"Esperamos chegar ao fim do dia com cerca de 25 mil fotografias de 486 edifícios", disse à agência Lusa Raimundo Mendes da Silva, coordenador do projeto municipal "Viseu Património", no qual se insere a iniciativa de sábado, intitulada "Freeze Viseu".

Segundo o responsável, "Viseu tem um projeto muito ambicioso, mas realista", de valorização do património do seu centro histórico, sendo, por isso, fundamental "ter uma caracterização geral desse património, para depois serem feitos estudos mais detalhados de edifícios mais típicos e mais singulares".

"Porque não convocar o país, porque não convocar os profissionais, os engenheiros, os arquitetos, os estudantes, para nos ajudarem a fazer esta tarefa de primeira identificação?"

É isso que acontecerá durante o dia de sábado, com 180 profissionais, professores e estudantes das áreas da engenharia, da arquitetura e do património oriundos de vários pontos do país a circularem pelo centro histórico para fotografarem os edifícios.

"Estamos a falar de 40 equipas que vão andar na rua, em que pelo menos uma das pessoas é arquiteto, pelo menos uma das pessoas é engenheiro", explicou.

Segundo Raimundo Mendes da Silva, este será "um trabalho duro", porque os participantes terão de seguir um guião de apoio com 200 itens de observação.

Entre eles, por exemplo, "se as janelas são de guilhotina, de batente, de sacada", se os edifícios "têm frisos, pilastras ou ornamentos de pedra" ou "caixas de escada exteriores" e se "obedecem a uma filosofia de simetria ou assimetria".

"Pensamos que, com esta grelha de 200 itens, que a seguir será tratada estatisticamente e filtrada do ponto de vista técnico, podemos ter uma imagem relativamente impar do que é o centro histórico", explicou.

Participantes de todo o país

Os 486 edifícios situam-se na zona de proteção da Sé e numa zona de fronteira que pertence ao casco antigo.

Na opinião de Raimundo Mendes da Silva, este será "um evento com um resultado técnico muito importante para Viseu, mas simultaneamente um evento com caráter muito pedagógico para a população em geral e para os interessados na área do património".

"Temos participantes de todo o país. Esta ajuda faz com que Viseu possa avançar uns meses num processo de conhecimento e valorização do património", sublinhou.

Posteriormente, "uma equipa técnica vai trabalhar estes dados, que ficarão disponíveis, por exemplo, para investigação", acrescentou.

Segundo o coordenador do projeto "Viseu Património", tem de ser feita "uma caracterização mais detalhada de cerca de 100 edifícios típicos e singulares e este evento vai ajudar, a partir das fotografias, a fazer a recolha desses edifícios".

"Há ainda uma terceira fase do estudo detalhadíssimo de dez edifícios, para perceber o elemento construtivo", acrescentou, explicando que "Viseu tem tabiques de madeira com características muito especiais e que são uma enorme mais-valia nestes edifícios".

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