O mais famoso anfiteatro da antiguidade, classificado como Património da Humanidade pela UNESCO e que todos os anos é visitado por sete milhões de turistas, revela a extraordinária engenharia posta a serviço daquelas sangrentas atividades.

No final de uma longa obra de restauro, o hipogeu ou cripta foi aberto ao público esta sexta-feira, dia 25 de junho, e constitui uma nova atração para os turistas que poderão descobrir um dos corredores mais terríveis daquele circo do qual poucos homens e animais saíram vivos.

Há uma nova atração turística no Coliseu de Roma: o labirinto subterrâneo que conduzia gladiadores e animais para combates mortais
créditos: AFP or licensors

“Era escuro, cheirava mal. As condições eram péssimas para os escravos e os animais”, conta a guia Cristina.

Uma vez coberto por um piso de madeira, o labirinto de corredores e câmaras escuras serviu como bastidor do anfiteatro Flaviano, uma prisão para homens e feras que enfrentavam seu destino na arena.

"Tem que imaginar que eles saíram de repente do escuro e que o barulho na arena era enorme ...”, enfatiza.

"Um monumento no monumento"

Patrocinado pela fabricante italiana de calçados de luxo Tod's, o restauro desta área subterrânea, que se estende por meio hectare, começou em 2018, e empregou 81 arqueólogos, engenheiros e especialistas, que limparam e reforçaram as paredes de tijolo e pedra.

“Podemos finalmente devolver ao público este monumento no monumento”, disse a diretora do Coliseu, Alfonsina Russo, durante uma conferência de imprensa.

O Coliseu e a cripta foram concluídos em 80 DC. sob o imperador Domiciano. Após o último espetáculo em 523 d.C., o hipogeu foi gradualmente coberto por escombros até ser desenterrado no século XIX.

Coliseu de Roma
créditos: AFP or licensors

O labirinto de corredores e cómodos fazia parte do coração da mecânica dos jogos, com lutas entre gladiadores, caças de feras africanas selvagens ou execuções públicas.

Um imponente túnel conduzia a um campo de treino de gladiadores, que incluía um hospital e uma morgue.

Os animais também eram apresentados ao anfiteatro através do túnel antes de serem enjaulados.

Ainda é possível ver no chão de tijolos dos 15 túneis da cripta os buracos cavados nos blocos de travertino e bronze que eram usados para içar gaiolas, decorações ou plataformas com gladiadores. Oito escravos eram necessários para isso.

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