta é uma paisagem construída, há terraços e rotas construídas pelos Incas", disse ao The Guardian Natalia Majluf, historiadora de arte peruana da Universidade de Cambridge. "Colocar um aeroporto aqui iria destruí-las".

Cerca de 200 especialistas peruanos e internacionais enviaram uma carta ao presidente peruano, Martín Vizcarra, pedindo-lhe para suspender a construção e considerar alterar o local do projeto. Os especialistas argumentam que o projeto "terá, inevitavelmente, efeitos nefastos em toda a zona" e que  levará à "destruição" da "incomparável paisagem da cordilheira", afirmando que "o projecto implicaria afectar para sempre a harmonia milenar deste universo".

Alertaram também para o facto dos solos não serem apropriados para a construção de um aeroporto e que o trabalho causará escassez de água potável em Cusco. No entanto, o governo peruano não tem dúvidas e planeia avançar com o projeto.

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